Treinamento multinacional liderado pela Marinha do Brasil mobilizou forças navais de cinco países sul-americanos em ações integradas no Rio Paraguai.
Cooperação regional no coração do Pantanal
Militares da Marinha do Brasil e das marinhas de quatro países da América do Sul participaram, entre 20 e 25 de abril, da Operação ACRUX XII, realizada em Corumbá (MS), no Pantanal. A força naval brasileira atuou como anfitriã do exercício, considerado o maior do gênero na América Latina, voltado ao adestramento conjunto e ao fortalecimento da cooperação regional.
Além disso, a operação teve como objetivo ampliar a interoperabilidade entre as forças participantes, promovendo o intercâmbio de experiências e procedimentos em um ambiente operacional complexo e singular.
Ações operacionais ao longo do Rio Paraguai
Durante cinco dias, mais de 700 militares atuaram em um trecho de aproximadamente 60 quilômetros do Rio Paraguai. Nesse sentido, foram executadas ações de patrulhamento fluvial, batimento de margens, proteção da força-tarefa ribeirinha, controle do tráfego aquaviário e apoio aéreo aproximado.
Para reforçar as missões, uma aeronave UH-12 foi empregada em atividades de esclarecimento e apoio direto aos meios navais, contribuindo para o aumento da consciência situacional das tropas envolvidas.
Desembarque noturno e assalto ribeirinho

Posteriormente, na noite de 24 de abril, foi realizado um exercício de desembarque e assalto ribeirinho, considerado um dos momentos mais complexos da operação. Tropas embarcadas em diferentes meios de transporte navegaram cerca de cinco quilômetros até o ponto de desembarque.
Em seguida, os militares avançaram outros cinco quilômetros por terra até a base de assalto, em uma ação simulada de retomada de área sob controle inimigo. O cenário reproduzia uma base de treinamento e um posto de controle de trânsito.
Emprego de novas tecnologias
Outro destaque desta edição foi a incorporação de drones às operações. Com isso, a capacidade de reconhecimento e vigilância foi ampliada, especialmente no período noturno, por meio de sensores infravermelhos capazes de detectar fontes de calor.
Dessa forma, as forças participantes puderam aprimorar técnicas de monitoramento e resposta em ambientes de baixa visibilidade.
Interoperabilidade e defesa da hidrovia
De acordo com o comandante do 6º Distrito Naval, contra-almirante Emerson Augusto Serafim, o exercício foi estruturado para permitir o emprego coordenado das forças, criando condições para uma atuação integrada em eventuais cenários que demandem resposta multinacional.
Já o chefe do Estado-Maior Combinado da operação, capitão de fragata DEM Galeano, da Marinha do Paraguai, destacou que o exercício prepara as forças para a defesa conjunta da hidrovia Paraguai–Paraná, considerada um dos principais eixos econômicos da região.
Participação multinacional e esforço logístico
Além do Brasil, participaram do exercício meios navais da Argentina, Bolívia, Uruguai e do Paraguai. Para viabilizar a presença das forças estrangeiras, foi necessário um significativo esforço logístico.
Segundo oficiais da direção do exercício, a integração dos meios contribuiu diretamente para a troca de experiências e para a ampliação do conhecimento sobre a área de operações, distinta dos ambientes habitualmente empregados pelas marinhas participantes.