Acordo firmado entre os governos de Santiago Peña e Donald Trump autoriza presença temporária de militares dos Estados Unidos no Paraguai com imunidade judicial e facilidades operacionais; texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara.
O Senado do Paraguai aprovou nesta quarta-feira (4) um acordo de cooperação com os Estados Unidos que autoriza a presença temporária de militares norte-americanos e integrantes do Departamento de Defesa no território paraguaio.
O texto recebeu 28 votos favoráveis, 7 contrários e 6 abstenções. Para entrar em vigor, ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados paraguaia.
O acordo foi assinado em dezembro pelos governos do presidente paraguaio Santiago Peña e do presidente norte-americano Donald Trump. Segundo a administração de Assunção, a iniciativa busca ampliar a cooperação bilateral no combate ao crime organizado e ao narcotráfico na região.
Pelo tratado, militares, funcionários civis do Departamento de Defesa e contratados dos EUA poderão permanecer temporariamente no país para participar de treinamentos, exercícios conjuntos, visitas de embarcações, operações humanitárias e outras atividades previamente acordadas entre os dois governos.
O documento também prevê que os integrantes das Forças Armadas norte-americanas terão privilégios semelhantes aos concedidos a diplomatas. Entre eles estão imunidade judicial no território paraguaio — permanecendo sob jurisdição penal dos EUA —, isenção de impostos e autorização para portar armas e usar uniformes militares no país.
Além disso, aeronaves, embarcações e veículos operados pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos poderão circular livremente pelo território paraguaio, desde que as autoridades locais sejam notificadas. Esses meios não poderão ser abordados ou inspecionados.
O acordo também permite que os militares norte-americanos utilizem sistemas próprios de telecomunicações e tenham acesso a meios de transporte previamente autorizados pelas autoridades paraguaias.
A iniciativa ocorre em meio ao fortalecimento das relações entre Assunção e Washington. O governo de Peña tem ampliado o alinhamento com a política externa norte-americana e anunciou a criação de um centro antiterrorismo com apoio do Federal Bureau of Investigation (FBI) para monitorar atividades na região da Tríplice Fronteira, que envolve Brasil, Argentina e o próprio Paraguai.
A cooperação inclui o compartilhamento de informações de inteligência voltadas ao combate a organizações consideradas terroristas por Assunção, entre elas o Hezbollah, apontado pelos Estados Unidos como atuante na região.
Nos últimos meses, o governo paraguaio também adotou posições alinhadas a Washington em temas internacionais, como o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e a classificação do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, do Hamas e do Hezbollah como organizações terroristas.
O acordo ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados paraguaia antes de ser ratificado definitivamente.
Uma resposta
Aguardo ansiosamente a presença Americana no nosso Brasil. Força Donal Trump.