Suposta detonação acidental de explosivo ocorreu no Campo de Instrução Marechal Hermes, em Santa Catarina
Leonardo Carriel
Três Barras (SC) – Dois meses após a morte do jovem militar Bryan Damazo de Santana Pinto, de 18 anos, após acidente envolvendo suposta detonação acidental de um artefato explosivo, no Campo de Instrução Marechal Hermes (CIMH), em Três Barras, a causa da morte do rapaz continua sendo um mistério.

Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado pelo Exército, no dia seguinte ao caso, para apurar as circunstâncias da morte do rapaz. O prazo para a conclusão do IPM era de 45 dias. No entanto, até o momento, 60 dias após a abertura do inquérito, a família de Bryan continua sem respostas sobre o que teria causado a trágica morte do jovem soldado. Procurado pelo JMais, o responsável encarregado do Exército pelo IPM alegou que o inquérito já está concluso, porém, está passando por uma fase de revisão.
A família de Bryan também foi procurada pela reportagem do JMais, e alegou que segue em busca de respostas sobre o caso, mas que ainda não recebeu nenhuma informação oficial por parte do Exército. Eles optaram por não conceder entrevista sobre a situação no momento.
RELEMBRE O CASO
No dia 23 de outubro, Bryan Damazo de Santana Pinto foi conduzido em estado grave à Unidade de Pronto Atendimento de Três Barras, após sofrer um ferimento de cerca de 15 centímetros de circunferência na região do tórax, do lado direito. As informações iniciais apontavam que o ferimento teria sido causado pela explosão de uma granada.
Devido à gravidade do caso, as equipes da Unidade de Suporte Avançado (USA) do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Canoinhas iniciaram a transferência para o Hospital São Vicente de Paulo, de Mafra. Durante o deslocamento, seu estado piorou e os socorristas tentaram fazer reanimação, porém, sem sucesso. Bryan acabou falecendo durante o trajeto.
Bryan era morador de Três Barras, onde estudava na Escola Colombo Machado Salles até o ano passado. Seus pais são de Itajaí.
O corpo de Bryan foi retirado da UPA de Três Barras pela Polícia Científica, responsável pela perícia. A família esteve na Delegacia do município para registrar um boletim de ocorrência. A Polícia Civil informou que o caso seria investigado pelo próprio Exército, que abriu um inquérito no dia seguinte da morte do rapaz.
Veja a nota em que o Exército confirma a abertura do inquérito:

HIPÓTESES
O JMais ouviu três fontes sob condição de anonimato. Uma ligada ao Exército e outras duas são namoradas de internos que testemunharam a morte de Bryan.
Segundo uma das meninas, “eles (soldados) estavam brincando com uma bomba que estava guardada há anos. Depois que todos brincaram, ele (Bryan) foi colocar no lugar de novo quando explodiu. Não foi granada”. Ela disse, ainda, que “o pior é que todos os outros meninos mexeram nessa bomba e quando ele foi pegar, explodiu”.
A outra fonte diz que o artefato explosivo estava guardado em um barracão há muito tempo. Bryan teria ido buscar outra coisa e teve sua atenção despertada pelo objeto, que explodiu assim que ele pegou no artefato, aparentemente, por curiosidade. Ainda de acordo com esta fonte, não havia nenhum supervisor no momento e o menino recebeu os primeiros socorros dos colegas. O artefato teria explodido parcialmente.
“Caso tivesse acontecido dele explodir por completo, todos do local teriam sido atingidos. Ele tinha sangramento muito forte, não tinha como ser estancado”, contou.
A mesma fonte diz que os soldados trabalham muitas vezes sem supervisão, não têm qualquer treinamento para lidar com explosivos e que operam, costumeiramente, equipamentos sucatados.
TIJOLO QUENTE
Outra pessoa, ligada ao Exército, disse que o que a menina chama de “bomba” pode ser um artefato perdido acidentalmente no local. Como o CIMH é um campo de instrução e sazonalmente ocorrem adestramentos com presença de soldados de todo o País, munição verdadeira é usada para os treinamentos.
Não seria completamente impossível, de acordo com a fonte, que munições não detonadas fiquem sob o solo, por isso, o território onde se faz as manobras é chamado popularmente de “tijolo quente”.
A hipótese é de que alguma munição não detonada durante uma manobra tenha sido encontrada pelos soldados que, sem ter certeza do que se tratava e por curiosidade, passaram a manobrar o explosivo, resultando no episódio que vitimou Bryan.
Essa hipótese já foi descartada, tanto que um mês após a morte de Bryan, o CIMH foi sede de mais um treinamento de nível nacional.
O CIMH tem uma extensão de 9,7 mil hectares, que ligam Três Barras a Papanduva. A vasta extensão é justamente para que se tenha segurança ao praticar manobras, de modo que se tenha a certeza que nenhuma munição atingirá uma área habitada. Mas isso não impede que haja munição não detonada na área.
J+ – Edição: Montedo.com