‘Covardia institucional’: Vereadores de direita e esquerda se unem contra ação do Exército que fechou restaurante em Guaratiba

Exército fecha bar em Barra do Guaratiba

 

Parlamentares do Republicanos, PT e PSOL formaram uma frente para denunciar despejo de famílias e fechamento de restaurante tradicional em área da União

Rio – A reintegração de posse realizada pelo Exército em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste, na última quinta-feira (4), aproximou vereadores de espectros opostos na Câmara do Rio. Gigi Castilho (Republicanos), Felipe Pires (PT) e William Siri (PSOL) se uniram para repudiar a operação que, segundo eles, ameaça a permanência de mais de 80 famílias na região, além de ter acarretado no fechamento do tradicional Restaurante Tropicana.

A ação, executada na semana passada pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx) para retomar uma área da União, foi classificada pelos vereadores como “desproporcional”, “abrupta” e uma “covardia institucional”.

O grupo alega que a medida atinge uma comunidade tradicional caiçara, instalada no local há décadas, e que os moradores não tiveram tempo hábil para contestar a decisão judicial ou retirar seus pertences com dignidade.

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‘Desespero e vida inteira no bairro’
Gigi Castilho esteve pessoalmente no local e relatou o clima de tensão. A parlamentar destacou o impacto social da medida, que, segundo ela, vai além da questão jurídica da terra.

“Ali tem pessoas que moram há mais de 50 anos. Têm filhos, netos. É uma vida inteira naquele bairro. As pessoas estão desesperadas. Vamos correr atrás, de mãos dadas, e vamos para cima. Podem contar comigo”, afirmou a vereadora, que prometeu cobrar explicações institucionais.

Líder do PT cobra Comando Militar do Leste
Na tribuna, Felipe Pires subiu o tom e exigiu respostas do Comando Militar do Leste. O petista citou o caso de uma demolição recente para ilustrar o que chamou de insensibilidade do Estado.

“Na semana passada, uma residência de 75 anos foi demolida. Uma mãe e um filho foram parar na Baixada, e o pai está morando de favor num quartinho. Isso é inaceitável”, disse.

Segundo ele, o restaurante que acabou fechando por conta da decisão empregava dezenas de pessoas com carteira assinada e movimentava a economia local por meio da pesca artesanal. “Não é só com o restaurante. São mais de 80 casas notificadas, cada uma com um processo. É um ataque direto aos povos tradicionais da região”, disparou.

William Siri reforçou o coro, apontando a falta de alternativas habitacionais para quem está sendo retirado. “Uma comunidade que sempre existiu ali está sendo desmontada diante dos nossos olhos. Crianças e idosos estão agora sem saber o que fazer”, completou o psolista.

O outro lado
O Exército informou que a operação cumpre uma determinação da 30ª Vara Federal, em trâmite desde agosto, visando reintegrar a posse de um terreno pertencente à União localizado dentro de uma área de proteção ambiental, na Reserva de Guaratiba. Segundo a força militar, a ação ocorreu “em observância às leis vigentes e ao devido processo legal”.

O Restaurante Tropicana, alvo principal da operação da semana passada, publicou nota lamentando a “desconsideração do impacto econômico, social e cultural” do fechamento, ressaltando seus 30 anos de atuação e preservação ambiental no local.
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Respostas de 2

  1. Depois dos últimos acontecimentos, alguém tem dúvidas que o julgamento no STM é dissociado de tudo,Onde indigno,onde pundonor e etc, digitei depois dos últimos, inclusive o Banco Master, a câmara é fichinha.

  2. Quem está ilegal, uma hora a lei chega! Assim como as ferrovias estão sendo invadidas em todo lugar. Depois se fazem de coitadinhos! Aqui na minha cidade tem gente loteando e vendendo terrenos da ferrovia.

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