O Comando Militar da Amazônia afirmou que ação no Rio Papuri visava combater crimes transnacionais e nega relação comprovada entre a operação e a mørte de jovem Hupd’äh de 19 anos
São Gabriel da Cachoeira (AM) – Segundo reportagem do portal Sumaúma, o Comando Militar da Amazônia (CMA) afirmou que a morte do indígena Hupd’äh Sandro Barreto Andrade, de 19 anos, ocorreu após uma operação de patrulhamento de rotina do Exército Brasileiro na fronteira entre Brasil e Colômbia, na região do Rio Papuri, no município amazonense.
De acordo com a versão oficial apresentada pelo Exército à Sumaúma, a ação foi realizada na noite de 8 de janeiro, por militares do Pelotão Especial de Fronteira (PEF) de Iauaretê, com o objetivo de proteger o território nacional e coibir crimes transnacionais. Por volta das 22h30, ainda segundo o CMA, a patrulha teria sido alvo de disparos de arma de fogo vindos de ocupantes de embarcações que navegavam no sentido Colômbia–Brasil.
O Exército sustenta que os militares reagiram em legítima defesa diante do que classificou como “injusta agressão” e que a embarcação envolvida no suposto confronto conseguiu fugir após os disparos. Após o episódio, a tropa retornou às instalações do pelotão.
No dia seguinte, durante novo patrulhamento na região, os militares localizaram um indígena ferido por arma de fogo, identificado como Domingos Sávio Caldas Barreto, de 58 anos, à margem brasileira do Rio Papuri. Conforme relatado pelo CMA à Sumaúma, ele recebeu os primeiros socorros ainda no local, foi levado ao Hospital de Guarnição de São Gabriel da Cachoeira e, posteriormente, transferido para Manaus, onde permanece internado em estado estável.
Já o corpo de Sandro Barreto Andrade foi encontrado por moradores da região no dia 10 de janeiro, cerca de um dia e meio após o suposto tiroteio. Segundo o Exército, o jovem apresentava indícios de afogamento e um ferimento “compatível com perfuração por arma de fogo” abaixo do joelho. Apesar da proximidade temporal e geográfica dos fatos, o CMA afirmou ao portal Sumaúma que não há confirmação de que Sandro e Domingos estivessem nas embarcações envolvidas na ação militar.
O Comando Militar da Amazônia informou ainda que foi instaurado um processo administrativo para apurar as circunstâncias do ocorrido e reforçou que os Pelotões Especiais de Fronteira atuam dentro de suas atribuições constitucionais, destacando seu papel na defesa da Amazônia, no combate a ilícitos transfronteiriços e na proteção de povos indígenas e populações ribeirinhas.