MPM abre inquérito para investigar denúncias de abuso sexual e tortura em batalhão do Exército em Maceió

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Investigação foi instaurada após relatos de dois ex-soldados e pode resultar em denúncia à Justiça Militar da União

O Ministério Público Militar abriu um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar denúncias de abuso sexual, tortura, agressões físicas e humilhações atribuídas a militares do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado (BIMtz), em Maceió, capital de Alagoas. Com isso, o órgão deu início a uma investigação formal no âmbito da Justiça Militar da União.

Denúncias motivaram abertura do inquérito

A apuração começou após dois ex-soldados do batalhão relatarem episódios de violência ocorridos dentro da unidade militar. Os depoimentos vieram a público em abril e, na sequência, foram formalizados junto ao Ministério Público Militar e ao Ministério Público Federal.

Segundo as denúncias, os fatos aconteceram em dois momentos distintos, nos meses de junho e setembro de 2025. Em ambos os casos, os episódios teriam ocorrido nas dependências do próprio quartel.

Relatos apontam tortura e constrangimento sexual

Em um dos relatos, um ex-soldado afirma que colegas o levaram à força até uma câmara fria da unidade. No local, ele teria sido imobilizado, obrigado a retirar as roupas, exposto a baixas temperaturas e agredido fisicamente. Para a defesa, há indícios claros de prática de tortura.

No segundo caso, outro militar denuncia que sofreu abuso sexual enquanto dormia no alojamento. De acordo com o depoimento, um colega encostou o órgão genital em seu rosto, enquanto um terceiro filmava a cena. Ainda segundo a acusação, o vídeo teria sido compartilhado entre integrantes do batalhão.

Primeiros depoimentos e militares citados

Os dois ex-soldados serão os primeiros a prestar depoimento no âmbito do IPM, em oitiva marcada para esta quinta-feira (14). Além disso, a defesa informa que ao menos sete militares citados nas denúncias também deverão ser ouvidos ao longo da investigação.

O advogado Alberto Jorge Ferreira dos Santos avalia que a abertura do inquérito representa um avanço. Segundo ele, uma sindicância interna realizada anteriormente pelo Exército não esclareceu de forma adequada a gravidade dos fatos. Ele acrescenta que alguns dos envolvidos já teriam admitido parte das condutas, classificadas como “brincadeiras”.

Impactos psicológicos relatados pelas vítimas

A defesa destaca ainda os danos psicológicos sofridos pelas vítimas. Um dos ex-soldados, Pablo Vince Pereira Silva, de 20 anos, afirmou que só soube do abuso no dia seguinte, após ser informado por colegas. Segundo ele, ao procurar a instituição, o episódio foi minimizado.

Além disso, Pablo relata que sofreu pressão para não buscar assistência jurídica e acabou afastado das atividades, mesmo estando em acompanhamento psicológico e psiquiátrico.

Próximos passos

O Ministério Público Militar poderá, ao término do IPM, decidir pelo oferecimento de denúncia à Justiça Militar da União, o que pode levar à responsabilização criminal dos envolvidos.

Respostas de 2

  1. Tem que punir exemplarmente os agressores e aqueles que se omitiram na escala hierárquica.

    Isso não é brincadeira!

    É cultura de abuso disfarçada de rusticidade.

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