Conflito da Tríplice Aliança contra tropas de Solano López no Paraguai deixou milhares de mortos e definiu os rumos do combate
Felipe Faleiro
É consenso que a Guerra do Paraguai, ou Guerra da Tríplice Aliança, foi o conflito mais sangrento da História da América do Sul, com um saldo trágico de cerca de 370 mil mortos, entre militares e civis. E nela, a Batalha do Tuiuti, uma das mais letais, também chamada de Batalha dos Patronos, ocorreu em 24 de maio de 1866, ou seja, há exatos 160 anos, nos pântanos ao redor do lago Tuiuti, no sudoeste do Paraguai, perto da fronteira com a Argentina e da confluência dos rios Paraná e Paraguai.
Neste ponto, 24,4 mil paraguaios em quatro divisões partiram em ataque contra 32 mil homens do Exército Aliado, sendo 21 mil brasileiros, 10 mil argentinos e 1,2 mil orientais (uruguaios), que, por sua vez, saíram vencedoras do conflito. Seis horas após o início dos confrontos, a chamada Batalha dos Patronos encerrou com a Tríplice Aliança vencedora, porém o número de baixas foi igualmente devastador: estima o Exército Brasileiro cerca de seis mil paraguaios mortos, 370 prisioneiros, além de sete mil feridos.
Do lado Aliado, houve 3.913 mortos e feridos, sendo 3.011 brasileiros, 606 argentinos e 296 orientais. O texto da Ordem do Dia do Exército, neste ano, por ocasião de seus 378 anos, celebrados no último dia 19, registrou que esta foi “uma das mais gloriosas páginas” da História da Força Armada.
“O acirrado confronto evidenciou o heroísmo e a liderança do Brigadeiro Sampaio, do Marechal Osório e do Marechal Mallet, posteriormente instituídos Patronos das Armas de Infantaria, Cavalaria e Artilharia, respectivamente”, diz o texto. “A vitória em Tuiuti negou ao inimigo a retomada da iniciativa e abriu caminho para a ofensiva aliada, já sob a condução estratégica do Duque de Caxias, Patrono do Exército”.
O conflito ocorreu no terceiro ano da Guerra do Paraguai, iniciada em 1864 e encerrada em 1870, após o ditador paraguaio Francisco Solano López aprisionar, em 1864, o navio brasileiro Marquês de Olinda no porto de Assunção e ordenar a invasão das províncias de Mato Grosso, Corrientes e Rio Grande do Sul. Em retaliação, uma coalizão entre Brasil, Argentina e Uruguai foi formada no ano seguinte, e a partir daí, as escaramuças cresceram, culminando em ações e combates.
Segundo um estudo dos tenentes-coronéis de cavalaria Vilmar Carlott Júnior, do Exército Brasileiro, e Carlos María Fraquelli, do Exército Argentino, previamente a Tuiuti, Solano López pretendia derrotar os aliados em uma batalha decisiva, contando com o bom treinamento de suas tropas e o conhecimento do difícil terreno pantanoso que cercava o acampamento.
Batalha de estratégias
Com isso, desenvolveu a estratégia de se adiantar a uma possível ofensiva aliada, posicionando seu efetivo e mantendo outros 14 mil homens na fortaleza de Humaitá, com possibilidade de apoio de cem canhões, obuses e foguetes. Para isso, montou quatro agrupamentos. Às 11h55min daquele 24 de maio, o general Vicente Barrios disparou um foguete, sinalizando o início do ataque.
Em seguida, avançou outro agrupamento, comandado pelo general José Eduvigis Díaz. Conforme registros do Exército Brasileiro, o general Mitre comandava os argentinos e exercia simultaneamente a função de comandante em chefe dos Exércitos Aliados. O general Venâncio Flores dirigia os orientais e tinha sob suas ordens forças destacadas dos exércitos brasileiro e argentino.
Contra os brasileiros e orientais, Solano López lançou 18 mil homens em três divisões, comandadas pelo general Barrios, pelo coronel Díaz e pelo tenente-coronel Marcó. Contra os argentinos, atuou a divisão do general Resquín, composta por 6.300 homens. As divisões brasileiras de infantaria eram comandadas pelos generais Argolo, Sampaio, Guilherme de Sousa e Vitorino Monteiro.
As duas divisões de cavalaria ficaram sob o comando do general Mena Barreto (José Luís) e do coronel Tristão Pinto. A Brigada Ligeira de Voluntários de Cavalaria era liderada pelo general Antônio de Sousa Neto. Mallet determinou a abertura de um largo e profundo fosso, o que frustrou o avanço de parte das baterias paraguaias. “Por aqui eles não passam”, teria dito, segundo o historiador e jornalista Claudio Moreira Bento.
“Morticínio dos dois lados”
Logo depois, um contra-ataque do Brigadeiro Sampaio “transforma-se num morticínio dos dois lados”, escreveu Bento, forçando o recuo do inimigo para a mata. Sampaio foi ferido após cerca de cinco horas de combate. Enquanto isso, Osório reforçou as brigadas, com apoio dos orientais, e conteve o avanço paraguaio.
Outra divisão aliada fechou brechas abertas no campo de batalha, enquanto um novo ataque foi rechaçado pela brigada do general Antônio de Sousa Neto, até alcançar a trincheira paraguaia.
O saldo foi favorável aos aliados, que capturaram quatro canhões, duas bandeiras e um estandarte, além de outros símbolos tomados por orientais e argentinos. Ainda assim, os aliados também sofreram perdas simbólicas. Alguns dos principais generais morreram posteriormente. Sampaio foi ferido mortalmente e faleceu durante viagem para Buenos Aires.
O general Neto, que defendeu o flanco da tropa brasileira, também foi ferido a bala e transferido para um hospital em Corrientes, na Argentina, onde faleceu. Inicialmente sepultado no local, seu corpo foi exumado e levado para um mausoléu em Bagé, na Campanha.
Na arte, a Batalha do Tuiuti foi registrada por diversas obras, como litografias de Julio Pelvilain baseadas em pinturas do suíço Adolf Methfessel e, mais recentemente, por trabalhos do coronel Pedro Paulo Cantalice Estigarríbia.
A importância histórica da Batalha do Tuiuti permanece visível até hoje em logradouros espalhados pelo Brasil. No Centro Histórico de Porto Alegre, destacam-se a estátua em homenagem ao general Osório, na Praça da Alfândega, além da Praça Brigadeiro Sampaio, da rua 24 de Maio e da Travessa Tuyuty.
CORREIO DO POVO – Edição: Montedo.com
Respostas de 2
Deve ter madame mamando até hoje na pensão desta guerra.
exercito vive do passado esta faltando atualizar nossos herois BRASIL precisa de uma guerra jaaaa