Caças F-16 já abateram mais de 1.300 alvos aéreos russos, afirma Ucrânia (vídeo)

Piloto não teve tempo de se ejetar, diz governo da Ucrânia - Reprodução/X

 

A Força Aérea da Ucrânia afirma que os caças F-16 Fighting Falcon fornecidos por países da OTAN já foram responsáveis pela destruição de mais de 1.300 alvos aéreos russos desde que começaram a operar em combate, no segundo semestre de 2024. Segundo Kiev, a maior parte desses engajamentos envolveu mísseis de cruzeiro e drones kamikaze lançados contra cidades, infraestrutura energética e instalações estratégicas ucranianas, reforçando o papel do F-16 como um elemento-chave da defesa aérea do país em guerra contra a Rússia.

Os primeiros F-16 tornaram-se visíveis nos céus ucranianos em agosto de 2024, após entregas iniciais dos Países Baixos, em um momento descrito pelas autoridades de Kiev como histórico. Desde então, aeronaves adicionais foram incorporadas a partir de estoques de outros países europeus, como Dinamarca, Noruega e Bélgica, dentro de um esforço coordenado para substituir gradualmente os antigos caças de origem soviética ainda em serviço.

Apesar de não serem aeronaves de última geração, os F-16 representam um salto significativo em sensores, integração com sistemas da OTAN e capacidade de emprego de armamentos modernos, especialmente em missões defensivas.

De acordo com comunicações oficiais da Força Aérea da Ucrânia, os F-16 vêm apresentando resultados consistentes na interceptação de ameaças aéreas, atuando como complemento aos sistemas de defesa antiaérea baseados em terra, como Patriot, NASAMS e IRIS-T. Em um cenário no qual a Rússia emprega ataques combinados e repetitivos, misturando drones baratos, mísseis de cruzeiro e vetores mais sofisticados para saturar as defesas, o uso de caças permite maior flexibilidade e rapidez de resposta, além de aliviar a pressão sobre os estoques limitados de interceptadores terrestres.

Relatos recentes divulgados pela própria Força Aérea ucraniana, incluindo um vídeo com um piloto de F-16 cuja identidade foi preservada por motivos de segurança, detalham o cotidiano operacional dessas aeronaves. Segundo o piloto, a principal missão dos F-16 é fechar lacunas na defesa aérea, interceptando mísseis e drones antes que atinjam áreas urbanas e infraestrutura crítica.

Ele afirma que os caças operam praticamente todos os dias, muitas vezes em condições de alto risco, devido à presença constante de sistemas antiaéreos russos e à ameaça de mísseis ar-ar de longo alcance lançados por aeronaves inimigas.

Além da defesa aérea, a Ucrânia afirma que seus F-16 também participaram de missões de apoio às forças terrestres, atingindo mais de 300 alvos no solo. Entre eles estariam veículos militares, postos de comando, centros de controle de drones, depósitos de munição e instalações logísticas russas em áreas próximas à linha de frente. Ainda assim, autoridades ucranianas deixam claro que o emprego dessas aeronaves é cauteloso, evitando confrontos diretos frequentes com caças russos, como Su-35, Su-57 e MiG-31, que costumam operar a partir de grandes distâncias e em altitudes elevadas.

Como já relatado aqui anteriormente, o piloto entrevistado reconhece que muitas das táticas aprendidas durante o treinamento no exterior precisaram ser adaptadas à realidade do conflito. Segundo ele, a guerra na Ucrânia apresenta características únicas, com uma densidade inédita de sistemas antiaéreos, sensores e guerra eletrônica, o que obrigou as tripulações a desenvolver abordagens próprias para empregar o F-16 de forma eficaz e sobreviver em um ambiente extremamente hostil. Essa adaptação, segundo a Força Aérea, foi fundamental para alcançar os resultados agora divulgados.

No campo do armamento, imagens e análises recentes indicam que os F-16 ucranianos utilizam principalmente mísseis ar-ar AIM-9 Sidewinder e AIM-120 AMRAAM para interceptação de alvos mais complexos. No entanto, para enfrentar drones de baixo custo, como os Shahed, a Ucrânia teria passado a empregar soluções mais econômicas, como foguetes de 70 mm guiados a laser, integrados a pods de designação avançados. Essa abordagem busca preservar o estoque limitado de mísseis mais caros e manter uma relação custo-benefício mais favorável diante da estratégia russa de ataques em massa com meios relativamente baratos.

A sobrevivência dos F-16 no solo também é uma preocupação constante. Para reduzir o risco de ataques russos, a Ucrânia adota uma política de dispersão, mudando frequentemente as aeronaves de base e operando, quando necessário, a partir de aeródromos improvisados e até trechos de rodovias. Pilotos e equipes de manutenção trabalham sob condições extremas, com pouco tempo de descanso e sob ameaça permanente de ataques de mísseis e drones.

Apesar das alegações de mais de 1.300 alvos aéreos destruídos, Kiev ainda não anunciou oficialmente abates confirmados de caças russos por F-16. O foco declarado permanece na defesa do espaço aéreo e na proteção da população civil.

Segundo autoridades ucranianas, o maior desafio para manter esse ritmo operacional não é apenas o desgaste das tripulações, mas principalmente a logística, em especial a garantia de um fluxo contínuo de armamentos e peças fornecidos pelos parceiros ocidentais, considerados essenciais para sustentar a eficácia dos F-16 na guerra em curso.

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