Mundo em alerta: Financial Times revela plano de Trump para derrubar Maduro com ‘poderio militar e guerra tática’

Donald Trump e Nicolás Maduro. Fotos: KAMIL KRZACZYNSKI e Federico PARRA / AFP

Reportagem do jornal britânico aponta mudança de atuação da missão americana no Caribe, que passa de combate ao narcotráfico para operação de desestabilização do regime chavista.

Raul Holderf Nascimento
Uma ampla reportagem publicada neste sábado (19) pelo Financial Times revela que o governo do presidente Donald Trump alterou o eixo da missão militar norte-americana no Caribe. Antes centrada no combate ao tráfico de drogas, a operação agora mira a saída forçada do ditador Nicolás Maduro e de sua cúpula, segundo fontes da oposição venezuelana e analistas ouvidos pelo jornal britânico.

O envio de navios de guerra, caças e tropas especiais à região é descrito como a maior movimentação militar dos EUA na costa venezuelana em mais de 30 anos. Oficialmente, a ação começou como uma ofensiva contra embarcações suspeitas de tráfico. Apesar da rota inicial, de acordo com o FT, o manejo evoluiu para pressionar psicologicamente o alto escalão chavista, forçando renúncias ou entregas negociadas, sob ameaça de ações militares cirúrgicas.

Maduro vira alvo direto de captura
A reportagem afirma que o plano-mor envolve capturar Maduro de qualquer maneira, esteja ele vivo ou morto. Vanessa Neumann, empresária do setor de defesa e ex-representante da oposição com ligações no alto escalão de segurança dos EUA, afirmou ao jornal que a diretriz atual é clara: “Captura e remoção de Nicolás Maduro de qualquer maneira”. Fontes do Financial Times indicam que o presidente Trump tem evitado discutir oposição ao falar da Venezuela, com atenções voltadas aos resultados práticos. Um ex-integrante da Casa Branca ouvido pelo jornal disse que Trump “é um tático” e que a operação ainda está sendo moldada conforme as oportunidades surgem. O mandatário também teria confidenciado que Maduro “ofereceu tudo” para evitar uma escalada. “Ele não quer brincar com os Estados Unidos”, declarou.

Guerra psicológica e movimentação tática
O FT mostra que imagens de caças B-52, navios de guerra e helicópteros Black Hawk sobrevoando áreas próximas à Venezuela têm circulado nas redes sociais em larga escala, numa aparente operação coordenada para desestabilizar o regime de Maduro. Analistas citados pelo jornal enxergam nisso uma guerra informacional para elevar a tensão no círculo chavista.

Segundo relatos apurados pela reportagem, lideranças do regime venezuelano têm trocado de aparelhos celulares, alterado rotas noturnas de descanso e substituído os seguranças cubanos por novos agentes trazidos de Havana, em uma tentativa de escapar de monitoramentos e ações táticas.

Maduro tenta resistir, mas oposição aponta desgaste interno
Em resposta às ameaças americanas, Maduro ordenou exercícios militares em todo o país e iniciou uma série de visitas públicas em tom nacionalista. Apesar disso, o Financial Times mostra que empresários próximos ao regime descrevem um ambiente de paranoia e uma caçada a supostos traidores dentro das Forças Armadas e da polícia.

Um general venezuelano confirmou ao jornal que membros do governo têm se revezado entre cidades como Caracas, Valência e Maracay para evitar rastreamentos. Um policial ouvido relatou que há vigilância intensa sobre o que é dito nos corredores das instituições e nas redes sociais.

Forças Armadas frágeis e milícias
A reportagem indica que, apesar da retórica de força, os militares venezuelanos estão em más condições operacionais, com equipamentos sucateados e falta de peças. Ainda assim, Maduro conta com cerca de 1 milhão de milicianos armados, prontos para enfrentar uma eventual incursão.

O FT reporta avaliações distintas entre fontes ligadas ao chavismo e membros da oposição. Enquanto aliados do governo asseguram que o núcleo do regime segue coeso, opositores afirmam que parte da cúpula já considera entregar Maduro e negociar uma transição.

Maria Corina Machado, Nobel da Paz e possível sucessora
O Financial Times também menciona o papel de María Corina Machado, líder conservadora da oposição venezuelana, atualmente na clandestinidade. Recentemente laureada com o Prêmio Nobel da Paz, Machado é vista como possível líder de transição caso a queda de Maduro se concretize. Sua equipe aposta que a intervenção militar americana poderá abrir caminho para que Edmundo González, que é apontado como vencedor real das últimas eleições, assuma o governo com apoio internacional.

Risco de guerra civil
A matéria traz ainda a visão de empresários americanos com interesses na Venezuela. Um deles disse ao FT que Trump quer “petróleo, minerais e ouro”, e que sua prioridade é abrir o país para os investimentos dos EUA. Outros alertam que, sem um plano claro de transição, o país pode entrar em colapso, à semelhança da Líbia ou do Iraque após a intervenção ocidental.

Analistas da oposição rebatem, afirmando que a Venezuela não possui divisões sectárias que levem a conflitos prolongados. Para eles, o país tem maior coesão social e institucional que os exemplos citados.

Estados Unidos no Caribe
O Financial Times alerta que o tempo é um fator crítico para o alto escalão de Donald Trump. Manter tropas em estado de prontidão no Caribe custa caro e representa riscos logísticos, sobretudo em plena temporada de furacões, que vai até o fim de novembro.
CONEXÃOPOLÍTICA – Edição: Montedo.com

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