Barreira foi formada com os 96 mais bem treinados da tropa; autoridades garantem que estratégia era prender traficantes
Vera Araújo
A estratégia das forças de segurança pública ao planejar a megaoperação no Complexo da Penha, no último dia 28, era criar uma linha de defesa. Para isso, agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) se posicionaram no alto da Serra da Misericórdia, que separa a Penha do Alemão, impedindo a fuga de traficantes de um lado para o outro. Quando o setor de inteligência da unidade especial da Polícia Militar esquadrinhava sua área de atuação no mapa, surgiu a ideia de apelidar a barreira humana de “muro do Bope”. A ação foi a mais letal da história do Rio, com 121 mortos, incluindo quatro policiais — dois do Bope e dois da Polícia Civi —, e durou 17 horas. Para o governador Cláudio Castro, a megaoperação foi um sucesso. Entidades de direitos humanos, no entanto, criticaram o grande número de mortos. O secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos, garante que os policiais subiram as favelas com o objetivo de cumprir mandados de prisão.
— A estratégia do muro do Bope era evitar que os criminosos fugissem para o Alemão, o que causaria instabilidade. Sabíamos que havia cerca de 400 bandidos de cada lado. O Bope mandou seus 96 policiais mais experientes para formar essa linha. Era a elite da elite do batalhão — disse o secretário.
Curso de Caveira
Os integrantes da tropa de elite que participaram do muro têm entre 35 e 40 anos. Todo policial do Bope realiza o Curso de Ações Táticas, que os torna aptos a operar em ambientes de combate urbano. Outra especialização é o Curso de Operações Especiais, conhecido como curso de caveiras, símbolo máximo do Bope. A ideia dos treinamentos é submeter os policiais ao estresse e ao cansaço, testando seus limites para que, mesmo em ambiente hostil, consigam tomar decisões imediatas e precisas.
A experiência já havia mostrado que, ao entrarem pelos acessos da parte baixa da Penha, os bandidos sempre fugiam para as trilhas da Serra da Misericórdia. Ali, haviam construído casamatas e trincheiras com pedras retiradas de uma pedreira existente no local, conhecida como Vacaria, onde o confronto foi ainda mais violento e onde a maioria dos corpos foi encontrada.
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Segundo o secretário, o cenário enfrentado pelos policiais foi de guerra:
— Quando é que você já viu uma unidade do Bope ir para a mata levando máscara de gás? Isso desmistifica essa história de que a polícia foi lá para matar. Ninguém sai para matar levando gás lacrimogêneo, arma não letal. Ao contrário dos bandidos, que, em sua maioria, estava com fuzis calibre 7,62, de grande potência. Quem quis se entregar foi preso, mas muitos optaram pelo enfrentamento.
Resgate do primeiro policial do Bope baleado no Complexo da Penha
Para entrar no Complexo da Penha, coube à Polícia Militar criar um cinturão de proteção para os policiais civis, que tinham a missão de cumprir cerca de cem mandados de prisão nas favelas da Chatuba e da Vila Cruzeiro. Ao todo, 99 foram presos, mas só 17 eram procurados. Ao contrário do que se imagina, a operação não tinha como alvo o Alemão e sim o Complexo da Penha. Tanto que acessou a Vacaria pela Rua Ministro Moreira de Abreu, utilizando um trecho conhecido como Caminho do Orlando Jogador, apelido do traficante Orlando da Conceição, chefe do Comando Vermelho que foi assassinado em 1994. Esse ponto fica justamente do lado do Alemão.
Enquanto o Bope permanecia na parte mais alta, o 3º BPM (Méier), o 41º BPM (Irajá), o Batalhão de Choque, o Grupamento de Intervenção Tática da UPP do Alemão e o Batalhão de Ação com Cães (BAC) cuidavam dos acessos. A situação mudou quando os primeiros policiais começaram a ser atacados por criminosos vestidos de preto ou com roupas camufladas — nas mesmas cores das tropas policiais —, escondidos em casamatas. Para se diferenciarem no campo de batalha, o Bope usava braçadeiras verdes. Já os criminosos, fitas vermelhas presas à roupa ou ao fuzil. A mesma tática é usada pelo Terceiro Comando Puro (TCP), que adotou a cor amarela.
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Os primeiros a serem atingidos foram policiais civis — entre eles Rodrigo Velloso Cabral, com apenas 40 dias de corporação, e Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, o Máskara, chefe de investigações da 53ª DP (Mesquita), além do policial militar do BAC Walner Santana. Pelos radiocomunicadores dos integrantes do Bope, o pedido de prioridade para o salvamento dos agentes acuados não parava de soar. Foi o momento em que o “muro” precisou ser parcialmente desfeito. Era hora de socorrer três equipes da Polícia Civil, que também receberam apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).
— Foi a operação mais selvagem que uma força policial do Brasil já enfrentou. Lá fora, quem lida com isso são as Forças Armadas — comentou um experiente policial.
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Torniquete sob tiros
Ao se deslocar com seu grupo para o resgate, sob uma saraivada de tiros, o cabo Ricardo Oliveira, de 34 anos, com sete anos na PM, foi o primeiro da tropa de elite a ser ferido — atingido na coxa.
— A nossa preocupação é com os nossos irmãos. Tomei o tiro e fui me arrastando de costas até um lugar mais seguro. Fiz eu mesmo o meu torniquete, até que surgiu o sargento Serafim (Cleiton Serafim Gonçalves), da minha equipe. Ele fez o segundo torniquete. Foi a mão de Deus naquela hora — contou Oliveira ao GLOBO.
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Os paramédicos chegaram e o levaram em uma maca compacta, apelidada de “cesta alpina”. A vítima foi conduzida até o ponto onde o blindado estava parado, impedido de subir pelas barricadas erguidas pelos bandidos. Após ser estabilizado — já que o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, vivia um cenário de caos, recebendo os feridos mais graves —, o cabo, que permaneceu lúcido, foi levado de ambulância para o Hospital da Polícia Militar.
Ao chegar ao hospital, ele recebeu a notícia de que os sargentos Heber Carvalho da Fonseca e Cleiton Serafim, que o resgatara, morreram.
— Fiquei desolado. Quando cheguei em casa, após dois dias de internação, abracei meu filho de 3 anos. Ao contrário de mim, meus dois colegas não tiveram a mesma oportunidade — lamentou.
O GLOBO – Edição: Montedo.com
Respostas de 12
Aprendam com os verdadeiros guerreiros.
fFAA tem que comer muito feijao ainda
Advinha com quem o BOPE aprendeu… martelo e bigorna é mais antigo que KH sentado.
Pena que nas FFAA é so na teoria e na caixa de areia da amam.
Lembra daquela cena patética dos bandidos fugindo nesse mesmo local e a globo filmando, na GLO do temer?
Tiroteio não. Somos de paz. Deixe os meninos fugir.
Kkkkkkkk aprenderam com quem? PS desmaiadores kida pretos? Deixa de ser recalcado
Depois vem os militares das forças armadas, querendo ganhar igual ou mais do que os policiais.
Só porque fazem: pinturas, capinas varreduras, formaturas, corridoës.
Os policiais (PF, PRF, PM e PC) lutam uma guerra civil contra o crime organizado desde os anos 1980 da década passada. Eles merecem salários dignos pois realizam a atividade-fim diuturnamente. Com raríssimas exceções, os militares das FFAA fazem TFM centralizado,inspeções de Vtr, treinamento de canções militares, marchas, formaturas rolhas (verificação dos padrões de ordem unida), aprontos operacionais, respones, faxina (pintura de meio fio, corte de mato, cricri, limpeza das calçadas, limpeza das alamedas, limpeza dos banheiros) e alinhamento dos beliches e armários dos aloj dos Of/ST/Sgt/Cb/Sd.
👏👏👏👏
kkkk….realmente….Falou tudo
Estamos muito atrasados em relação as forças policiais. Seria interessante mudarmos a nossa doutrina mas a cabeça das nossas crianças mimadas nao querem.
Elas querem as honras militares e os coqueteis.
So vao descobrir que nao sao autoridade nenhuma, que esse titulo deram eles pra eles mesmos igual o napoleão do hospício na reserva
Heróis sem capa.
REALMENTE, lendo o texto é algo de arrepiar, a atuação da polícia militar numa situação como essa vai além da guerrilha urbana local, que Acontece em diversas cidades, se tornou algo de âmbito nacional, onde os especialistas fajutos se manifestam, os direitos humanos de bandidos se manifestam, as ideologias da esquerda se manifestam, e os únicos que arriscam a vida são os policiais, que com treinamento árduo vão para a linha de frente recuperar a honra, na qual qualquer vagabundo ousa desafiar a ação policial por Fraqueza do Estado e por canalhice e covardia do governo federal. Sem falhar na sociedade, a qual está acostumada a cometer corrupção ativa, que inclusive atinge os agentes na ação passiva, de forma alarmante.