Crise no exército dos EUA expõe politização militar e reacende alerta nas Forças Armadas do Brasil

Imagem meramente ilustrativa, gerada por IA

 

Episódios envolvendo oficiais americanos e a interferência do poder civil reforçam, entre militares brasileiros, o paralelo com o caso do general Pazuello e os riscos à hierarquia, à disciplina e à democracia.

 

A sucessão de episódios recentes envolvendo o Exército dos Estados Unidos reacendeu alertas entre militares brasileiros sobre os riscos da politização das Forças Armadas e os impactos disso sobre a hierarquia, a disciplina e a própria democracia. O tema foi objeto da análise do jornalista Marcelo Godoy, no Estadão desta segunda-feira (6).

O caso mais simbólico, diz Godoy, foi o sobrevoo de helicópteros de ataque Apache sobre a residência do cantor Kid Rock, aliado político do presidente Donald Trump, acompanhado de gestos de apoio explícito por parte das tripulações militares.

A cena narrada o então chefe do Estado-Maior do Exército americano, general Randy George, a determinar a abertura de procedimento disciplinar, por entender que houve uso indevido de meios militares e manifestação político-partidária — algo vedado pelos regulamentos. A decisão, no entanto, foi publicamente anulada pelo secretário da Guerra, Pete Hegseth, que anunciou nas redes sociais que não haveria punição nem investigação, elogiando os militares envolvidos.

A intervenção direta da autoridade civil sobre um processo disciplinar interno, seguida da queda do general George, foi interpretada por oficiais brasileiros como um ataque frontal à cadeia de comando. Para eles, o episódio sinaliza um ambiente institucional em que a lealdade política tende a se sobrepor às normas profissionais, corroendo pilares históricos das forças armadas profissionais: legalidade, hierarquia e disciplina.

O paralelo com o Brasil é imediato. Em maio de 2021, o então general da ativa Eduardo Pazuello participou de um ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro, subiu em palanque e discursou, em violação clara ao regulamento disciplinar do Exército Brasileiro. Apesar da gravidade, o comando da Força decidiu arquivar o procedimento sem punição, temendo uma crise institucional e represálias políticas.

Nos dois casos, embora em contextos distintos, o elemento comum é a dificuldade — ou a recusa — de impor limites à atuação política de militares da ativa quando isso contraria interesses do poder civil dominante. Para oficiais ouvidos na análise, o resultado é o mesmo: enfraquecimento da autoridade dos comandantes, incentivo à indisciplina seletiva e a mensagem de que a proximidade com o poder político pode garantir impunidade.

Militares brasileiros veem com especial apreensão o que ocorre em Washington porque tradicionalmente observam as Forças Armadas dos EUA como referência de profissionalismo e subordinação ao poder civil dentro de regras claras. A percepção de que essas balizas estão sendo tensionadas — seja pela tolerância a manifestações político-partidárias, seja pela intervenção direta de autoridades civis em processos disciplinares — reforça temores de que práticas semelhantes possam se repetir ou se legitimar em outros países.

A comparação com o caso Pazuello, portanto, não é apenas histórica, mas estrutural. Ela evidencia como decisões pontuais, tomadas para evitar crises imediatas, podem produzir efeitos duradouros sobre a cultura institucional das Forças Armadas. Em ambos os países, o debate ultrapassa indivíduos ou episódios isolados: trata-se de definir até que ponto militares podem ser instrumentalizados politicamente sem que isso comprometa sua função constitucional e a estabilidade democrática.
Com O Estado de São Paulo

Respostas de 13

  1. Há, no Congresso Nacional, um PL para disciplinar a situação de militares da ativa q concorrem à qq cargo eletivo. Se não me falha a memória, pelo PL, no momento q o militar informar q concorrerá a um cargo efetivo, automaticamente, ele vai para a reserva remunerada.

    1. Isso não resolve nada. E sabe por quê?

      Porque a verdadeira e nefasta politização nas fA foi deixada de fora.

      Refiro-me às atitudes de muitos comandantes – em diferentes níveis – usar da Instituição para se aproximar e agradar políticos com vistas a uma sinecura quando na Reserva. É assim que muitos são “convidados” para ocupar o cargo de secretário de segurança pública, por exemplo.

      Ou seja, usa a Instituição para fins particulares.

      Essa é a pior “politização”.

  2. A única “dificuldade” em punir militares “politizados”, a exemplo daquele fato envolvendo o Eric Cartman, chama-se: “falta de coragem moral”.

    Ou, em outras palavras: minha carreirinha em primeiro plano, minha honra, meu caráter, deixo para depois.

    Simples assim.

  3. A unica coisa boa que bolsonaro fez na presidência, foi conseguir mostrar que a formãção militar brasileira de cabo a rabo deve ser completamente reformada, aonde já se viu tem militar que usa livro de cabeceira, jardim das aflições de olavo de carvalho.

    1. Não foi corrupto. Reduziu ou zerou impostos. Deixou o orçamento com dinheiro sobrando. Mas como vc não tem argumentos só resta ofender mesmo

  4. Como está a investigação da “possivel” corrupção dentro do ministério da saúde com relação a cobrança de 1 dólar por vacina?

  5. Por isso, creio, é que homens sem nenhuma aptidão assumen altos cargos. Mas ocorre também dentro da caserna, basta servir um cafezinho ou chá. Todos sem carateres.

  6. Que paralelo mais bundha, Pazzuelo era general é foi acobertado por generais e foi o poder civil que prendeu os envolvidos na desordem.

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