Tamandaré, o patrono da Marinha

Homenagem póstuma ao Marquês de Tamandaré
(Revista Dom Quixote)

Almirante era fiel à monarquia e se opôs à Proclamação da República

 

Na manhã de 11 de junho de 1865, nas águas do rio Paraná, foi travada a Batalha do Riachuelo, confronto decisivo da Guerra da Tríplice Aliança. A vitória brasileira impediu o Paraguai de acessar o mar e mudou o rumo do maior conflito já ocorrido na América do Sul. Por trás da estratégia naval que levou ao triunfo estava o almirante Joaquim Marques Lisboa, figura central da história da Marinha do Brasil.

O quadro Combate Naval do Riachuelo, de Victor Meirelles

Embora a esquadra tenha sido comandada diretamente por Francisco Manuel Barroso, a operação seguia o plano de bloqueio naval concebido por Tamandaré, então comandante das Forças Navais Brasileiras. O sucesso da ação rendeu ao almirante o reconhecimento do Império, que o elevou ao título de marquês de Tamandaré.

Nascido em 1807, no Rio Grande do Sul, Tamandaré ingressou na Marinha aos 15 anos, ainda durante a Guerra da Independência. Sua carreira atravessou quase seis décadas e acompanhou os principais momentos da consolidação do Estado brasileiro. No Período Regencial, participou da repressão a revoltas internas e da pacificação de diversas regiões do país.

Em 1859, foi nomeado comandante da divisão naval que escoltou a família imperial em viagem pelo Nordeste. Após a missão, recebeu o título de barão de Tamandaré. Cinco anos depois, assumiu o comando das forças navais brasileiras no rio da Prata e liderou a intervenção do Brasil na guerra civil uruguaia.

Com o início do conflito contra o Paraguai, Tamandaré passou a chefiar as operações navais brasileiras. Problemas de saúde o levaram a deixar o comando em 1866, um ano após a vitória no Riachuelo.

No período pós-guerra, ocupou cargos de destaque no Império, como ajudante de campo de Dom Pedro II, gentil-homem da Imperial Câmara, ministro do Supremo Tribunal Militar e membro do Conselho Superior Militar.

Fiel à monarquia, o almirante se opôs à Proclamação da República. Chegou a pedir autorização para mobilizar a Armada Imperial contra o novo regime, pedido que foi negado por Dom Pedro II. Com a queda do Império, afastou-se da vida militar e passou os últimos anos em reclusão.

Tamandaré morreu em março de 1897. Em testamento, solicitou um enterro simples e reafirmou sua lealdade à família imperial. Em 1925, foi oficialmente declarado patrono da Marinha do Brasil. Desde então, o dia 13 de dezembro, data de seu nascimento, é celebrado como o Dia do Marinheiro.

Respostas de 2

  1. João Candido deveria ter revista a sua expulsão e entrado no Panteão dos heróis da MB. Afinal a revolta comandada por ele era legítima. Os 18 do forte também foi um movimento considerado golpista, todavia vemos diversas ruas e lembranças desses personagens. Feliz João Candido um verdadeiro marinheiro.

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