Zelensky propõe plano de 20 pontos com garantias militares e US$ 200 bilhões para o pós-guerra na Ucrânia

Da esquerda para a direita: o presidente russo, Vladimir Putin, o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. 18/03/2025 - (AFP/AFP)

 

Iniciativa mediada pelos EUA inclui retirada de tropas russas, garantias de segurança e fundo internacional de reconstrução

 

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, apresentou nesta quarta-feira (24) um novo plano de paz de 20 pontos para encerrar a guerra com a Rússia. Elaborada com mediação dos Estados Unidos, a proposta já teria sido acordada entre negociadores de Kiev e Washington e encaminhada a Moscou para avaliação. As informações foram divulgadas pelo The Moscow Times.

O plano prevê garantias internacionais de segurança para a Ucrânia, retirada de tropas russas de áreas estratégicas, compromissos territoriais e um amplo pacote internacional de reconstrução econômica no pós-guerra. Zelensky detalhou os pontos durante reunião com jornalistas em Kiev.

Entre os principais eixos está o reconhecimento da Ucrânia como Estado soberano e independente, além da criação de um pacto de não agressão pleno e incondicional entre os dois países. O documento também propõe um sistema internacional de monitoramento da linha de contato, com uso de vigilância espacial não tripulada para detectar violações do cessar-fogo.

Pelo plano, as Forças Armadas ucranianas manteriam um efetivo de cerca de 800 mil militares em tempos de paz. Em contrapartida, Estados Unidos, Otan e países europeus signatários ofereceriam garantias de segurança semelhantes ao Artigo 5 da Aliança Atlântica. Caso a Rússia volte a atacar a Ucrânia, sanções globais seriam automaticamente restabelecidas.

No campo político e econômico, a proposta prevê a adesão da Ucrânia à União Europeia dentro de um prazo definido, além de acesso temporário privilegiado ao mercado europeu. Está prevista ainda a criação de um fundo internacional de até US$ 200 bilhões, com participação de Estados Unidos e países europeus, destinado à reconstrução do país.

Esse pacote inclui investimentos em infraestrutura, tecnologia, inteligência artificial, mineração e modernização da rede de gás. O Banco Mundial deverá oferecer linhas especiais de financiamento, enquanto um grupo de trabalho internacional coordenaria a execução do plano.

Em relação ao território, o documento reconhece, de facto, a atual linha de posicionamento das tropas nas regiões de Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson como linha de contato. Tropas internacionais poderiam ser destacadas para monitorar o acordo, mediante aprovação do parlamento ucraniano ou por meio de referendo.

Como condição para a entrada em vigor do acordo, o plano exige a retirada das forças russas das regiões de Dnipropetrovsk, Mykolaiv, Sumy e Kharkiv. Após a definição de um arranjo territorial definitivo, Rússia e Ucrânia se comprometeriam a não alterar os termos por meio do uso da força.

Questões humanitárias também ocupam espaço relevante no documento, incluindo a troca total de prisioneiros de guerra, a devolução de civis e crianças detidas, a criação de um comitê humanitário e medidas de reparação às vítimas do conflito.

O texto reafirma ainda que a Ucrânia permanecerá como Estado não nuclear e propõe que a usina nuclear de Zaporizhzhia seja operada conjuntamente por Ucrânia, Estados Unidos e Rússia. Após a assinatura do tratado, eleições nacionais deverão ser realizadas o mais rapidamente possível.

A supervisão do acordo ficaria a cargo de um Conselho de Paz, com participação da Ucrânia, Rússia, Estados Unidos, países europeus e da Otan. Segundo Zelensky, o conselho seria presidido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e teria poder para aplicar sanções em caso de descumprimento.

Caso todas as partes aceitem os termos, um cessar-fogo total entraria em vigor de forma imediata.

Respostas de 5

  1. Existe um viés político forte nessa notícia, pois o país que está ganhando, e ganharia de qualquer jeito, está guerra é a Rússia. Não vou discutir fatos.

    Do jeito que a notícia foi colocada, a impressaõ que fica é que a Ucrânica estabelece o que quer de tal forma que para Rússia nada de bom é oferecido, basta ler o texto. Obviamente, não é isso que ocorrerá se a guerra acabar.

    Não sei porque tanta aversão a realidade que as pessoas tem, o fato é que a Rússsia será maior beneficiada e a Ucrânia vai se ferrar, simples assim.

    Falta apenas saber, se houver um tratado de encerramento da guerra, como ficará o quadro, porque o que foi apresentado nessa notícia é totalmente sem noção.

    1. Sim, a Rússia vai ganhar daqui a 200 anos mais ou menos, com sua taxa de avanço de centímetro diários. Deixe de ser babão de ditador. Deve ser ou bolsominion ou comedor de mortadela.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *