Marinha inicia construção do 4º navio de guerra que ataca pelo ar, mar e fundo do oceano em SC

Marinha constrói navio de guerra de 3.500 toneladas em SCFoto: Luiz Lerner/Fiesc/Divulgação/ND Mais

 

Corte da primeira chapa da Mariz e Barros, embarcação da que integra o Programa Fragatas Classe Tamandaré, marca auge da produção naval estratégica da Marinha no estaleiro de Itajaí.

 

Priscila Horvat
Itajaí (SC) – A construção de um navio de guerra com mais de 3.500 toneladas começa de forma simbólica, a partir de uma chapa de aço com cerca de três milímetros de espessura. Foi com esse marco que foi iniciada a última etapa do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), na última sexta-feira (9), em Itajaí (SC), pela Marinha do Brasil (MB).

O início da obra da Fragata “Mariz e Barros” (F203), navio de guerra que ataca por céu, mar e fundo do oceano, foi marcado pelo corte da primeira chapa de aço no TKMS Estaleiro Brasil Sul. O evento reuniu representantes da Marinha, da Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) e da Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, responsável pela execução do programa.

O diretor de Gestão de Programas da Marinha (DGePM), Vice-Almirante Marcelo da Silva Gomes, foi o responsável por acionar o dispositivo que simbolizou oficialmente o começo da construção da nova embarcação.

Agência Marinha

Marco estratégico para a Marinha e para a indústria naval

Marinha estratégica: corte da primeira chapa de aço marca o início da construção Foto: Agência Marinha/Reprodução/ND Mais

Segundo o Vice-Almirante, a cerimônia representa um momento estratégico tanto para a Marinha do Brasil quanto para o País. O projeto de construção dos novos navios integra um megaprojeto de R$ 12 bilhões.

“A cerimônia tem dois grandes significados: o primeiro é o término de um ciclo de construção de quatro navios, que coloca o Brasil em um seleto grupo de países que conseguem construir navios com esse grau de complexidade. O segundo é pensar adiante no programa que qualificou cerca de 8 mil trabalhadores brasileiros, direta ou indiretamente, assim como habilitou mais de mil empresas brasileiras para atender à necessidade de conteúdo local de cerca de 40% desse programa”, destacou.

O primeiro corte de chapa marca a transição da fase de projeto para a fase de fabricação da fragata. Para que esse momento seja alcançado, o projeto detalhado da embarcação precisa estar totalmente concluído e aprovado, garantindo que os aspectos de engenharia, planejamento, suprimentos e logística estejam definidos.

A partir desse estágio, os investimentos passam a ser aplicados de forma mais intensiva, com foco em controle de qualidade, eficiência produtiva e cumprimento rigoroso dos cronogramas.

A Fragata F203 poderá atingir velocidade de até 25 nós, o equivalente a aproximadamente 47 km/h. A previsão é de que a embarcação seja lançada ao mar em 2027 e incorporada à Marinha do Brasil em 2029.

Com o início da construção da quarta fragata, o Programa Fragatas Classe Tamandaré entra em uma fase considerada decisiva para a consolidação de sua governança e de seu caráter estratégico.

“Com as quatro fragatas em construção, o programa entra em uma fase decisiva, consolidando a governança do programa e seu caráter estratégico para a Marinha do Brasil, ao fortalecer a Base Industrial de Defesa e seu ecossistema, promover transferência de tecnologia e know-how, além de contribuir diretamente para a soberania e a defesa nacional”, afirmou o CEO da Águas Azuis, Fernando Queiroz.

O corte da primeira chapa da Fragata “Mariz e Barros” também marca o auge da produção brasileira. Atualmente, o estaleiro de Itajaí concentra diferentes fases de produção das embarcações da Classe “Tamandaré”, consolidando a cidade como um dos principais polos da indústria naval militar do país.

Quem foi Mariz e Barros
A Fragata “Mariz e Barros” recebe o nome do Primeiro-Tenente Antônio Carlos de Mariz e Barros, herói da Guerra da Tríplice Aliança. O militar comandou o Encouraçado “Tamandaré”, um dos primeiros navios com couraça construídos no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro e incorporados à Marinha do Brasil.

Ele morreu em combate em 1866, após o “Tamandaré” ser atingido durante o bombardeio ao Forte de Itapiru. O projétil fragmentou-se e atingiu 34 militares, entre eles o comandante e o próprio Mariz e Barros, que faleceu no dia seguinte ao ataque em razão da gravidade dos ferimentos.

A “Mariz e Barros” chega para complementar as outras fragatas da Classe Tamandaré:

  • A “Tamandaré” (F200), foi lançada ao mar em agosto de 2024 e deve ser entregue ao setor operativo da Marinha do Brasil ainda no primeiro semestre de 2026;
  • A “Jerônimo de Albuquerque” (F201), lançada ao mar em agosto de 2025 e com o início das provas de mar previsto para meados de 2026;
  • A Fragata “Cunha Moreira” (F202), iniciada em novembro de 2024 e que tem o lançamento ao mar esperado para julho de 2026.

Tecnologia, inovação e geração de empregos
O Programa Fragatas Classe Tamandaré é uma parceria entre a Marinha do Brasil e a Águas Azuis, formada pelas empresas TKMS, Embraer e Atech, com gerenciamento da Emgepron. O objetivo é modernizar a Esquadra brasileira, fortalecer a indústria de defesa e desenvolver uma cadeia produtiva nacional capacitada.

As embarcações são equipadas com radares, sensores e armamentos de última geração. O programa também prevê a transferência de tecnologia, a adoção do conceito paperless, com desenvolvimento totalmente digital, eliminando o papel na linha de produção, e a gestão completa do ciclo de vida dos navios, desde a construção até seu desfazimento.

Incluído no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), no eixo de Inovação para a Indústria de Defesa, o PFCT deve gerar cerca de 23 mil empregos, diretos e indiretos, ao longo de sua execução, uma contribuição da Marinha para a geração de emprego e renda em Itajaí e região.

“Do ponto de vista industrial, o início da construção da quarta fragata reforça a capacidade do nosso estaleiro de operar em escala e com alto padrão tecnológico, traduzindo os pilares do PFCT em geração de empregos altamente qualificados, capacitação da indústria nacional e consolidação de processos complexos com impacto duradouro para o País”, reforçou o CEO da TKMS Estaleiro Brasil Sul, Holger Tepper.

nd+ – Edição: Montedo.com

Respostas de 2

  1. Assim foi com a construção das Corvetas classe inhaúma. Projeto naufragou, as 4 que foram concluídas foram só problemas. Tomara que tenham aprendido com os erros das corvetaz.

  2. Parabéns à MB por investir em tecnologia nacional e produção em solo brasileiro, gerando riqueza e empregos para a população de Itajaí e região. 👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾

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