Ao adquirir novo sistema antiaéreo, Exército avança sozinho e atropela esforço conjunto da Defesa, diz analista

EMADS italiano (Reprodução: Defesa Aérea & Naval)

 

Analista aponta que a iniciativa do Exército se sobrepõe ao processo de aquisição conjunta conduzido pelo Ministério da Defesa desde 2020, com impactos sobre interoperabilidade, governança e coerência estratégica da Defesa Nacionall

Em artigo publicado no portal Defesa Aérea & Naval, Augusto Nascimento faz uma análise crítica da recente decisão do Exército Brasileiro de avançar de forma autônoma no processo de aquisição de um Sistema de Artilharia Antiaérea de Média Altura/Médio Alcance, destacando que essa iniciativa se sobrepõe a um esforço mais amplo e conjunto coordenado pelo Ministério da Defesa desde janeiro de 2020.

Desde o início, o projeto vinha trilhando um caminho de aquisição conjunta entre as três Forças Armadas, com a definição de Requisitos Operacionais Conjuntos (ROC) e a liderança formal do Exército, dentro de um arcabouço normativo destinado a garantir interoperabilidade, mobilidade e eficácia estratégica. Essa abordagem buscava um sistema harmonizado, capaz de atender às necessidades brasileiras de defesa integrada, com padrões operacionais comuns e possibilidade de emprego conjunto.

Entretanto, Nascimento destaca que, a partir de 2023–2024, o Exército começou a elaborar requisitos operacionais próprios, com alterações que flexibilizam parâmetros originalmente considerados absolutos no ROC conjunto. Entre as mudanças apontadas estão:

  • Redefinição de requisitos essenciais como desejáveis, por exemplo, a capacidade de transporte estratégico em aeronaves KC-390 — o que reduz a prontidão para cenários de resposta rápida;

  • Interoperabilidade conjunta tratada de forma menos rigorosa, abrindo margem para soluções menos harmonizadas entre as Forças;

  • Critérios de mobilidade tática e sobrevivência operacional suavizados, com impacto negativo em cenários de alta intensidade;

  • Arquitetura mais fechada e menores exigências de integração logística e tecnológica, podendo restringir competitividade e sustentabilidade ao longo do ciclo de vida.

Outro ponto sensível na análise é a mudança no enquadramento jurídico-administrativo da aquisição, classificada como de “natureza emergencial” para justificar um modelo Governo a Governo (G2G) — argumento que, segundo o autor, não se sustenta diante dos prazos de produção e entrega típicos de sistemas complexos e das possíveis vantagens econômicas e logísticas de um processo licitatório aberto.

Nascimento também discute como recentes eventos estratégicos — em particular uma operação militar dos Estados Unidos na Venezuela em janeiro de 2026 — mudaram a percepção da ameaça regional que vinha sendo usada para justificar a urgência da aquisição. Para ele, essa mudança enfraquece a narrativa de emergência extrema que teria motivado a ruptura com o processo conjunto estabelecido pelo Ministério da Defesa.

Por fim, a análise conclui que a antecipação da iniciativa pelo Exército compromete a coerência do planejamento de defesa nacional, fragiliza a governança centralizada e compartilhada entre as Forças, e pode refletir mais ajustes de requisitos às soluções tecnológicas já disponíveis — ou conveniências administrativas — do que uma resposta objetiva às reais necessidades estratégicas do Brasil.

Leia o artigo completo no portal Defesa Aérea & Naval

Respostas de 9

  1. Artigo Inócuo e tendencioso. Com certeza a opera militar americana, levantou-se internamente a seguinte Questão, e se fosse no Brasil o que Teríamos de defesa?! A resposta nao deve ter sido positiva. Com isso, surgiu a Urgência de ter algo para dar uma resposta imediata. E nao Ficar perdendo tempo em Reuniões Intermináveis para definir um conjunto de armamento que atende marinha e exercito. Foi dado um start para que todos os Países se armem.

  2. No Globes Repórter de hoje:
    quem são os izpecializtas?
    o que eles comem?
    Onde eles vivem?
    Quem os escolheram?
    Quem está pagando para darem essa versão?
    Não perda…

    1. Bom dia,
      Pelo que sei, só falta a força aérea se definir quanto a obtenção de mísseis que irá utilizar. Tanto a marinha, quanto o exército, estarão utilizando a mesma família de mísseis CAM-ER

  3. Não se pode dizer que seja uma compra desvinculada das outras forças, pois tanto a FAB quanto os Fuzileiros Navais tem equipamentos deste porte e a força naval já opera equipamento similar. Resta O SISDABRA prover os meios de integração.

  4. Foi levado em consideração que o míssil usado neste sistema é o mesmo que a Marinha do Brasil usa nos novos navios. E conforme a opinião de outras fontes, uma das características desse sistema é a arquitetura aberta, que possibilitará o uso de sistemas já em uso no Brasil.

  5. Só por essa matéria tendenciosa se vê a invopetencia e inoperância das FFAAA brasileiras , demoram décadas para escolher um sistema e quando chega , são mais décadas para sua operação q já se torna obsoleto , e essa demora não é para escolher , é para alinhar todos os interesses , que não é os do país , seria melhor economizar esse dinheiro , veja o caso dos gripem q quando chega , uma versão de 4 geração ditas ++ outros países já estão na 6⁰ geração ou 7⁰ é um desperdício de tempo e dinheiro .

  6. Sermos mais rígidos nas análises sobre as forças armadas é querer criminalizar toda a estrutura que a compõe, é querer aprofundar-se em uma área restrita conectada ao mundo espiritual. O Brasil nunca vai se tornar uma superpotência igualmente os EUA,CHINA OU RÚSSIA, é só PESQUISAR e estudar em fontes confiavéis sobre a história do Brasil que nenhum livro didático descreve a transparência dos fatos.😎😎😎

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