Má avaliação das Forças Armadas expõe avanço da desconfiança institucional no País

Imagem meramente ilustrativa, gerada por IA

 

Em editorial publicado nesta terça-feira (25), o Estadão analisa os dados de uma pesquisa da AtlasIntel que revelam um fenômeno preocupante para a democracia brasileira: a queda acentuada da confiança em instituições que, por décadas, figuraram entre as mais bem avaliadas pela população.

A avaliação negativa das Forças Armadas, em especial do Exército Brasileiro, é apontada pelo jornal como um sinal de que a crise de credibilidade se disseminou para além da classe política e passou a atingir os próprios pilares do arranjo institucional do Estado.

Confira o editorial, na íntegra:

Nem o Exército escapa da desconfiança

A recente pesquisa AtlasIntel realizada a pedido do Estadão sobre o nível de confiança nas instituições revelou um horizonte sombrio para a democracia brasileira. Como se viu nos dados divulgados na semana passada, não é apenas o Supremo Tribunal Federal (STF) que parece tisnado pelo descrédito popular: em maior ou menor grau, algumas das principais instituições do País também são mal avaliadas. O abalo atinge inclusive as Forças Armadas e, em particular, o Exército, que historicamente figuram entre as instituições que mais despertam confiança. Parece sobrar pouco para a democracia na avaliação dos brasileiros.

De acordo com a pesquisa, a Polícia Federal (PF), protagonista do noticiário sobre o combate à corrupção e às malfeitorias políticas, lidera o ranking de confiança, com 56%, entre 13 instituições avaliadas. Na outra ponta, o Congresso aparece com o pior resultado: apenas 9% dos entrevistados dizem confiar no Parlamento, enquanto o STF registra 35%. A PF também apresenta menor rejeição, com 30% de desconfiança, patamar semelhante ao das Polícias Civil e Militar e da Igreja Católica. O governo federal exibe 37% de confiança. Já o Exército e as Forças Armadas aparecem em nível ainda mais baixo, com 27%.

Se não surpreende a desconfiança em relação a atores tradicionais da política, como o Congresso, o dado novo – e perturbador – está no desgaste de instituições historicamente bem avaliadas. Durante décadas, as Forças Armadas ocuparam posição destacada em tais rankings. Mesmo após a redemocratização, preservaram uma imagem relativamente positiva, associada à disciplina, à ordem e a uma suposta distância da política. O levantamento da AtlasIntel sugere que esse capital simbólico vem se erodindo.

Eis um sinal de que a crise de credibilidade não se limita aos atores mais expostos ao jogo político, mas alcança instituições que, até pouco tempo, eram vistas como pilares de estabilidade. O Brasil atravessa um processo de desgaste generalizado da confiança pública. A ciência política há muito alerta para esse risco: a democracia depende não apenas do apoio circunstancial a governos, mas de um respaldo mais profundo às instituições. Quando esse apoio se fragiliza, abre-se espaço para questionamentos sobre a legitimidade do próprio sistema.

Nos últimos anos, estudiosos têm descrito o avanço de uma “cidadania crítica”, menos disposta a deferir autoridade automática. Em condições normais, isso pode ser positivo, ao estimular a vigilância. O problema surge quando a crítica se converte em desconfiança sistemática, alimentada por disfunções recorrentes, politização indevida e distanciamento em relação à sociedade.

É nesse contexto que se deve ler também o desempenho de instituições como o STF e o Congresso. Esse último segue como um dos principais alvos de descrédito, com níveis historicamente baixos. Não é novidade. O dado novo é que a desconfiança se espalha. Esse quadro deveria servir de alerta, inclusive, para parlamentares que, nos últimos anos, têm protagonizado embates com o STF. Muitos veem nas críticas à Corte uma oportunidade para afirmar prerrogativas do Legislativo. Um STF enfraquecido, nessa leitura, abriria espaço para um Congresso mais forte. A pesquisa, porém, relativiza qualquer euforia. Em termos simples, trata-se do roto falando do rasgado.

O problema vai além da disputa entre Poderes. Diante de um descrédito que alcança simultaneamente o Legislativo, o Judiciário e instituições tradicionalmente respeitadas como o Exército, está em jogo a solidez do arranjo institucional. A desconfiança difusa corrói a autoridade das regras e abre espaço para soluções simplistas, frequentemente de viés autoritário.

A perda de confiança resulta, em grande medida, de escolhas e comportamentos institucionais ao longo do tempo, como decisões controversas, interferências indevidas e distância entre representantes e representados. Recuperá-la exigirá mais do que retórica. Exigirá mudanças concretas e compromisso com os princípios democráticos.

A pesquisa AtlasIntel funciona, assim, como um espelho incômodo. Ao mostrar que nem o Exército escapa ao desgaste, revela a profundidade da crise de confiança no Brasil – e sugere que, se nada for feito, o País continuará a assistir ao enfraquecimento gradual de suas instituições, em um processo silencioso, mas potencialmente devastador.

Respostas de 41

  1. Depois da bola nas costas que os nossos chefes deram no Bolsonaro, queriam o quê? Até receberem as benesses da Lei 13954/2019 pareciam cadelas no cio com o presidente, convidavam para formaturas inaugurações, até assinarem e promulgarem a lei, e a tropa ganhando e o pessoal da lacuna levaram um tchau. Depois um na bunda de nosso ex-chefe.

  2. Mal avaliação dos Generais os pracinhas não tem nada a ver com essa decadência da força. Braço forte mão amiga pra políticos corruptos.

  3. Ou seja o mundo está pegando fogo lá fora (guerra ) e eles ( Militares ) estão preocupado com a credibilidade da Instituição, é o fim da picada, País de amador mesmo.

  4. Enquanto isso a polícia Federal encontra-se em estado de greve por melhores salários. Nós ficamos a mingua esperando migalhas dadas e quando são dadas.

    1. Cara são muitos. Conheço sargento de ESA que de noite entrega lanches de moto. Outro sargento esta trabalhando de pedreiro nos finais de semana. Sem falar o pessoal que leva bolinho, pastel, refri e empadinha para vender aos novos recrutas. Muito triste a situação. O poder de compra no geral ficou pesado. Outra coisa que seria obrigatório ser revisto é quem ocupa PNR. Cara em Manaus tem colega com várias casas de aluguéis e mora no PNR. Aluga as casas para os colegas que estão na fila.

      1. Qual o problema do cara de casa de aluguel? O salário dele não é igual o teu? O cara juntou, investiu e tá colhendo. Agora se tu quer dar uma de rico, andar com carro de 200 mil, colocar os filhos nas mesmas escolas dos Oficiais sem poder, é problema teu. Tem cara aqui na vila que tem carro de 200 mil, não tem o que comer, mas tem o carro. Já outro construiu uns Kitnet com 200 mil. Escolhas Sargentos! Escolhas! Esse seu Papinho de PNR não cola.

  5. Antes, ainda se conseguia disfarçar. Mas hoje todo o povo brasileiro já reconhece que a nossa República não é séria.

    E isso envolve todas as Instituições porque os seus dirigentes sempre priorizaram seus interesses particulares.

    Só observar nossas autoridades para constatar que pouquíssimos tem perfil de autoridade pública.

    Agora, todos estão vendo que o “rei está nu”.

      1. Isso é a prova de que a seita bolsonarista está agindo nas pessoas de cabeça fraca.

        Aprenda, se tiver condições psíquicas, quem é contra o bolsonarismo não quer dizer que, obrigatoriamente, é petista.

        Se cuida, ainda tem tempo de você se livrar desse mal.

        1. Vc certamente é PTista …e daqueles enrustidos, com vergonha de falar, mas profundo conhecedor de mortadelas e grande defensor do 9 dedos corruPTo

        2. Atenção! Esquerdopata de pouca utilidade presente no recinto! Preparem os sacos de lixo por que vem de tudo! Desde defesa do “painho”, que em algum discurso ofendeu meio país ocidental pela causa de terroristas no oriente médio, ou bravatearia barata, dizendo que vai acabar com a fome e falta de educação…algo que vem bravateando desde 2000! Não sei como o povo não cansa”

  6. Enquanto alguns perguntam quem levou o pessoal para o ginásio, eu pergunto quem entregou a gadaiada que estava Acampados na frente do QGex para a PF leva-los para o ginásio?
    Quem questionou as urnas eletrônica com um amadorismo gritando?
    Quem desmaiou quando abriu porta e deu de cara com
    a PF?
    Quem já ouviu os áudios da trama golpista?
    A minha opinião é que tudo que escrevi e outras coisas mais talvez explique a desconfiança e má avaliação das forças armadas, TALVEZ EXPLIQUE…

    1. Explica que vc é do gado PeTralha e corruPTo, defensor de ditaduras, exaltador da ignorancia e burrice, leniente com desvios éticos e morais, adorador da seita do 9 dedos ex presidiário condenado em 3 instancias.

  7. Ontem choravam, rezavam, marchavam e cantavam o hino nacional em frente aos quartéis, hoje, pedem intervenção estrangeira. Que tipo de gente é essa? Do que se alimentam? Onde vivem?

    Hoje, no globo repórter: os traidores da Pátria.

  8. Vamos dar nome aos bois… Digo… Vamos dar nome ao gado… Quem destruiu em apenas 4 anos a imagem das Forças Armadas foi o falso Meçias Bolsotrevas e seus generais golpistas… Esses senhores na ansiedade de se perpetuarem no poder… Disseminaram dentro e fora da força… O ódio… O descrédito das instituições… A divisão entre os postos e graduações e aciraram a divisão entre direita e esquerda em todo o país… Com declarações diárias lamentáveis todos os dias em rede nacional… E no cercadinho do gado subserviente… Destruíram o que demorou décadas para ser conquistado depois da aventura desastrosa de 1964… A ditadura militar…

    1. Se refere ao gado ruminante PeTista? Do qual vc faz parte? Bacana mesmo é a ditadura cubana, iraniana, russa, venezuelana….e várias outras. Já comeu sua mortadela hj?

  9. A diferença é que as Forças Armadas aprenderam com 64 onde o povo pediu intervenção e elas agiram botando toda essa raça de comunistas para correr, depois o próprio povo exigiu a volta desse bando de safados e passou a chamar os militares de golpistas. Hoje, aconteceu a mesma coisa só que as Forças Armadas se recusaram a participar de um novo “golpe” a exemplo de 64 e o povo agora os chamam de “traidores”. O povo tem memória curta, herança deixada por Bolsonaro…ainda tem militar que apoia esse traste

  10. Assessor do deputado do PL-SP Vinicius de Carvalho, aquele da última reforma do SPM, foi preso com quase 3 milhões em espécie que sacou em agência lá no Recife.

      1. O descerebrados, foi esse que se arvorou da moral e bons costumes e propalou aos 4 ventos que representavam os oficiais generais na reforma do ” Sistema de proteção do Militar”, mas como você quer justificar uma conduta por outra fazer o quê, com gado não se pode discutir. Segue o rebanho.

  11. há 4 meses esperando uma simples mudança no domicílio bancário. Na reserva meu povo, pelo para mim, para resolve problemas é difícil. 11ª RM SIP 11.

  12. Meus Deus! A horda do rebanho tá solta, também ano de eleição, a máquina das fakes bozonarista está a todo vapor, em todo lugar. Devo me quedar, pois eles são insistentes.

  13. Agora todo mundo descobriu

    1) que nossos forcas especiais desmaiam quando veem um policial com arma Carregada na cintura (nem usamos arma municiada, é só pra formatura)
    2) que vivemos apenas para nós mesmos: formaturas para nós mesmos, faxinas para nós mesmos
    3) que nos aposentamos com 48 anos e ainda deixamos a filha aposentada se for praça de 2001 para trás

    Descobriram coisas que só a gente sabia, inclusive a covardia (“DEIXE DE FROUXURA E COMANDE SUA TROPA, CORONEL!”), a formação fraquíssima, o medo de tudo.

    Era so o público interno que sabia

    1. Essa de morto ficto e filha maior e sadia (casada ou solteira) aposentada é duro de doer. Quem vai dar estrelinhas sabendo dessa aberração?

  14. A PF GANHOU 30% de aumento ha um ano.

    Ta entrando em greve pedindo outro agora a pretexto de ser bem avaliada!

    Sempre fomos bem quistos.

    So serviu pra que?

  15. Tem 8 vezes o salário quando vão pra reserva. Vão pra reserva muitos antes dos 50 anos, com integralidade e paridade nos salários. São transferidos constantemente com valores indenizatórios altos. Tem muitos cargos no exterior. Tem PNR pra morar com preço baixíssimos… só contam os ônus, mas os bônus?

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