Exército ignora determinações do TCU e não fornece dados sobre roubos a lojas de armas

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Fonte: Agência Senado

 

Mesmo após quase uma década de determinações do Tribunal de Contas da União para digitalizar o controle de armas, o Exército Brasileiro alega falta de dados consolidados sobre desvios em lojas; negativa de acesso foi respaldada pela Controladoria-Geral da União.

O Exército Brasileiro negou acesso a informações sobre roubos, furtos e extravios de armas de fogo em lojas especializadas, contrariando determinações do Tribunal de Contas da União que, desde 2017, exigem a digitalização e centralização dos dados de controle de armamentos. As informações são de Vinícius Valfré, do Estado de São Paulo.

O pedido foi feito com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) pelo Instituto Sou da Paz, que solicitou dados referentes a clubes de tiro e lojas de armas. O Exército forneceu apenas as informações relativas aos clubes, alegando que os registros das lojas estão dispersos em processos físicos mantidos em mais de 200 organizações militares, o que tornaria a consulta um “trabalho desproporcional”.

Segundo a Força, levantar os dados exigiria consumo excessivo de recursos humanos, materiais e financeiros, já que cada uma das cerca de 7,3 mil lojas e clubes de tiro possui processos administrativos próprios, em arquivo físico.

A justificativa, porém, entra em choque com sucessivas decisões do TCU. Em auditoria iniciada em 2017, a Corte determinou que o Comando Logístico do Exército implantasse um sistema informatizado capaz de produzir, armazenar e gerenciar, de forma eletrônica e integrada, todos os dados relativos à fiscalização de produtos controlados, incluindo armas e munições.

Auditores do Tribunal apontaram, ao longo dos anos, o descumprimento reiterado dessas determinações. Ainda assim, em 2024, o plenário do TCU decidiu não responsabilizar generais do Comando Logístico, alegando que a sucessão de comandos ao longo do período “diluiu as responsabilidades”.

Diante da negativa parcial, o Sou da Paz recorreu até a última instância administrativa, que resultou em aval da Controladoria-Geral da União. A CGU concordou com o argumento do Exército de que o pedido seria desproporcional, sem levar em conta as decisões anteriores do TCU sobre a obrigação de digitalização.

Para a ONG, a falta de dados consolidados impede o monitoramento efetivo do desvio de armas legais para o crime organizado. Casos investigados pela polícia, segundo a entidade, já revelaram falsas comunicações de furto ou roubo usadas para encobrir vendas ilegais a facções criminosas.

Em nota, o Exército Brasileiro afirmou que “vem cumprindo plenamente as determinações do TCU” e que mantém, por meio do Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma), o controle unificado de armas furtadas, roubadas ou extraviadas pertencentes a entidades de tiro, conforme o Decreto nº 10.030/2019. A manifestação, contudo, não esclarece por que dados equivalentes relativos às lojas de armas permaneceriam restritos a arquivos físicos, nem responde diretamente ao questionamento central sobre o descumprimento das exigências de informatização impostas pelo TCU.

Respostas de 2

  1. “sou da paz” é so mais uma ONG desarmamentista inútil da esquerda. Pergunta se eles tem interesse em algum dado sobre contrabando de armas de grosso calibre que estão nos morros na mão de traficantes matando policiais?

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