Arma de Bolsonaro apreendida em blitz teve percussor removido em segredo por seguranças, como precaução

Pistola de Bolsonaro foi apreendida em blitz

GSI afirma não ter controle sobre escoltas de ex-presidentes e que militar que transportava a arma não pertence ao órgão

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) negou responsabilidade operacional ou administrativa sobre a segurança do ex-presidente Jair Bolsonaro e sobre o militar flagrado com uma arma registrada em nome dele. A informação é de Iago Mac Cord, do Correio Braziliense.O órgão afirmou que o militar não integra seus quadros e que os veículos usados na escolta do ex-presidente não pertencem à instituição. O GSI reforçou que a legislação vigente estabelece que ex-presidentes indicam suas próprias equipes de segurança, sem subordinação ao gabinete.

Segundo o órgão, sua atuação se limita ao suporte técnico, incluindo capacitação e avaliação de agentes e condutores vinculados à proteção de ex-chefes do Executivo.

Pistola de Bolsonaro foi apreendida em blitz

Em 15 de junho, durante uma blitz da Lei Seca em Taguatinga (DF), agentes encontraram uma pistola Glock calibre 9 milímetros registrada em nome de Bolsonaro, e um carregador sobressalente. O armamento estava em posse do militar Estácio Leite da Silva.

Embora o registro estivesse regular, a polícia apreendeu a pistola pela ausência do Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) no momento do transporte.

Seguranças removeram o percussor da arma, diz defesa

 A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirma que a arma estava inoperante porque seguranças retiraram o percussor — peça essencial para o disparo — sem o conhecimento dele.
Segundo os advogados, a medida ocorreu de forma preventiva em razão do uso de medicamentos psiquiátricos pelo ex-presidente, que afetariam sua cognição.A defesa também sustenta que Bolsonaro percebeu a falha no mecanismo ao manusear o armamento e solicitou que um segurança levasse a pistola para conserto. Segundo essa versão, esse fato explicaria o transporte da arma no momento da abordagem na blitz.

Bolsonaro presta depoimento em investigação

Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal em sua residência, em Brasília. A oitiva durou cerca de cinco minutos e ocorreu durante uma visita dos investigadores que se estendeu por aproximadamente 40 minutos.

Caso pode impactar situação jurídica

O episódio ocorre no contexto do fim do prazo da prisão domiciliar humanitária concedida ao ex-presidente, condenado a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado.

A Polícia Civil do Distrito Federal avalia se houve crime de posse ilegal ou cessão de arma de fogo, previstos no Estatuto do Desarmamento, com penas de 3 a 6 anos de prisão.

Especialistas apontam que mesmo uma arma inoperante pode configurar posse ilegal. A eventual caracterização de nova infração pode ser considerada falta grave no cumprimento da pena.

O caso aguarda análise do ministro Alexandre de Moraes, que pode decidir sobre a manutenção ou revogação do benefício. A Procuradoria-Geral da República já indicou, em manifestação preliminar, que a apreensão da arma, por si só, não comprova descumprimento das regras impostas.

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