Tensão na Bolívia: governo decreta estado de emergência e coloca Exército nas ruas

Manifestantes ocupam as ruas de La Paz

Governo mobiliza militares para desbloquear estradas após quase dois meses de protestos contra medidas econômicas e enfrenta resistência de setores sociais.

A Bolívia vive uma das mais graves crises políticas e econômicas das últimas décadas, marcada por protestos prolongados, bloqueios de estradas e presença intensa de forças de segurança nas ruas. O cenário de instabilidade se aprofundou após o governo decretar estado de emergência para tentar retomar o controle da ordem pública.

Decreto amplia poderes do Executivo

O presidente Rodrigo Paz anunciou a medida no sábado (20), autorizando o uso ampliado das Forças Armadas para apoiar a polícia no desbloqueio de rodovias e na contenção dos protestos que já duram cerca de 50 dias. Com isso, o Executivo passou a contar com instrumentos constitucionais mais amplos para agir de forma imediata. Ainda assim, o Congresso precisa ser comunicado em até 24 horas e tem prazo de até 72 horas para aprovar ou rejeitar o decreto.

Tropas ocupam pontos estratégicos

Logo após a declaração, militares intensificaram o patrulhamento em centros urbanos estratégicos. Em Cochabamba, soldados passaram a vigiar pontos-chave da cidade, como a ponte Cala Cala. Ao mesmo tempo, em La Paz, a Plaza Murillo, símbolo do poder político, permaneceu cercada por tropas durante a noite, o que reforçou a percepção de um clima de exceção.

Militares patrulham ruas na Bolívia após declaração de estado de emergência • Reuters

Operações reduzem número de bloqueios

Com a entrada em vigor do estado de exceção, polícia e Exército iniciaram operações conjuntas para remover os bloqueios. Em cidades como El Alto, próxima à capital, comboios policiais escoltados por blindados militares liberaram estradas sem resistência significativa. Segundo o governo, o número de pontos de bloqueio caiu de mais de cem, no auge da crise, para pouco mais de 30.

Corte de subsídios desencadeou crise

A origem do conflito está diretamente ligada à decisão do governo de cortar subsídios aos combustíveis. A medida buscou reduzir o déficit fiscal em meio à escassez de dólares e às negociações financeiras internacionais. No entanto, provocou forte reação social e, em seguida, levou sindicatos, grupos indígenas, camponeses e produtores de coca a bloquear rodovias estratégicas, paralisando o transporte e comprometendo o abastecimento de alimentos, medicamentos e combustível.

Divisão entre movimentos sociais

Paralelamente às ações de segurança, o governo afirmou ter buscado o diálogo com os setores mobilizados. Um acordo firmado com a principal central sindical do país levou parte dos manifestantes a suspender os protestos. Ainda assim, outras organizações decidiram manter a mobilização, especialmente grupos de camponeses e cultivadores de coca da região do Chapare.

Acusações políticas elevam tensão

Nesse contexto, o Executivo acusa o ex-presidente Evo Morales de incentivar a instabilidade e chegou a falar em tentativa de golpe de Estado associada ao narcotráfico. Morales nega as acusações e permanece refugiado no Chapare, protegido por apoiadores. Autoridades já sinalizaram que uma eventual intervenção das forças de segurança na região não está descartada.

Impactos recaem sobre a população

Enquanto o impasse político persiste, a população enfrenta os efeitos diretos da crise, com escassez de produtos básicos, aumento de preços e prejuízos crescentes para a economia. O desfecho dependerá tanto da eficácia das medidas de segurança quanto da capacidade do governo de recompor o diálogo político e obter respaldo do Congresso para manter o estado de emergência.

Com informações de Reuters e Lusa

Respostas de 9

  1. Bem, o povo quis um governo de Direita neoliberal. O que acha que ele iria fazer?

    A ignorância na democracia é o pior dos males. Inventa-se o tal do voto fajuto Anti-sistema e o imbecil vota nesses trastes neoliberais.

    1. Com todo o respeito, a maior ignorãncia é acreditar que o “neoliberalismo” é aplicado unicamente por governo de “direita”.

      Aqui no Brasil, tivemos instrumentos de política “neoliberal” aplicados no govermo FHC (que não era “direita neoliberal”) e de lula (que até a véspera do g7 se apresentava como de “esquerda”). Aliás, foi nos governos Lula/Dilma que os bancos no Brasil mais faturaram.

      O brasileiro necessita urgentemente sair dessa bolha ideológica “direita (bandido) / esquerda (mocinho)”, sob o risco de continuar feito cachorro correndo atrás da própria cauda.

      1. Discordo, o governo FHC nunca foi de esquerda, foi ultraneoliberal. Entretanto, sem ver o cenário da época, é fácil julgar mal. Hiperinflação, queda do muro de berlim e fim da URSS.

        Já o do Lula 1, só fez a transição (do neoliberal) para (sobre)viver aos ataques dos superricos e ter um pouco de tranquilidade para construir algo melhor.

    2. Ué , que eu saiba os prblemas sao causados pela esquerdalha quando esta no governo…..depois a direita tenta consertar, e os mesmos esquerdopatas convocam protestos para tumultuar. A esquerda é canalha, sempre foi e sempre será. Dissimulada, invejosa, desonesta, corruPTa, violenta, mentirosa…emfim. canalha.. E seus apoiadores tb

  2. ACORDA MILICO BIZONHO

    O custo da cesta básica de alimentos no Rio de Janeiro varia significativamente dependendo do formato da compra. Em levantamentos recentes de institutos como o FGV IBRE, o conjunto de itens básicos na cidade fluminense tem figurado entre os mais caros do país, girando em torno de R$ 1.030.

    Teu salario familia e 0,16.

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