Operação integrada resultou na condução de 51 suspeitos; cinco seguem presos e detalhes da ação foram mantidos sob sigilo.
Pontes e Lacerda (MT) – Uma operação integrada liderada pelo Exército Brasileiro realizou, nesta quarta-feira (25), um cerco à Terra Indígena Sararé, em Pontes e Lacerda, e deteve 51 pessoas suspeitas de envolvimento com o garimpo ilegal que avança sobre o território. A ação não foi anunciada previamente para preservar o fator surpresa.
Do total de conduzidos, cinco permanecem presos. Por razões operacionais, não foram divulgados dados como duração da ofensiva, efetivo empregado ou meios utilizados. Segundo as autoridades, o sigilo busca garantir a segurança das equipes e a continuidade das ações no local.
Considerada uma das áreas mais devastadas da Amazônia Legal, Sararé é alvo de operações permanentes para retirada de invasores. Investigações apontam que, nos últimos anos, o território foi dominado por integrantes da facção Comando Vermelho.
De acordo com o governo, a alta do preço do ouro — impulsionada por conflitos no Oriente Médio — tem intensificado a pressão de garimpeiros sobre a região.
A ofensiva reúne Ministério dos Povos Indígenas, Funai, Ministério da Defesa, Abin, AGU, Ibama, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional, Casa Civil e Censipam.
Plano de desintrusão
O governo federal enfrenta prazo para apresentar um plano completo de expulsão de invasores, elaborado no âmbito do Comitê Interministerial de Desintrusão de Terras Indígenas. O documento, mantido sob sigilo, orienta a retirada de não indígenas e da infraestrutura ilegal, com foco na proteção do território.
No início do mês, o Ibama destruiu mais de 40 máquinas em um único dia, recorde diário na região. Desde 2023, mais de 460 escavadeiras foram neutralizadas em Sararé; apenas desde agosto do ano passado, uma força-tarefa já causou prejuízo estimado em R$ 226 milhões ao garimpo ilegal.
Contexto e impactos
Próxima à fronteira com a Bolívia, a área tornou-se rota para o tráfico de drogas, segundo a polícia. A partir de 2022, grupos criminosos se infiltraram na região e, em 2023, passaram a explorar o garimpo — parte deles investigada por danos semelhantes na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.

Sararé abriga 201 indígenas do povo Nambikwara, distribuídos em sete aldeias, e foi homologada em 1985. Dos cerca de 67 mil hectares, mais de 3 mil já foram degradados pela mineração ilegal. Autoridades estimam a atuação de até dois mil garimpeiros e integrantes de organizações criminosas no interior do território, o que tem gerado confrontos armados.
Com informações do g1 MT
Uma resposta
Imagina uma formatura da PM para cada punhado de presos kkkkk