Bolsonaro preso em quartel do Exército seria “simbolicamente desastroso”

Bolsonaro na bandeja

 

Por que o Exército não quer Bolsonaro preso no quartel; análise do colunista Robson Bonin no programa Ponto de Vista

 

Robson Bonin , Marcela Rahal
Um encontro improvável no Quartel-General do Exército, em Brasília, revelou a preocupação da cúpula militar com os desdobramentos da condenação de generais envolvidos na trama golpista articulada junto a Jair Bolsonaro, preso preventivamente no sábado, 22. Como mostrou o colunista Robson Bonin no programa Ponto de Vista, o ministro Alexandre de Moraes esteve na residência oficial do comandante do Exército, general Tomás Paiva, na última semana, para debater justamente como ocorreria a operação que levaria à prisão figuras centrais do 8 de janeiro — entre elas Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira.

A reunião foi resultado de uma coincidência rara. Tomás Paiva recebia o ministro da Defesa, José Múcio, quando Moraes telefonou. Convidado a ir pessoalmente ao QG, o ministro do STF se juntou aos dois e ouviu do comandante uma lista de preocupações da caserna.

Temor na tropa: “Ainda são figuras respeitadas”
Segundo Bonin, o general Tomás Paiva expôs com clareza a sensibilidade interna: mesmo condenados, os generais da antiga cúpula das Forças Armadas ainda têm prestígio entre militares da ativa. Muitos serviram diretamente sob o comando deles. A imagem desses oficiais sendo presos de forma humilhante — algemados, filmados, conduzidos por carros da PF — poderia gerar “contaminação do ambiente” dentro dos quartéis.

“A preocupação era evitar que a prisão simbolizasse humilhação e criasse um clima de desgaste dentro do Exército”, relatou Bonin.

O pedido: máximo de discrição, nada de espetáculo, e que os próprios militares acompanhem a operação, sem participação ostensiva da Polícia Federal.

Moraes, segundo os relatos, concordou.

Como deve ser a prisão dos generais
Foi combinado que as prisões ocorreriam sem algemas, sem viaturas caracterizadas da PF, com acompanhamento por oficiais do Exército, transferência para instalações previamente definidas — quase certamente militares e execução rápida e discreta.

A opção por quartéis não representa gesto político: apenas resposta técnica ao pedido militar. E, sobretudo, tentativa de evitar ruído num setor que ainda se recupera do abalo institucional provocado pelo bolsonarismo.

E Bolsonaro? Outro tratamento
De acordo com Bonin, o Exército não fez qualquer pleito por tratamento especial ao ex-presidente. Tomás Paiva apenas informou a Moraes que, se o STF decidisse por recolhê-lo numa instalação militar, tudo já estava preparado — mas deixou claro que essa não era a preferência da Força.

“O Exército não deseja Bolsonaro em um quartel. Ele corrompeu militares no intento golpista, e mantê-lo preso ali seria simbolicamente desastroso.”

O destino do ex-presidente, portanto, seguiria outro curso — a superintendência da Polícia Federal.
veja – Edição: Montedo.com

Respostas de 14

  1. Bozo deve ser considerado um leproso, como era em outros tempos, antes de se eleger deputado, com falsas promessas, recebendo em varios pleitos, o voto dos pracas, que ele apunhalou pelas costas.

  2. Pior desastre foi o que ocorreu com as senhoras e crianças pós 8 de janeiro.
    Cercados todos, eles pensávamos que fossemos protege÷los e foram dormir, no outro dia prendemos mais de 1.500 .

  3. acredito que o site do Montedo está infestado de esquerdistas infiltrados para comentar reforçando as narrativas produzidas pelo poder político atual, além é claro, dos QE recalcados com a Reestruturação que acreditam que com a prisão de militares, estão sendo “vingados” do esquecimento. Vergonha total dessa situação atual, aparelhamento das estruturas de Estado, de todos os poderes, como deixamos chegar a esse ponto, a Venezuela é logo ali ….

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