Militar mørrε em Base Aérea do Rio; família questiona silêncio da FAB

Bruno Guimarães Ferraz, encontrado morto em Base Aérea da FAB, na zona oeste do Rio, em 13 de outubro de 2025
Imagem: Arquivo pessoal

 

FAB não custeou traslado do corpo, velório e enterro, dizem familiares

 

Luís Adorno, Do UOL, no Rio
O militar Bruno Guimarães Ferraz, 20, morreu durante o trabalho, na madrugada da última segunda-feira, na guarita da Base Aérea dos Afonsos, na zona oeste do Rio de Janeiro. A declaração e a certidão de óbito, obtidas pelo UOL, não explicam a causa da morte. A família afirma que não recebeu apoio e informações da FAB (Força Aérea Brasileira).

O que aconteceu
Duas informações, não oficiais, foram relatadas para a família. A primeira, de que o jovem foi encontrado morto no chão da cabine na hora da troca do turno. A segunda, de que encontraram o militar passando mal e o levaram para o Hospital da Base Aérea. De acordo com a certidão de óbito, são necessários exames complementares para atestar a causa da morte. A família diz que Ferraz era um jovem saudável.

A FAB informou, por meio de nota, que abriu um processo administrativo para apurar o que aconteceu. Segundo a instituição, o procedimento interno tem como objetivo tomar as medidas cabíveis no âmbito militar. A FAB disse colaborar com as investigações policiais, lamentar profundamente o que ocorreu e que presta apoio aos familiares (leia a íntegra abaixo).

Familiares se dizem sozinhos desde a morte de Ferraz. A técnica de enfermagem Maisa Guimarães Viana e Viana, 47, tia do jovem, diz que a mãe do rapaz foi chamada para o hospital. Ao chegar, “teve que insistir muito para saber o que aconteceu”. De lá para cá, afirma que a mãe recebeu apenas uma ligação de uma tenente oferecendo apoio psicológico.

Forças Armadas não custearam traslado do corpo, velório e enterro. Segundo Maisa, a família, que mora em Magé, na Baixada Fluminense, gostaria de enterrá-lo na cidade. Militares informaram para a família que a FAB pagaria apenas se o corpo fosse enterrado na capital fluminense. “Ninguém se disponibilizou para representar a instituição”, afirma.

“Avisaram que ele tinha falecido e não deram nenhuma satisfação, como horário e motivo. Mandaram ir no quartel onde ele servia para pegar as coisas dele. Lá estava tudo lacrado, inclusive celular e o armário. Só entregaram a carteira de militar para dar entrada no processo de sepultamento.”
Maisa Guimarães, tia de Bruno Ferraz

Uma parente reconheceu o corpo duas vezes: na Base Aérea e no necrotério. Quando fez o reconhecimento na base, a parente afirma que, enquanto olhava, militares diziam que não havia marcas de tiro, facada ou qualquer característica que indicassem que Ferraz foi morto por alguém. Na funerária, funcionários do local reforçaram a tese.

Ferraz era de uma família repleta de militares. Maisa contou que seu marido e seu filho, cunhados e sogro foram do Exército. Mesmo com conhecimento militar, a família se sente abandonada: “A gente não conseguiu resolver nada. Ninguém falou nada”, diz.

Leia a nota da FAB sobre o caso

“A Instituição lamenta profundamente o ocorrido e reforça que está prestando todo o apoio necessário à família do militar. Foi instaurado um procedimento administrativo para apurar os fatos e tomar medidas cabíveis no âmbito militar. A FAB acompanha o caso e colabora com as investigações policiais.”

UOL – Edição: Montedo.com

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