TCU constata fraude em licitação para atendimento de telemedicina pelo FUSEx na maior guarnição do Brasil

A BASE ADMINISTRATIVA DO COMPLEXO
DE SAÚDE DO RIO DE JANEIRO É SUBIRDINADA AO COMANDO DA 1ª REGIÃO MILITAR

 

Tribunal de Contas mandou abrir processo para apurar possível responsabilidades dos militares envolvidos

 

A empresa Medex Marketing Esportivo Ltda. foi declarada inidônea por três anos pelo Tribunal de Contas da União (TCU), para participar de licitações na administração pública federal, estadual, distrital e municipal que envolvam recursos federais.

Desde 2023, a empresa é responsável pelo teleatendimento dos usuários do Fundo de Saúde do Exército (FUSEx) na área da 1ª Região Militar, que abrange os estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro, onde se concentra a maior guarnição militar do Brasil.

Publicada na última terça-feira (18), a decisão do TCU veio após o recebimento de uma denúncia, que resultou na constatação de fraude na contratação da Medex pelo Exército para prestação de serviços de consultas on-line para o FUSEx.

A denúncia questionou a capacidade econômico-financeira da empresa, sugerindo que deveria haver divisão do objeto em lotes para aumentar a competitividade.

Segundo o Acórdão nº 2724/2025/TCU, a empresa inseriu informações inverídicas nos atestados de capacidade técnico-operacional no Pregão Eletrônico 52/2023, promovido pelo Exército para a contratação de serviços on-line.

Justificativas
A empresa alegou que o mútuo conversível estava regular e que a ausência de ata não configurava irregularidade.

Sustentou que a desproporção entre o mútuo e o capital social não indicava manipulação, considerando o valuation típico de startups.

Capital irrisório x Contrato milionário
O capital social da Medex era de apenas R$ 2.000,00, insuficiente para um contrato de R$ 56.112.000,00.

Irregularidades de atestados
A análise dos atestados de capacidade técnica revelou inconsistências, como valores por consulta inverossímeis.

15.500 consultas mensais???
A Medex apresentou atestados que indicavam 15.500 consultas mensais, mas a receita bruta não sustentava tal volume.

Sanções

Inidoneidade
O TCU determinou a inscrição da Medex Marketing Esportivo Ltda. (CNPJ 14.735.067/0001-89) no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (Ceis) por três anos, período em que a empresa estará impedida de  participar de licitação na administração pública, em todos os níveis.

Investigação de militares
O Tribunal determinou a abertura de um processo para examinar a conduta dos agentes públicos que atuaram na seleção e na contratação da Medex, tendo em vista a existência de indícios de que a empresa não cumpria os requisitos de qualificação para o pregão eletrônico.

A Medex
Segundo o site da empresa, ela foi criada em 2018 pelo empreendedor e ex-atleta carioca Paulo Campos, tendo como diferencial o uso da tecnologia, e oferece negócios assistenciais e não assistenciais para operadoras de planos de saúde e outras empresas do segmento.

Em seu perfil no LinkedIn, Paulo Campos se apresente como empreendedor e ex-atleta, graduado em Educação Física, com MBA em Empreendedorismo e Desenvolvimento de Novos Negócios pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e mestrado em Medicina do Esporte.

Boca no trombone
Na plataforma ReclameAQUI, existem inúmeras denúncias tanto de usuários como de médicos contratados. Alguns exemplos:

Agendamentos e consultas

“Agendamento horrível.
Quando se consegue agendar..
Não consegue o atendimento com o profissional.. .
E para fazer consulta presencial é também uma vida .
Infelizmente a administração da saúde é péssima em qualquer unidade militar.”

“Marquei minha consulta com a devida antecipação.
Ao entrar com 10 min de antecedência, o sistema dá erro, não consigo entrar na consulta e tenho que remarcar para 15 dias depois.
Não há nenhum canal de atendimento para a tratativa de erros.
Nenhum telefone, nada. Simplesmente perde-se a consulta e fica por isso mesmo.”

 

Atraso no pagamento de médicos

“Sou médico cardiologista e estava atendendo pela MEDEX, que atende diversos convênios, inclusive a Klini, e fui desligado do quadro de médicos em novembro/2024, sem qualquer explicação ou consideração. O agravante é o fato de não terem me pagado uma nota fiscal eletrônica referente aos serviços prestados em outubro, e nem terem se manifestado sobre os atendimentos realizados nas 2 primeiras semanas de novembro/2024. Somando todo salário em atraso, totaliza perto de 7 mil reais, e todos os contatos que tenho da MEDEX (celular, WhatsApp, telefone fixo, email) permanecem sem retorno.

Percebemos que esta empresa não valoriza nem seus clientes, nem seus prestadores de serviço, ao desprezar a resolução de qualquer conflito.

Aguardo manifestação da empresa por via administrativa o mais breve possível.”

“Se essa empresa é a MEDEX, do fundada educador físico Paulo Campos, refere-se a uma empresa que presta atendimento por telemedicina para vários convênios médicos, como Klini Saúde, Exército Brasileiro, etc.

Trabalhei nesta empresa por cerca de 1 anos, e os meus pagamentos de OUTUBRO E NOVEMBRO, estão em aberto. Totalizam algo em torno de 7 mil reais, e todos os contatos que tenho dessa empresa, não me respondem.

Aguardo a resolução administrativa dessa demanda e alerto aos colegas médicos para não se aventurarem a atender esse convênio.

Serão explorado por administradores inescrupulosos e que não valorizam o o material humano da empresa.”

Leia na  íntegra o acórdão do TCU
Acórdão 2724 de 2025 Plenário FUSEX TELEMEDICINA

 

Respostas de 11

  1. Todo militar veterano e pensionista pode acessar sua Ficha Financeira do FUSEx, por intermedio do site http://www.dsau.eb.mil.br para acompanhar os lancamentos. O processo e muito simples, acessa o site e cria uma senha, para acompanhar suas despesas, estao elencadas mensalmente, clicando na lupa a direita, verifica-se o detalhamento. Na minha ficha, Tive lancamentos de despesas que foram atemporais, passei meses sem fazer nenhuma consulta e do nada apareceram valores para desconto nos contracheques de novembro e dezembro, o que evidencia que existem falhas durante os lancamentos. Erros acontecem, o ser humano nao e imune a falhas, entao, comecei a fotografar as guias e implementei um controle pessoal paralelo, para acompanhar os lancamentos efetuados, para contestacao, se for o caso.

  2. Sei que o assunto já foi tratado, mas não resolvido. Por que na guarnição do Rio não se tem tantos convênios como em outras guarnições? Para chegar no HCE é uma tortura de onde moro. Leva entorno de 2h. TIve que sair do estado onde moro para fazer um tratamento em outra guarnição. Digo: o tratamento foi mais do que esperava. As guias externas foram autorizadas sem problemas. A cada ano vou e faço um check up geral, sem problemas. Uma maravilha. Cadê o CMT? Amigo daquele amigo do amigo.

  3. Enquanto isso o Sistema Sisfron nas fronteiras, sem plano de ser concluído, ópera somente 30% da sua capacidade, sem a integração de Exército e PF, e a Polícia Militar Brasileira atua como se fosse uma força Nacional, adestrando no estrangeiro varrendo o chão a bala atrás de narcotraficantes. Na Fronteira do RR por exemplo, a única Força letal presente é da Polícia Militar para o enfrentamento das facções, se tirar a PM da cidade de fronteira, ficam somente as facções.
    E agora mais essa fraude de licitações, já não bastam os investimentos milionários em algo que não tem previsão para ser concluído, deixando as fronteiras abertas para as facções, alguns Governadores estão certos em não aceitarem esse engodo federal, pois sabem que no dia a dia são as polícias estaduais que atuam diretamente contra o crime organizado.

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