Múcio avisa Lula que fica até o fim do mandato e quer Defesa no centro da campanha

Presidente Lula entre o comandante do Exército, general Tomás Paiva (esquerda), e o ministro da Defesa, José Múcio, em cerimônia em frente ao QG da Força - (crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Ministro da Defesa vê janela política após condenação de generais e defende soberania e investimentos militares como temas do debate eleitoral de 2026

Segundo a jornalista Carla Araújo, em coluna publicada no UOL, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, decidiu permanecer no cargo até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já comunicou ao chefe do Executivo que pretende ajudar a colocar a Defesa e a soberania nacional no centro do debate eleitoral de 2026.

Aos 77 anos, Múcio caminha para se tornar um dos ministros mais longevos à frente da pasta. Integrante da cota pessoal de Lula — assim como Ricardo Lewandowski, que deixou recentemente o Ministério da Justiça —, o ministro foi escolhido para lidar com uma das áreas mais sensíveis do governo: a relação com as Forças Armadas, desgastada após o governo Jair Bolsonaro e os desdobramentos da tentativa de golpe.

Ainda de acordo com Carla Araújo, quando assumiu o Ministério da Defesa, em janeiro de 2023, Múcio tinha como principal missão reconstruir pontes e restabelecer a confiança entre o governo e os militares. O desafio se intensificou após os atos golpistas de 8 de Janeiro, quando o ministro passou a defender a punição dos responsáveis individualmente, sem responsabilizar as instituições militares como um todo.

Ao longo do período, Múcio enfrentou resistências dentro do próprio PT, que via sua atuação como excessivamente alinhada aos militares. Em meio ao chamado “fogo amigo”, chegou a cogitar deixar o cargo e apresentou nomes para substituí-lo, mas foi convencido por Lula a permanecer.

Nos quartéis, porém, a avaliação é amplamente favorável. Conforme relata a colunista do UOL, o ministro é tratado por generais, brigadeiros e almirantes como “o homem certo, na hora certa”, alguém visto como incansável e capaz de manter o diálogo institucional.

Com a condenação inédita de generais quatro estrelas por tentativa de golpe, Múcio avalia haver uma janela de oportunidade para reduzir o preconceito da sociedade em relação aos militares e reafirmar as Forças Armadas como instituições de Estado, afastadas de disputas político-partidárias.

Ainda segundo Carla Araújo, o ministro quer aproveitar o cenário internacional instável — e cita os ímpetos expansionistas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — para defender que investimentos em Defesa e soberania passem a integrar a agenda eleitoral. Para ele, falta mobilização no Congresso para tratar do tema de forma estruturada e sem viés ideológico.

Apesar de ter aceitado o convite de Lula com a promessa de uma passagem curta pelo governo, Múcio decidiu seguir até o fim do mandato. Garantiu, no entanto, à família que não permanecerá em um eventual novo governo. Mesmo assim, já avisou que pretende ajudar Lula na campanha de reeleição.

Se mantiver o plano, Múcio deverá ultrapassar Celso Amorim em tempo à frente do Ministério da Defesa, aproximando-se do recorde de Nelson Jobim, o ministro que mais tempo ocupou o cargo.

Respostas de 22

  1. Que lastima, mucio deveria pedir pra sair, pois precisamos de um ministro que se sensibilize com a dificil situacao dos baixos estamentos. Arrego!

      1. Devia ter pedido a mesma coisa para Azevedo e Silva, para Braga Netto e Paulo Sérgio. Ou generais golpistas podem ficar inertes? É muita hipocrisia. Que o senhor dos exércitos nos perdoe…🙌🙌🙌

  2. Não construiu a ponte, mas fez a manutenção. Refiro-me ao abismo entre Oficiais e Sargentos. A referida ponte não devia ser mais que um pontilhão mas acabou sendo uma Rio/Niterói. Urge a verdadeira reestruturação, aquela de carreiras de nível superior e paralelas, valorizadas desde o início e baseada em Lei. Se a intenção é comandar homens livres mostrando-lhes o caminho da verdade, mais fácil será comandar homens livres, bem preparados, motivados, cônscios de sua importância e responsabilidade com a Pátria. General que avisa quando vai a uma OM e boneco ventríloquo de generais tirarão o doente da cama e o colocarão de pé, mesmo que doente ainda continue. Se a verdadeira ideia é comandar doentes, deixe como está e não onere ainda mais a nação.

    1. O ministro Mucio nada fez pela Tropa!
      Pelo contrário, avalizou a Nefasta nova reforma da previdência apoiada por Lula que graças a bancada da bala está parada no congresso!

      Lula é o mesmo de sempre, o presidente das Migalhas! Nada fez e nada fará pelos Praças!

      1. “O ministro é tratado por generais, brigadeiros e almirantes como “o homem certo, na hora certa”. Esse parágrafo já diz tudo.

  3. Enquanto isso eu vou fazendo meus bicos de eletricista e de motorista por aplicativo.
    Ganho uma miséria, minha esposa trabalha bem menos e ganha uns 5 pilas no salão dela. Eu subofe sem altos estudos 28 anos de efetivo serviço 8 contos líquidos.

  4. Ministro da defesa para os baixos estamentos é apenas uma figura decorativa para eventos e formaturas. Quem realmente deveria se preocupar com a tropa é o alto comando do EB, e o que constatamos? Nada, simplesmente nada. Olhamos para cima e não observamos nada, apenas eforos putrefes sedentos por poder, dinheiro e mordomias. Pq uma revisão da última lei nefasta? Para que? Os estamentos superiores estão com a burra cheia. É como diz o ditado: burrinho carregado de açúcar, até o peido é doce. Vida que segue.

  5. Ficando ou não, não fará diferença nenhuma. Ministro da Defesa e nada é nada nada. Só cargo para encher o bolso e a conta bancária. Engodo pra inglês ver e praça sofrer.

  6. Para os oficiais generais esse ministro é o melhor amigo. Estão todos com os bolsos cheios do vil metal. No entanto, a base das FAs passa por privações e nada se comenta.

  7. Aos que não perceberam ainda: eles não estão nem aí com o salários das FAA. Na verdade, Para eles (alto comando e políticos), já ganhamos bem demais….sei que isso é triste mas é a pura verdade…estudem para outros concursos, empreendam e para aqueles que mesmo assim resolverem ficar, se acostumem a cortar gastos e correr atrás de renda extra…

  8. Múcio tá longe de ser o ministro da defesa ideal, mas também tá longe ser igual os 2 anteriores. Pelo menos ele recompôs a inflação de 2 anos, pq se Bolsonaro tivesse sido eleito, teríamos ficado 8 ano seguidos sem 1 reajuste

    1. Realmente… Os três últimos ministros da defesa militares… Sequer fizeram a reposição das perdas inflacionárias e tem puxa saco subserviente que ainda lambe as botas desses vagabundos.

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