Exército como carcereiro de Bolsonaro se choca com o passado

Fac-símile da capa do "Noticiário do Exército" de 25/02/1988 sobre Bolsonaro

 

Os motivos para o Exército não se oferecer como carcereiro de Bolsonaro
Ex-presidente já foi classificado como indigno para a vida militar

 

Francisco Leali
A contagem regressiva para a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro já começou. Não é mais questão se vai, mas quando vai para cadeia.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que condenou Bolsonaro, ainda não abriu o jogo para onde pretende mandar o condenado. Os derradeiros recursos estão na reta final e o magistrado tem o poder de indicar o local e a forma de cumprimento da pena.

Os problemas de saúde do ex-presidente têm sido apresentados como a razão maior para não submetê-lo à crueza de uma penitenciária. Há ainda a questão do cargo que ocupou.

Como ex-presidente, tem status de pessoa politicamente sensível. Preso, é responsabilidade do Estado assegurar sua segurança. Se algo ocorre a um detento com esse currículo a confusão está posta. E a responsabilidade é toda do próprio Estado.

As alternativas até aqui postas começam por deixar Bolsonaro onde já está: preso em casa. Outro destino aponta para uma cela especial num setor da Papuda em Brasília em que estão detidos apenas policiais condenados. Celas da Polícia Federal também poderiam ser o destino de Bolsonaro, como já foram de Lula.

Mas como foi capitão do Exército brasileiro, o ex-presidente poderia também ser recebido pela força militar e ali alojado em dependências especiais.

Há ainda a situação dos generais quatro estrelas também condenados. Estes, ainda que com a conduta recente reprovada em forma sentença criminal, estariam protegidos pelas normas militares com direito à prisão em dependências castrenses.

Já a questão que envolve a possibilidade de o Exército virar o carcereiro de Bolsonaro se choca com o passado do próprio Exército.

Vale mais uma vez relembrar: foi a força quem divulgou, em fevereiro de 1988, um manifesto por meio de seu Centro de Comunicação Social. O texto é do tempo em que o capitão Bolsonaro e um colega foram mandados para rua por atos considerados inadmissíveis a um militar.

“Conscientemente, faltaram com a verdade e macularam a dignidade militar”. “Tornaram-se, assim, estranhos ao meio em que vivem e sujeitos tanto à rejeição de seus pares como a serem considerados indignos para a carreira das armas”. As duas frases acima são do Exército. Nos idos de 1980, Bolsonaro fora classificado como indigno.

Noticiário do Exército de 1988 com menção a Jair Bolsonaro como indigno para a vida militar Foto: Reprodução via X
Neste 2025, o ex-presidente carrega a faixa de condenado por tentar um golpe de Estado. E o Exército pode escolher de que lado quer ficar e que mensagem pretende passar.

Pode acolher o ex-chefe das Forças Armadas bajulado por boa parte do oficialato que preferiu apagar a memória dos precedentes de indignidade; ou pode apontar que a caserna não tem lugar para tal pessoa.

Cabe lembrar que a escolha não é do Exército. É do relator do STF. Mas se a caserna se apresenta como um destino possível para Bolsonaro está, de novo, trazendo para si a responsabilidade por um personagem que, no passado, já provara que não respeitava a farda que vestia.
ESTADÃO – Edição: Montedo.com

Respostas de 8

  1. Pois é. Parece que os atuais generais não gostam muito de estudar a história do Brasil.

    Do contrário, não estariam sinalizando à justiça que tem quartel pronto para receber o ParMito quando determinada a prisão.

    Com essas atitudes, estão desrespeitando a memória dos generais de outrora, que tanto dizem reverenciar.

  2. Esse falso Messias deverá cumprir a sua condenação em presídio civil. Como dizia o então deputado federal JMB: “se não quer ir para o presídio, que não faça M”. E assim deverá ser feito.

    1. Vc não passa de um recalcado, não e questão de ser a ou b…Se o cara é um militar R1 é direito dele. ser preso em um presidio das FFAA. Se forças Armadas ou vc que ficar preso no complexo do Gericino.

      1. O importante é que seja PRESO. Depois, qdo perder a patente por ser condenado a mais de 2 anos, pode mandá-lo pra Bangu. É pouco para o maior TRAIDOR das praças, reserva e pensionistas.

  3. É bom lembrar, como causa de justificação, que nesta época já ia ser reajustado o salário do sgt pelo gatilho que tinha na época, relativo ao salário mínimo, tal era o descaso como os salários das fFAA. E este episódio do JMB foi o estopim, tiveram que corrigir os salários. Desculpem a intenção não foi provocar o sendo de ingratidão a alguns…

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