66% defendem mudança em lei para mais responsabilidade do governo federal no tema
Para 72%, Forças Armadas deveriam ter participado da Contenção, ação policial mais letal do país
Lucas Lacerda
São Paulo – Em meio à repercussão da operação Contenção, a mais letal já registrada no Brasil, com 121 mortos, 76% da população da cidade do Rio de Janeiro e da região metropolitana da capital fluminense acham que o Exército deve atuar na segurança pública.
Parcela parecida, de 72%, acha que a ação deveria ter contado com a participação das Forças Armadas, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (1º).
A pesquisa ouviu 626 pessoas com 16 anos ou mais de idade por telefone na cidade do Rio de Janeiro e na região metropolitana da capital, nos dias 30 e 31 de outubro. A margem de erro da pesquisa é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.
Para 66%, a legislação atual deveria ser alterada para aumentar as responsabilidades do governo federal na segurança pública. Entre quem achou a operação Contenção mal executada, 77% são favoráveis à mudança.
Além disso, 55% das pessoas que votaram em Jair Bolsonaro (PL) em 2022 também expressam essa opinião, considerando margem de erro de seis pontos percentuais para mais ou para menos. O ex-presidente é aliado do governador fluminense, Cláudio Castro (PL). Entre os eleitores de Lula, com margem de erro de sete pontos percentuais, o índice vai a 75%.
A discussão sobre competências do Estado e da União na segurança pública também esquentou com as queixas de Castro sobre a falta de apoio do governo federal, que iniciaram uma troca de acusações. O governador afirmou ter pedido em janeiro deste ano blindados da Marinha para operações, o que teria sido negado dada a necessidade de uma operação de GLO (Garantia da Lei e da Ordem), descartada pelo governo federal.
Dois soldados armados em uniforme verde estão em patrulha em uma rua residencial, com veículo blindado estacionado atrás deles. Três mulheres caminham pela calçada à direita, em ambiente urbano com casas e fiação aérea visíveis.Dois soldados armados em uniforme verde estão em patrulha em uma rua residencial, com veículo blindado estacionado atrás deles. Três mulheres caminham pela calçada à direita, em ambiente urbano com casas e fiação aérea visíveis.
Dentre os 40% que aprovam a gestão Castro como ótima ou boa, 86% acham que o Exército deveria participar da segurança pública no Rio. Para os 34% que consideram a gestão ruim ou péssima, a parcela é de 64% a favor.
Entre os que avaliaram a operação como muito bem executada, a parcela favorável à participação da força no tema é de 84%, indicador similar a quem reconheceu uma execução regular, com falhas (83%).
O histórico de participação do Exército na segurança pública do Rio tem ocasiões como as operações durante a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 e a intervenção federal na segurança em 2018, comandada por Walter Souza Braga Netto, depois integrante do governo Bolsonaro. Isso sem considerar ocupações na região onde ocorreu a operação Contenção —Alemão e Penha— em diferentes momentos, como em 1995 e 2010.
Episódios de violência também marcaram a atuação do Exército na cidade. No ano passado, o STM (Superior Tribunal Militar) decidiu reduzir em até 28 anos as penas dos oito militares do Exército envolvidos no assassinato do músico Evaldo Rosa dos Santos e do catador Luciano Macedo, em abril de 2019. Eles dispararam 257 tiros contra os dois. O episódio foi um dos que marcaram o período na cidade.
O ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Lula, Ricardo Lewandowski, chegou a afirmar que Castro deveria assumir as responsabilidades ou ‘jogar a toalha’, dias antes de os dois anunciarem a criação de um escritório para o combate ao crime organizado no Rio.
Já o governador tem defendido o sucesso da operação e criou, com aliados do Executivo de outros estados, o “Consórcio da Paz”. A avaliação positiva sobre a operação tem o apoio de 38% da população.
FOLHA – Edição: Montedo.com
Respostas de 7
É óbvio que eles querem! Com a PM é um papo ou esculacho. Eu participei da ” pacificação”. Tudo teatro e acordo político. EB é só operação presença. Os Oficiais ficam comendo pizza na base da coca cola e as praças tirando 4/H de 6h na porra daquele morro. Serviço inútil. A população quer o EB pq tem bom dia morador, tudo bem? Sou do EB, posso te revistar. Fora que o tráfico como solto.
Querem as Forças Armadas porque sabem que elas têm armamentos e não atiram, são desgastados e agredidos verbalmente e não prendem.
Já vimos esses filmes antes, tropas das forças armadas sendo chingados e expulsos durante patrulhas nas rua, alamedas e vielas de comunidades.
** são desgastados = são *desacatados*
Se eles soubessem que essas armas são para continência da guarda apenas kkkk
O que tem de vídeo nas redes de “morador” esculhambando os militares nas patrulhas durante a pacificação não tá no gibi! Melhor que fiquem com a PM mesmo.
Adoro essas pesquisas feitas pra dizer o que convém a quem pagou.
Tem que colocar esses militares das forcas armadas na rua. Ficam no quartel tirando servico, varrendo, pintando e fazendo formaturas.