Escola de drones da Marinha é aposta estratégica para elevar a tecnologia militar brasileira a um novo patamar

Drones e equipes dos Fuzileiros Navais reunidos no CIASC durante atividades que antecederam a criação da Escola de Drones da Marinha do Brasil.

 

Força Naval prepara a implantação da escola,  após workshops e competições que reforçam a evolução tecnológica dos Fuzileiros Navais

Caio Aviz
A Marinha do Brasil anunciou, em 26 e 27 de novembro de 2025, durante o 1º Workshop sobre o Emprego de Drones e o 1º Campeonato de Drones Militares, realizados no Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (CIASC), no Rio de Janeiro, que criará, em 2026, a Escola de Drones dos Fuzileiros Navais. O Contra-Almirante Luis Manuel de Campos Mello, comandante do CIASC, explicou que as lições obtidas no evento estruturam a nova formação.

Estrutura do curso e critérios técnicos
Segundo o Almirante, o curso inicial abrangerá drones dos tipos 0 e 1, usados por operadores que não possuem habilitação profissional. Dessa forma, a formação ampliará o domínio da tecnologia em diferentes unidades da Marinha. Embora o curso seja inicialmente exclusivo para militares da Força, poderá atender outras instituições futuramente, o que demonstra reforço gradual da capacidade operacional.

O evento reuniu mais de 400 participantes nacionais e internacionais, o que consolidou o workshop como espaço de integração, inovação e teste doutrinário. Conforme destacou o Capitão de Corveta Diego Sabá, pesquisador do Comando do Desenvolvimento Doutrinário, toda tática observada, adaptação apresentada e solução criativa exibida serão transformadas em Lições Aprendidas, que alimentarão currículos e manuais.

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Painéis temáticos e cooperação institucional
O workshop foi organizado em três painéis. Assim, o primeiro debateu o uso de drones em conflitos contemporâneos e contou com representantes das Nações Unidas, do CTDDCFN e da Marinha da França. Em seguida, o segundo painel tratou do emprego em diferentes Forças Armadas brasileiras, reunindo oficiais do Exército, da Marinha e do Centro Conjunto de Operações de Paz. Logo depois, o terceiro painel abordou o uso em ambiente urbano, com participação da Polícia Civil, da Polícia Militar e de fabricantes nacionais de drones.

A Agente Brunna Lopes, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, destacou o avanço das operações policiais com drones e reforçou a importância da formação técnica. Ela ressaltou que a tecnologia transformou investigações e ampliou a precisão das ações de inteligência.

Competições e avaliação de desempenho militar
O 1º Campeonato de Drones Militares incluiu as categorias Manobra, Ataque Simulado, Reconhecimento e Inovação. Dessa forma, as equipes foram avaliadas por precisão, criatividade e capacidade de adaptação. Conforme explicou Sabá, o objetivo foi testar não apenas técnica, mas também habilidade cognitiva e uso eficiente dos sensores embarcados.

Entre os destaques, o Soldado Gabriel de Ávila, do CIASC, venceu a modalidade Manobra, enquanto o Soldado Ryan Pereira Santos, do Batalhão de Combate Aéreo, venceu Reconhecimento. Ambos reforçaram que a competição elevou o nível de preparo operacional.

Exposições tecnológicas e aplicações práticas
Além das competições, empresas como Condor, Modirum/Gespi e Macjee expuseram aeronaves e sistemas nacionais. Segundo Sabá, os drones atuam como multiplicadores de força, porque ampliam a consciência situacional, reduzem riscos e podem entregar efeitos precisos em operações reais, como observado em conflitos recentes no leste europeu.

Ele também destacou que os drones fortalecem ações de Defesa Civil, porque sensores térmicos identificam vítimas em áreas de difícil acesso, inclusive durante a noite. Assim, a tecnologia se mostra essencial para missões humanitárias e operações expedicionárias dos Fuzileiros Navais.

Impacto esperado com a criação da Escola de Drones
Com base nas lições do evento de 2025, a Marinha prevê que a Escola de Drones, prevista para 2026, fortalecerá a capacitação operacional, padronizará táticas e ampliará a integração entre unidades. Além disso, o projeto consolida a adoção de sistemas aéreos remotamente pilotados como parte central do treinamento militar moderno.
CPG – Edição: Montedo.com

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