Gaúcho conta como experiência profissional e propósito pessoal o levaram à linha de frente do conflito.
O brasileiro Caynã Gindri vive hoje uma realidade extrema no Leste Europeu. Atualmente, ele atua como médico de combate na infantaria ucraniana, diretamente inserido na linha de frente da guerra.
Experiência profissional foi decisiva
Com formação na área da saúde, Caynã construiu uma trajetória marcada por atendimentos de urgência, emergência e trabalho hospitalar. Dessa forma, ele afirma que a prática diária sob pressão foi essencial para atuar no conflito.
Segundo o brasileiro, cada experiência anterior contribuiu para lidar com feridos graves, escassez de recursos e decisões rápidas. Assim, ele conseguiu se adaptar a um dos cenários mais hostis do planeta.
Decisão amadurecida ao longo do tempo
A escolha de seguir para a guerra não aconteceu por impulso. Pelo contrário, amadureceu gradualmente e foi influenciada por motivações pessoais e profissionais.
Ele lembra que o avô participou da Segunda Guerra Mundial. Além disso, cresceu ouvindo histórias que despertaram o desejo de viver algo além da rotina convencional.
Raízes gaúchas seguem presentes
Mesmo distante do Brasil, Caynã afirma carregar diariamente suas origens. Natural de São Borja e com passagem marcante por Santa Maria, ele diz que a identidade gaúcha o acompanha no front. Os relatos fazem parte de uma entrevista concedida ao jornalista Michel Azevedo, do projeto Impressionante Santa Maria City.
Segundo o brasileiro, essa ligação ajuda a manter o equilíbrio emocional. Assim, a memória de casa funciona como apoio em momentos de maior tensão.
Vida sob ataques constantes
Um dos relatos mais impactantes envolve a rotina em Zaporizhzhia, região próxima da linha de frente. Lá, segundo ele, a população aprende a valorizar necessidades básicas.
Enquanto isso, ataques de drones, explosões e acionamentos das defesas antiaéreas fazem parte do cotidiano. Portanto, o medo e a atenção constante se tornam permanentes.
Resgate sob risco de morte
Entre os episódios mais dramáticos, Caynã relembra o ataque a um blindado M113 que transportava dez soldados. O veículo foi atingido, passou por minas e caiu de uma ponte.
Mesmo ferido, ele decidiu retornar ao interior do blindado para resgatar um companheiro preso. Assim, assumiu o maior risco de sua vida para salvar outro soldado.
Encontros que marcam a guerra
A experiência também trouxe diálogos marcantes com civis. Em conversa com uma idosa ucraniana, ele ouviu que não havia alternativa além de conviver com a guerra.
Depois disso, a mulher agradeceu pela ajuda vinda de tão longe. Segundo Caynã, esse gesto reforçou o sentido da missão.
Saudade e propósito
Apesar do perigo constante, ele admite que já pensou em desistir. A saudade da família e da tranquilidade do Brasil pesa diariamente.
Ainda assim, ele afirma que permanece por acreditar no propósito de ajudar. Além disso, destaca a presença de vários gaúchos atuando juntos como voluntários.
Chimarrão como elo brasileiro
Mesmo em meio ao conflito, hábitos simples aproximam os brasileiros. Segundo ele, a saudade do chimarrão é constante, principalmente pela falta de erva-mate.
Relato direto e sem romantização
Ao final, Caynã resume a realidade da guerra sem rodeios. Segundo ele, não se trata de filme nem de redes sociais. É uma situação real, dura e perigosa, na qual morrer é sempre uma possibilidade concreta.
Respostas de 2
louvável a experiência. Parabéns.
Se, de fato, ele queria ação, deveria ter ido para São Gonsalo, Rj, no Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT).
Esse hospital recebe uma vítima a cada 45 minutos. Em um ano, durante a semana, a média de atendimento por dia é de 60, chegando a triplicar no final de semana.
Lá fala-se português, não é descriminado por ser estrangeiro, poderá tomar chimarrão nos intervalos (pois encontra erva-mate com facilidade), ajudará pessoas de sua nação que não pediram para se machucar, pois foram vítimas das circunstâncias.
Agora, se fez pelo dinheiro apenas (ou adrenalina), ok, arricando a sua vida por pessoas e uma nação que não tem nada a ver com a nossa, tem o meu total desprezo.