Entrada de venezuelanos dispara enquanto o regime do ditador Nicolás Maduro reforça ações militares e amplia a instabilidade na região do Caribe
Pedro Taquari
A fronteira entre Brasil e Venezuela registra um aumento expressivo de imigrantes venezuelanos, justamente em meio a uma escalada militar no Caribe.
Dados do Observatório de Migrações Internacionais (OBMigra), ligado ao Ministério da Justiça, mostram que entre janeiro e setembro deste ano quase 148 mil venezuelanos entraram no país, enquanto pouco mais de 71 mil deixaram o Brasil, um saldo migratório positivo relevante.
O ápice desse movimento coincide com a intensificação das operações militares americanas na região marítima próxima às rotas usadas por grupos suspeitos de tráfico.
Em agosto, por exemplo, teriam chegado aproximadamente 13 mil venezuelanos ao Brasil, enquanto as saídas foram da ordem de 7 mil.
Já em setembro, logo após um bombardeio atribuído pelos EUA a embarcações ligadas ao narcotráfico, esse fluxo saltou ainda mais, cerca de 18,5 mil entradas contra 8 mil saídas registradas.
O registro de pedidos de refúgio segue na mesma trajetória, nos meses mais turbulentos, agosto e setembro, quase 16 mil venezuelanos formalizaram pleitos de proteção no Brasil, o que consolida a Venezuela como uma das principais fontes de requerentes de refúgio no país.
Uma parte significativa desse contingente se dirigiu a Roraima, estado que faz fronteira direta com a Venezuela, mais de 74 mil imigrantes teriam ingressado por ali no acumulado do ano, segundo dados oficiais.
A Operação Acolhida, criada em 2018 para auxiliar refugiados venezuelanos, contabilizou 15,3 mil pessoas acolhidas apenas em locais como Pacaraima e Boa Vista.
Paralelamente, a tensão militar não é apenas simbólica, os EUA teriam deslocado navios de guerra, caças F-35 e até o porta-aviões USS Gerald R. Ford para a região.
Washington afirma que a presença busca combater redes de narcoterroristas supostamente ligadas ao regime ditatorial de Nicolás Maduro.
Já o regime de Maduro, classificado por críticos como uma ditadura, responde com manobras próprias.
Há registro de exercícios militares na fronteira com o Brasil, inclusive com mobilização de civis armados em milícias.
Além disso, o governo venezuelano fechou temporariamente a fronteira de Pacaraima para a realização destes exercícios, o que gerou apreensão por parte do Brasil.
Do lado brasileiro, as autoridades demonstram preocupação, o ministro da Defesa alertou para o risco de que a instabilidade venezuelana se torne uma “trincheira” na fronteira, dizendo que o país não pode permitir que sua região Norte vire palco de crise bélica.
DIÁRIO DO PODER – Edição: Montedo.com