À espera do julgamento no STM, Bolsonaro justifica aposta no filho: “melhor perder liderando do que vencer sendo liderado”

Jair e Flávio Bolsonaro, com Tarcísio ao fundo. Imagem orginal de Valter Campanato, com edição da IA

Ao escolher Flávio como candidato ao Planalto, ex-presidente incorpora o julgamento militar ao cálculo político e rejeita a hipótese de vencer a eleição sob a liderança de um aliado.

 

O julgamento militar que pode resultar na expulsão de Jair Bolsonaro das Forças Armadas se entrelaça à estratégia do ex-presidente para a sucessão presidencial.

Ao escolher o senador Flávio Bolsonaro como candidato ao Planalto, Bolsonaro reforça a lógica de que é preferível perder mantendo a liderança do bolsonarismo do que vencer sob o comando de um aliado.

Nesse cenário, o avanço do processo no Superior Tribunal Militar passa a ser visto não apenas como um risco jurídico, mas também como um elemento do cálculo político.

A seguir, o artigo de Vera Rosa, da Agência Estado, detalha os bastidores dessa decisão, as incertezas no meio militar e os impactos do julgamento na sucessão presidencial.

O impacto do julgamento militar de Bolsonaro na campanha de Flávio ao Planalto

Vera Rosa (Agência Estado)
A denúncia apresentada pelo Ministério Público Militar para que Jair Bolsonaro (PL), três generais e um almirante condenados pela trama golpista sejam expulsos das Forças Armadas já era esperada pelo grupo político do ex-presidente. Ao escolher o filho-senador Flávio como candidato ao Palácio do Planalto, porém, Bolsonaro avaliou que, ao contrário do que se imagina, seu herdeiro pode até ser beneficiado por esse cenário.

O Superior Tribunal Militar (STM) vai julgar, a partir de agora, se Bolsonaro e os outros acusados perderão os postos e as patentes. A preço de hoje, a tendência é que o ex-presidente e o ex-ministro Braga Netto sejam excluídos do Exército. Quase 38 anos atrás, em junho de 1988, o STM absolveu Bolsonaro, acusado de liderar um plano para explodir bombas em quartéis e em um sistema de abastecimento de água, no Rio, para reivindicar melhores salários no Exército. À época, ele negou participação no episódio. Ao que tudo indica, no entanto, o STM não salvará Bolsonaro pela segunda vez.

Nos bastidores da caserna, há convicção de que os generais da reserva Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, por sua vez, serão poupados por seus antigos pares. Já o veredicto sobre o destino do [general Braga Netto] e do ex-comandante da Marinha Almir Garnier é uma incógnita.

O julgamento não tem data para acabar e pode atingir o período eleitoral. Se isso ocorrer e a direita estiver bem posicionada na campanha, o ambiente político do momento influenciará na decisão do STM?

As opiniões se dividem a esse respeito. Detalhe: o tribunal é composto por 15 integrantes, sendo cinco civis, e há divergências ali sobre a participação de militares em uma tentativa de golpe.

É justamente com esse fator imponderável que conta Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses em regime fechado e hoje preso na Papudinha. Para os bolsonaristas, quanto mais o STF ficar enfraquecido pelo escândalo do Banco Master, melhor.

Muito se pergunta no meio político por que Bolsonaro não escolheu o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao invés de Flávio, para desafiar o presidente Luiz Inácio Inácio Lula da Silva (PT) na disputa de outubro. Dois interlocutores do ex-presidente, um deles com trânsito nas Forças Armadas, disseram ter ouvido do próprio o seguinte raciocínio:

“É melhor perder mantendo a liderança do que ganhar liderado”.

Pesquisas indicam que Bolsonaro, mesmo preso, tem potencial de transferência de votos que se desloca para quem carrega o seu sobrenome. Além disso, Flávio vai vestir o figurino de um Bolsonaro pós-harmonização facial. Se o capitão reformado for expulso das Forças Armadas, o discurso do candidato ganhará ainda mais o tom da “perseguição política”.

Desconfiado, o ex-presidente também não põe a mão no fogo por Tarcísio. Em mais de uma ocasião, Bolsonaro recorreu ao argumento de que não é raro criaturas traírem o criador. Com essa constatação, perguntou a aliados quais garantias poderia ter de que o governador lhe daria anistia, caso fosse eleito presidente.

A cúpula do PL torce agora para que, se a candidatura da centro-direita ao Planalto for adiante, o nome ungido pelo PSD de Gilberto Kassab seja o do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. O PL quer fazer um pacto com Kassab para que o postulante do PSD poupe Flávio e atue como franco-atirador contra Lula no primeiro turno.

O problema é que Kassab tem um pé em cada canoa: controla três ministérios no governo do PT (Minas e Energia, Agricultura e Pesca) e é secretário na gestão Tarcísio. Trata-se de um roteiro que torna o desfecho dessa história ainda mais imprevisível. ( Por Vera Rosa, Agência Estado).

Respostas de 17

  1. Muitas vezes me perguntei como o povo alemão caiu de amores e cegamente defendeu o partido n@zy e seu líder. Hoje ouvindo colegas e amigos, outros conhecidos ou não, sem ponderar, só ouvindo-os em seus argumentos, chego a conclusão que a inteligência humana é falha, a ponto de degenerar uma consciência e deixar que o ódio seja um pobre substituto, não só para o caráter, mas para própria dádiva de Deus que separa os seres humanos dos animais.

    Entendo que aqueles com poder de mando, bem como suas famílias, tem reservadas suas benesses, como em todos os regimes, principalmente os belicistas e ultra propagandistas de mentiras, sobre si e sobre os outros, mas, minha curiosidade recai sobre o cidadão comum, medíocre, que não lucra, que não se locupleta, o miserável de espírito, esse, intimamente ligado as mesmas convicções do líder, embora as disfarce, por temor a Lei, mas espera impacientemente o dia de saudá-lo, são verdadeiros consigo mesmo?

  2. Jair Messias Bolsonaro, será o único Presidente a eleger um filho presidente da República federativa do Brasil.
    Dale Mito.
    Flávio Bolsonaro vai corrigir as distorções da lei 13954/19.

    1. Todo o cla segue o chefe, o inquilino da papudinha, não espere nada deles. O presidiario Jair prometeu atualizar a tabela do IR e nada fez. Quem auferia dois salarios minimos, estava pagando IR. Foi preciso Lula isentar 20 milhoes de brasileiros desse imposto. Um grande percentual de militares e pensionistas se enquadra. Fato!

  3. Por enquanto o boca de sabão está sendo Substituído pelo tal de milico desmotivado. Aguardo o retorno do militante oficial. 🤣😁😅😂

  4. FHC, NINE, PRESIDANTA, PT, BOLSONARO, todos foram péssimos para os militares.
    Todos ruins, mas bolsonaro foi o pior, pois ninguem esperava ele ter deixado os militares ( soldados, cabos e sargentos) numa situação dificil, principalmente se observar que não houve correção salarial.

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