Ex-governador afirma que os atos de 8 de janeiro configuraram baderna e depredação, não uma tentativa organizada de ruptura institucional
O ex-governador do Rio de Janeiro e ex-ministro Moreira Franco afirmou que não considera os atos de 8 de janeiro de 2023 uma tentativa de golpe de Estado. Ele fez a declaração em entrevista ao podcast Direto de Brasília, apresentado pelo jornalista Magno Martins, durante conversa sobre o lançamento de seu livro Política como Destino.
Livro revisita décadas da política brasileira
Na obra, Moreira Franco faz uma reflexão sobre décadas de vivência política e analisa momentos decisivos da história recente do país, como o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, e os ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília.
Avaliação sobre o 8 de janeiro
Ao comentar os atos de 8 de janeiro, o ex-ministro rejeitou a classificação de tentativa de golpe. “Golpe se faz com Forças Armadas, e não tinha ali. Não conheço nenhum golpe militar sem que haja um exército. Nesse caso houve um movimento que se deu de maneira difusa, nas portas dos quartéis. Houve uma invasão do Congresso Nacional, que foi muito mais baderna e depredação do que propriamente a busca da violência para criar um constrangimento de natureza política com consequências de um golpe militar. A história mostra que golpe se dá quando existem homens e mulheres organizados de maneira tradicional, usando arma como instrumento de luta. Isso não houve. Houve baderna”, afirmou.
Mudanças tecnológicas e nova ordem
Moreira Franco avaliou ainda que o mundo vive um período de ruptura tecnológica e institucional, com reflexos diretos na política. “É um momento de mudança, sobretudo tecnológica. Estamos começando a ver questionamentos de ordem institucional, tecnológica e política. Certamente irá surgir uma nova ordem. Temos que estar preparados para ela”, advertiu.
Ironia sobre a “minuta do golpe”
O ex-governador também ironizou a chamada minuta do golpe, encontrada na casa de ex-auxiliares do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Nunca vi minuta de golpe. Não me passa pela cabeça que se faça uma minuta de um golpe. Não consigo ver isso. Se faz minuta de golpe em quartel. Não é possível que essas pessoas sejam tão despreparadas a esse ponto. E, no Brasil, onde temos uma experiência vivida a custo muito alto e profundo para a população e para o país, fazer uma coisa tão desorganizada, tão sem consistência, sem referências mais sólidas. Não acredito. Acho que, se tentaram fazer golpe, são incompetentes, não conseguiram realizar o que queriam”, ironizou.
Respostas de 3
Uma das interpretações presentes na historiografia brasileira sustenta que, em determinados momentos de crise institucional, grupos civis sem força coercitiva própria para impor mudanças políticas buscaram apoio nas Forças Armadas para concretizar seus objetivos. Segundo essa visão, lideranças políticas, econômicas e intelectuais procuraram influenciar setores militares por meio de afinidades ideológicas, da construção de narrativas sobre ameaças à ordem vigente ou da necessidade de reformas consideradas indispensáveis ao país.
Uma vez conquistado o apoio das altas patentes, a estrutura hierárquica e disciplinada das Forças Armadas permitia que decisões tomadas pelos comandos fossem executadas por amplos contingentes militares, mobilizando recursos humanos e materiais que grupos civis isoladamente não possuíam. Dessa forma, transformações políticas relevantes puderam ser implementadas com o respaldo do poder militar, conferindo capacidade coercitiva a projetos concebidos ou apoiados por setores da sociedade civil.
Sob essa perspectiva, episódios como a Proclamação da República, a Revolução de 1930, a deposição de Getúlio Vargas em 1945 e o movimento de 1964 são frequentemente analisados como processos nos quais interesses civis e militares se articularam. Nessa interpretação, as Forças Armadas teriam atuado não apenas como protagonistas autônomas, mas também como instrumento de coalizões políticas mais amplas, que buscavam alterar a estrutura de poder existente e que, sem o apoio militar, teriam maiores dificuldades para alcançar seus objetivos.
“Baderna e depredação” com a conivência das autoridades militares que deram guarida pro bando manipulado que permaneceu meses acampado na frente dos quartéis, sem falar no corpo mole que a PMDF fez não apenas no 8 de janeiro, como em todo esse triste episódio. Conta outra!
O cara tem que ser muito burro para acreditar que houve realmente uma tentativa de golpe de estado no Brasil no dia 8 de janeiro de 2023 kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk