“Baixem as armas! Larguem as balas!” Protesto popular obriga militares a ajudar na remoção de escombros após terremotos na Venezuela

Protesto de moradores obriga militares a participarem de resgate após terremotos na Venezuela

Moradores revoltados com a demora nos resgates em La Guaira pressionam soldados, que passam a usar pás e picaretas; tragédia que já deixou quase 1.500 mortos no país

AFP

Um protesto de moradores obrigou, neste domingo, um grupo de militares a largar as armas e participar diretamente da remoção de escombros de um edifício desabado na Venezuela. A mobilização ocorreu quatro dias após os fortes terremotos que atingiram o país e já provocaram quase 1.500 mortes, ampliando o clima de revolta e desamparo entre a população das áreas mais afetadas.

A cena ocorreu na região de Tanaguarena, no estado de La Guaira, apontado como o epicentro da tragédia. Moradores e voluntários que atuavam nas buscas confrontaram cerca de 20 militares que estavam no local apenas fazendo a segurança, sem auxiliar no resgate de vítimas presas sob os escombros.

“O país precisa de vocês. Baixem suas armas, larguem as balas”, gritou um homem a um dos soldados, segundo relataram jornalistas que acompanhavam a situação no local.

Revolta no cenário da tragédia

Dezenas de pessoas participavam das operações improvisadas de resgate quando a indignação tomou conta da área. O comerciante Alexander Mijares, de 26 anos, que atuava como voluntário na tentativa de localizar uma amiga soterrada, relatou o momento de tensão.

“Eles ficaram encostados em uma parede quando precisávamos retirar uma pessoa morta”, disse. “Por que não vieram com macacões de trabalho, pás e picaretas? Por que vieram com fuzis? Onde está a guerra?”, questionou, em meio aos gritos de outros moradores.

A revolta também foi alimentada pelo temor quanto ao destino dos corpos. “Meus filhos não vão ser jogados em uma vala comum”, protestou outro homem, diante da lentidão na retirada das vítimas em um dos prédios destruídos.

Pressão popular muda postura

Diante da pressão direta da população, os militares acabaram pegando ferramentas e passaram a ajudar na remoção dos escombros. A mudança de postura evidenciou o contraste entre a resposta inicial das forças de segurança e a urgência humanitária imposta pela dimensão da tragédia.

Na Venezuela, as Forças Armadas ocupam posição central no poder desde os governos de Hugo Chávez e de seu sucessor, Nicolás Maduro. Embora sejam um dos principais pilares do regime, elas também são vistas por parte da população como instrumento de repressão, percepção que se intensificou diante da atuação inicial nos locais atingidos pelos terremotos.

Enquanto equipes internacionais começam a chegar ao país para auxiliar nos resgates, moradores cobram respostas mais rápidas, maior envolvimento das autoridades e ações focadas no salvamento e na dignidade das vítimas de uma das maiores catástrofes da história recente venezuelana.

Uma resposta

  1. ditadura venezuelana defendida e financiada pelo corruPTo molusco 9 fingers….o qual é amado, idolatrado e bajulado pelos esquerdopatas que vomitam por aqui neste blog….

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