O adjunto de comando e o desenvolvimento de competências para o assessoramento

Adjunto de Comando - brevê

 

Função requer forte dimensão humana, para lidar com questões sociais que afetam a tropa e suas famílias

 

Murilo Bulsing*
Focado em temas fundamentais para o papel do adjunto de comando e sua contribuição essencial no assessoramento ao comandante, este artigo aborda aspectos e competências vitais, não apenas para o desenvolvimento pessoal e profissional, mas também para o fortalecimento dessa nobre função. Salienta-se que o graduado investido na função possui plena capacidade para cumprir sua missão maior, que é assessorar o comando nos assuntos atinentes às praças, haja vista seu itinerário formativo ao longo da carreira como líder de pequenas frações, seu contato permanente com a tropa, sua identificação com a instrução e formação de militares e, principalmente, sua experiência consolidada. Esses fatores servem de base e o tornam uma ferramenta importante em apoio ao comando e em benefício das Organizações Militares.

Com base na experiência consolidada, e com o intuito de melhor cumprir sua missão, o adjunto de comando deve capacitar-se, explorando e aprimorando competências já conhecidas, mas que podem ser essenciais no momento do assessoramento. A preparação adequada para essa função é uma responsabilidade que exige não apenas competência técnica, mas também uma compreensão profunda dos desafios e responsabilidades inerentes à tomada de decisão. Espera-se que o adjunto de comando, além de estar alinhado com as diretrizes do comandante e ser profundo conhecedor de sua intenção, prepare-se desenvolvendo competências que lhe permitam compreender a forma de pensar de seu comandante.

Neste contexto, é importante salientar domínios nos quais o graduado na função deverá aprofundar-se, como forma de melhor cumprir sua missão de assessoramento. Dentre eles, destacam-se: conhecimento das origens do sargento, conhecimento institucional, conhecimento da nossa profissão, pensamento sistêmico, inteligência emocional e domínio do processo decisório.

Ser conhecedor da “nossa história”, ou seja, compreender a origem do sargento, proporciona ao adjunto de comando uma visão mais profunda das raízes e dos desafios enfrentados ao longo do tempo. Conhecer as histórias de Antônio Dias Cardoso, Rafael Pinto Bandeira, Antônio João Ribeiro e Max Wolf Filho — sargentos que, com seus exemplos de heroísmo, patriotismo e abnegação, tornaram-se referências eternas — demonstra a evolução da formação do graduado. Essa compreensão oferece percepções valiosas para orientar o futuro, garantindo que a preparação atual esteja à altura dos desafios presentes e dos cenários futuros imprevisíveis.

O conhecimento institucional fornece uma base sólida para a tomada de decisões em todos os níveis hierárquicos — desde aquelas de natureza estratégica até as realizadas em situações de crise —, em que o conhecimento prévio e a experiência são fundamentais. Trata-se de um recurso valioso que potencializa o desempenho da função com eficácia, liderança e resiliência frente a desafios variados e em constante transformação.

Conhecer a profissão militar é crucial por diversas razões, que vão desde o entendimento da defesa nacional até o reconhecimento dos sacrifícios e desafios enfrentados pelos militares. Trata-se de uma profissão com características singulares, marcada pelo comprometimento com valores, deveres e ética. Ressalta-se que as exigências da profissão não se restringem à pessoa do militar, mas afetam também a vida familiar. O adjunto de comando deve estar atento a esses fatores, a fim de melhor assessorar o comando e apoiar os demais militares e suas famílias.

Entender o Exército Brasileiro como um sistema integrado, dada a complexidade de sua estrutura organizacional, é outro domínio de extrema importância. Esse aprimoramento profissional permite ao adjunto de comando cumprir, de forma correta e oportuna, suas atribuições, contribuindo significativamente para a melhoria da gestão e da operacionalidade da Organização Militar. Com o desenvolvimento desse domínio, torna-se possível exercer com eficácia a função de assessor, oferecendo percepções e recomendações fundamentadas que contribuem diretamente para o sucesso das missões.

Outra competência essencial é a inteligência emocional, habilidade que complementa as capacidades técnicas e táticas tradicionais, capacitando o militar a enfrentar os desafios complexos e dinâmicos do campo de batalha moderno. A inteligência emocional desempenha papel crucial em contextos nos quais decisões rápidas, liderança eficaz e gestão do estresse são fundamentais para o desempenho operacional e para o bem-estar da tropa.

Por fim, mas com importância ímpar, dominar e estudar o processo decisório é uma habilidade que, aliada ao pensamento crítico e criativo, contribui para que as decisões sejam tomadas com base nas melhores opções possíveis, sendo adaptáveis e eficazes, mesmo em condições desafiadoras e imprevisíveis. Considerando os desafios do ambiente operacional moderno, torna-se cada vez mais valiosa a capacidade de quebrar paradigmas e abrir espaço para a construção de soluções militares inovadoras para problemas cada vez mais complexos.

Esta reflexão sobre as competências desejáveis ao adjunto de comando não esgota o tema. A ampliação para outros domínios é extremamente recomendada, podendo-se destacar também: gestão de conflitos, comunicação, legislação militar e, quem sabe, o domínio de uma linguagem moderna que se adeqúe às novas tecnologias. O domínio dessas competências pode ser o caminho para que o adjunto de comando, por meio de seu assessoramento, influencie positivamente as tomadas de decisão, contribuindo sobremaneira para o clima organizacional.

*Subtenente do Exército, adjunto de comando do Departamento Geral do Pessoal (DGP)

EBlog – Edição: Montedo.com

Respostas de 22

  1. Sou um entusiasta da função, afinal, ela está presente há décadas nos exércitos mais modernos pelo mundo afora.
    Porém, as deliberações destes representantes têm que ser acolhidas pelos Altos Comandos!
    A principal delas, remuneração, ainda não tem sido implementada.
    A graduação de ST/SO deve ser Valorizada e ser o teto remuneratório dos Praças com soldo equivalente ao soldo de capitão ou Major! ISSO É VALORIZAÇÃO!!!

    1. sim, uma coisa certa. não queremos atingir qaolato, mesmo com chqao.

      chqao é uma competição entre praças. na epoca eu nao queria apenas minha vaga. 5 anos depois que passei as praças tem competido praacumular pontos.

      um soldo de primeiro tenente para um sub já seria satisfatório.

  2. Pobre coitado, mal sabe que nenhum recruta quer ser sargento! Concurso da ESA virou armadilha para pobre. E ainda esses adjuntos de comando, vulgo cinzeiros de moto ou buzinas de avião, querem que tenhamos orgulho de sermos sargentos? Qual é a impo de um sargento para o Exército? Somos massa de manobra para os oficiais cagarem nas nossas cabecas!

  3. Como um STen vai poder ” brigar” por praças tendo que ser ” avaliado” para ser promovido a QAO? Vai se dispor com o ” Sistema”? Senhores não desmerecendo o Cargo, mas e mais uma vez mais uma algema na vida do Praça!!!

    1. Excelente, como vai brincar pelos praças se ele está preso no conceito para ser promovido, tá mais certo o Adj Cmdo queimar o praça do que reivindicar algo para carreira, só acredita quem quiser. Por vim, ouvi falar q o Adj Cmdo disse que não tem clima pra pedir algo para melhorar o soldo, para as forças armadas nunca terá clima, nem com esse governo nem com o próximo, porque o Brasil está quebrado.

  4. Parafraseando emmanuel joseph sieyes, com adaptações:
    O que é o Adjunto de Comando? Tudo.
    O que tem sido até agora? Nada.
    O que ele pede? Ser alguma coisa.

  5. A Função do Adjunto de Comando na Gestão do Exército: Agente Administrativo e Capacitação Legal

    O Adjunto de Comando (Adj Cmdo) é uma função de confiança e alta gestão que representa o ápice da carreira do graduado (geralmente Subtenente/Suboficial), atuando como o principal assessor e elo entre o Comandante com o universo das praças.

    Embora sua atuação exija uma grande amplitude de conhecimento, maturidade profissional e liderança moral — utilizando competências como pensamento sistêmico, inteligência emocional e domínio do processo decisório — ela não extrapola legalmente as funções de praça, pois se limita ao assessoramento e à gestão de recursos humanos, e não ao comando, chefia ou direção (prerrogativas exclusivas dos Oficiais, conforme o Estatuto dos Militares, Art. 34 e Art. 36).

    1. Enquadramento Legal como Agente da Administração

    O Adjunto de Comando é, funcionalmente, um Agente da Administração do Exército, conforme o Regulamento de Administração do Exército (RAE, EB10-R-01.003):

    * Ele se enquadra na definição genérica de Agente da administração (Art. 2º, VI), sendo um militar que “planeja, executa, participa ou controla atividades de gestão […] de recursos humanos”.

    * Sua missão de assessorar o Comandante (Dirigente Máximo) na gestão de pessoal o insere na categoria de militares e servidores públicos civis em geral ou de pessoas com competência atribuída para exercer atividade administrativa (Art. 21, XVII e XXI).

    Sua função é essencialmente de Estado-Maior Especial (Staff), fornecendo informações e análises para as decisões do Comando . Ele não assina ordens de natureza administrativa ou orçamentária em nome da OM, garantindo a segregação de funções e evitando conflito com os agentes administrativos principais (como o Ordenador de Despesas).

    2. Obrigatoriedade da Orientação da SEF

    A orientação da Secretaria de Economia e Finanças (SEF) é legalmente obrigatória em relação às atribuições e à capacitação exigida para o Adjunto de Comando e demais agentes que exercem funções administrativas.

    O RAE estabelece claramente em seu Art. 21, Parágrafo Único:
    “As atribuições dos agentes da administração e a capacitação exigida para o exercício dessas funções serão reguladas pela Secretaria de Economia e Finanças (SEF).”

    Embora o Adjunto de Comando não esteja listado nominalmente entre os agentes principais do Art. 21, ele se enquadra na definição mais ampla de Agente da Administração por participar ativamente da gestão de recursos humanos. Portanto, a SEF tem a competência legal e o dever de emitir as regulamentações complementares que detalham a capacitação técnica e o escopo de atuação necessários para o exercício dessa função de gestão e assessoramento, garantindo que o militar designado possua a qualificação adequada para a complexidade do cargo.

  6. Incrível como ainda insistem em tapar o sol com a peneira. Não adianta mais.

    Lá atrás, no início da implantação desse cargo, dava até para tentar nos enganar. Mas agora depois de presenciarmos o que faz mesmo essa função na OM…

    Para ajudar a desenhar: adjunto de comando no eB só tem uma única finalidade: elducorar o currículo daquele investidoo no cargo para chegar ao topo da carreira. E nada mais.

    O resto, narrativas ao vento igual ao texto desse Adj Cmdo lá da “corte”.

  7. Ia esquecendo: o Adj Cmdo da minha OM se esconde das praças. Não quer se envolver em nada.

    Avisou logo no início, e sempre lembra disso, para ninguém o procurar e nem levar problemas para ele.

    É isso.

  8. O que fazem para seus chefes, não fazem para sua família. Depois de alguns na reserva, ainda encontro alguns daqueles na marcação de consulta, que na sala vip, para seus padrinhos.

  9. O artigo apresenta uma reflexão relevante sobre o papel do adjunto de comando e as competências necessárias para o exercício dessa função. No entanto, sua construção sofre com excessiva repetição e a ausência de exemplos práticos. O texto insiste diversas vezes em afirmar que o adjunto de comando possui “experiência consolidada”, “contato permanente com a tropa” e “capacidade de assessoramento”. A ideia de que o adjunto deve estar alinhado ao comandante e compreender sua intenção aparece em diferentes trechos, mas sem acrescentar novas perspectivas. Essa redundância gera uma sensação de circularidade, em que os mesmos conceitos são retomados sem aprofundamento. Apesar de citar sargentos históricos como referências, o texto não apresenta situações contemporâneas que ilustrem como o adjunto de comando atua na prática. Não há menção a cenários reais, como missões internacionais, operações conjuntas ou gestão de crises modernas, que poderiam demonstrar a aplicação concreta das competências listadas. A ausência de casos atuais enfraquece a argumentação, pois o leitor não consegue visualizar como os conceitos se traduzem em ações efetivas no cotidiano militar.

  10. Pra que essa função inútil funcionasse, a gente devia ter trocado de Exército antes.

    Alguém realmente pensou que esse exército elitista iria admitir alguma função parecida com o Sargeant Major?

    o adj Cmd da minha om é apenas pajem velho do comandante, só isso.

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