RS: família de tenente mΦrtΦ em quartel denuncia falta de informações e cobra transparência do Exército

Dentista, o 1º tenente Felipe Borsa Lago morreu em setembro enquanto estava de serviço (Foto:Arquivo Pessoal -Reprodução)

 

Oficial morreu em setembro enquanto estava de serviço

 

Mateus Ferreira
Diário de Santa Maria
A família do 1º tenente Felipe Borsa Lago, dentista do Exército Brasileiro, denuncia falta de transparência e de apoio institucional após a morte do militar, ocorrida entre os dias 15 e 16 de setembro de 2025, enquanto estava de serviço como oficial de dia nas dependências do Esquadrão de Comando da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, em Uruguaiana. As circunstância da morte do militar, que era natural de Santa Maria, não são conhecidas.

De acordo com o advogado José Roberto Bekmann, especialista em Direito Militar e representante da família, os parentes do tenente vêm enfrentando dificuldades para obter informações oficiais e acesso aos bens pessoais da vítima, que permanecem sob posse da unidade.

– A família, que está em luto avassalador, tem se dirigido ao quartel, mas recebe a constante alegação de que o militar responsável não está presente. O comandante sequer prestou a devida atenção ou ofereceu apoio institucional adequado – afirma o advogado.

Denúncia de silêncio e obstáculos
Segundo Bekmann, todas as tentativas de contato com o comando da unidade em Uruguaiana têm sido frustradas. E-mails enviados à assessoria jurídica e ao setor de protocolo teriam retornado como inexistentes, e ligações não foram atendidas.

A família também relata ausência de informações sobre as circunstâncias da morte e afirma não ter recebido os bens pessoais e o veículo do tenente.

– É constrangedor que uma família enlutada tenha que recorrer à Justiça e à imprensa para obter transparência sobre a morte de um militar que estava a serviço da pátria. O comando parece que se esconde e impede o acesso a informações que são de direito da família – declara o advogado.

Inquérito Policial Militar
Até o momento, a única medida formal confirmada é a instauração de um Inquérito Policial Militar (IPM), aberto no dia 16 de setembro, para apurar as circunstâncias do falecimento. O procedimento tramita inicialmente junto à 3ª Auditoria da 3ª Circunscrição Judiciária Militar (CJM), em Santa Maria, sob o Juízo das Garantias. Após essa fase, o caso será encaminhado à 2ª Auditoria da 3ª CJM, em Bagé, para continuidade.

Segundo o advogado da família, após a habilitação formal na investigação, o único contato recebido foi um e-mail do encarregado do IPM informando datas de depoimentos, sem detalhamento sobre o andamento do caso.

Posição do Exército
Em nota à imprensa, o Comando da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada em Uruguaiana, confirmou a abertura do inquérito e informou que o procedimento corre em segredo de justiça, conforme o artigo 16 do Código de Processo Penal Militar. A Brigada de Cavalaria Mecanizada destacou que o laudo pericial está sendo elaborado pelo Instituto-Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP-RS) e ainda não foi finalizado.

O comunicado também afirma que o inquérito está em fase inicial de juntada de documentos e provas, e que seria prematuro divulgar conclusões neste momento. O Exército assegurou que o acesso ao material já produzido está disponível à defesa da família, tanto pelo sistema eletrônico e-proc quanto fisicamente nas instalações do quartel.

“O Comando da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada solidariza-se com a família do militar falecido e reforça o intuito de esclarecer todos os fatos, de maneira imparcial e respeitando o devido processo legal”, diz trecho da nota.

Confira a integra da nota enviada pelo assessoria do Esquadrão de Comando da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada:

O Comando da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada informa que o Inquérito Policial Militar (IPM), aberto em 16 de setembro de 2025, na data do fato ocorrido, referente ao óbito do 1º Ten Felipe Borsa Lago, corre em segredo de justiça, tendo o sigilo do processo investigativo preservado a fim de se obterem todas as informações necessárias para o esclarecimento dos fatos, conforme o previsto no Art. 16 do Código de Processo Penal Militar (Decreto-Lei Nº 1.002, de 21 de outubro de 1969).

Os trabalhos atinentes à emissão do laudo pericial encontram-se sob a responsabilidade exclusiva do Instituto Geral de Perícias do RS, a fim de que sejam alcançadas a imparcialidade e a transparência na apuração dos fatos. Até o presente momento, o laudo ainda não foi finalizado.

Por fim, este Comando informa que o IPM está em fase inicial de juntada de documentos e provas, e é prematuro prestar quaisquer esclarecimentos conclusivos, além dos que a defesa da família já tem conhecimento, uma vez que o acesso ao material já produzido está à disposição via E-Proc e, fisicamente, nas instalações deste Quartel-General.

O Comando da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada solidariza-se com a família do militar falecido e reforça o intuito de esclarecer todos os fatos, de maneira imparcial e respeitando o devido processo legal.

Bei – Edição: Montedo.com

Respostas de 2

  1. Acho estranho um oficial dentista estar tirando serviço de oficial de dia em uma Subunidade Militar, médicos e dentistas tiram serviço de plantão em Hospitais ou Postos médicos militares.

  2. O Rio Grande do Sul foi palco de duas tragédias em suas unidades militares com as mortes do 2º Tenente Felipe Borsa Lago em Uruguaiana e do Soldado Eduardo Barcelos de Oliveira em São Borja.

    O Tenente Lago, que servia como dentista, foi encontrado morto em seu quartel em 16 de setembro de 2025 em Uruguaiana.

    Menos de um mês depois, o Soldado Oliveira, de apenas 19 anos, teve sua morte confirmada em sua unidade militar no dia 09 de outubro de 2025 na cidade de São Borja.

    As circunstâncias exatas de ambos os óbitos estão sob investigação.

    Alerta sobre Riscos e Pressão na Carreira Militar

    Estes dois casos, ocorridos em um período tão curto, acendem um sério alerta sobre as pressões e os riscos inerentes à carreira militar, que vão além das operações de combate e treinamento.

    A rotina em quartéis, que envolve alto nível de estresse, hierarquia rígida e afastamento da família, pode ter um impacto significativo na saúde mental e física dos profissionais.

    A necessidade de suporte contínuo para lidar com o peso e as exigências da profissão torna-se evidente diante de perdas tão precoces.

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