Operação que m@tøμ ‘El Mencho’ teve ajuda de namorada do traficante; veja como foi a ação

Exército mexicano mata ‘El Mencho’, poderoso líder de cartel

 

Uma de suas companheiras foi decisiva para localizar o chefe do cartel, que morreu durante transferência aérea

 

Cidade do México – A operação que resultou na morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, contou com a colaboração indireta de uma de suas namoradas, segundo autoridades mexicanas. O narcotraficante mais procurado do México foi localizado após a inteligência militar identificar o deslocamento da mulher até um encontro com ele, no município de Tapalpa, no oeste do país.

Fundador e líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), Oseguera, de 59 anos, ficou gravemente ferido em confronto com militares no domingo (22) e morreu durante a transferência aérea para um hospital em Guadalajara.

Como a operação foi desencadeada
De acordo com o secretário da Defesa do México, Ricardo Trevilla, a ofensiva começou quando a inteligência militar, com apoio do Comando Norte dos Estados Unidos, soube que uma mulher ligada sentimentalmente a El Mencho se encontraria com ele na sexta-feira (20).

Ela foi levada por um homem de confiança do cartel até uma casa em Tapalpa. No sábado, deixou o local, mas Oseguera permaneceu na residência, protegido por seu círculo de segurança.

Planejamento e execução
A Guarda Nacional do México, por meio de sua Força Especial de Reação Imediata, planejou uma operação combinada por terra e por ar para o domingo.

Os militares se aproximaram da área sem ingressar diretamente no estado de Jalisco, estratégia adotada para preservar o sigilo e garantir o efeito surpresa. Ao confirmarem a presença de Oseguera, decidiram efetuar sua prisão pelos crimes de organização criminosa e porte ilegal de armas.

Confronto e tentativa de fuga
Segundo Trevilla, o confronto foi extremamente violento. No local, os militares encontraram um arsenal com armas longas e dois lançadores de foguetes, incluindo um RPG — armamento já utilizado pelo cartel em ações anteriores, como no ataque que derrubou um helicóptero militar em 2015.

Durante a fuga, El Mencho e seus seguranças entraram em uma área de mata, onde foram novamente cercados. Seus homens chegaram a disparar contra um helicóptero militar, que precisou fazer um pouso de emergência.

Morte confirmada
No tiroteio, Oseguera e dois de seus escoltas foram gravemente feridos. Os três foram levados de helicóptero para Guadalajara, mas morreram ainda durante o trajeto. Os corpos foram encaminhados à capital mexicana e entregues à Procuradoria-Geral.

O secretário de Segurança, Omar García Harfuch, informou que a identidade de Oseguera foi confirmada por exame genético antes da liberação dos restos mortais à família.

Reação do cartel e nova morte
As autoridades também confirmaram a morte de Hugo H., conhecido como El Tuli, homem de maior confiança de El Mencho. Ele foi localizado em El Grullo, de onde coordenava represálias violentas, como bloqueios de rodovias, incêndios de veículos e ataques a instalações militares.

Segundo o Exército, El Tuli oferecia até 20 mil pesos por cada militar assassinado. Ele morreu ao tentar fugir, portando armas e cerca de US$ 1,5 milhão em dinheiro.

Onda de violência no país
A morte do líder do CJNG provocou uma onda de violência em ao menos 20 dos 32 estados mexicanos, com centenas de bloqueios e veículos incendiados, além de mais de 70 mortes.

O governo mobilizou cerca de 10 mil militares para conter os distúrbios. Em Jalisco, bloqueios persistiam e o clima de medo seguia entre os moradores de Guadalajara. Em Aguililla, cidade natal de El Mencho, os confrontos continuavam, enquanto permanecia indefinido o local de seu sepultamento.
Com informações da AFP

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