Informação x Manipulação: os desafios do Exército na era da pós-verdade

Exército desordem informacional

 

VUCA, BANI e PSIC: como o Exército enfrenta a desordem informacional do século XXI

Marcelo Barros
O mundo tornou-se instável, ansioso e conturbado. A própria noção de verdade parece perder terreno diante da velocidade com que se formam — e se distorcem — as informações. Nesse cenário, o Major Filipe da Silva Araujo e o General de Exército Richard Fernandez Nunes oferecem análises complementares sobre como a ética militar, a liderança e a prontidão institucional devem se adaptar ao contexto VUCA, BANI e PSIC, marcado pela pós-verdade e pela mudança das dinâmicas de poder.

A leitura técnica do Maj Filipe Araujo: compreender o caos informacional
O Major Filipe da Silva Araujo, autor do artigo “VUCA, BANI, PSIC, Pós-Verdade e Poder” (2023), propõe uma leitura técnico-conceitual do ambiente informacional contemporâneo. Ele destaca que o acrônimo VUCA — vulnerabilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade —, criado pelo U.S. Army War College nos anos 1990, tornou-se um mapa para compreender o mundo pós-Guerra Fria.

Segundo o Major, o avanço das tecnologias da informação achatou a percepção do tempo, transformando segundos em eternidades e reflexões em impulsos. Esse fenômeno, aliado ao excesso de dados, gera ambientes BANI (frágeis, ansiosos, não lineares e incompreensíveis) e PSIC (precipitados, superficiais, imediatos e conturbados).

“A pós-verdade nasce quando o tempo e o pensamento crítico deixam de caminhar juntos”, afirma Araujo. Para ele, o desafio não está em desacelerar o progresso, mas em reconstruir a consciência situacional coletiva, de modo que a informação volte a servir ao conhecimento — e não à manipulação.

A advertência ética do Gen Ex Richard Nunes: disciplina e verdade em tempos de PSIC
O General de Exército Richard Fernandez Nunes, em seu artigo “O Mundo PSIC e a Ética Militar” (2024), alerta para o impacto do ambiente informacional na conduta ética e profissional dos militares. Segundo ele, a precipitação e o imediatismo que dominam as redes sociais têm contaminado a forma como se consomem e se replicam informações.

Em meio a fake news e julgamentos apressados, o General destaca que a ética militar continua a repousar sobre os pilares da hierarquia, disciplina, lealdade e espírito de corpo — valores atemporais, indispensáveis à coesão institucional.

“A precipitação e o imediatismo são inimigos da hierarquia e da disciplina”, adverte o General, reforçando que a profissão militar exige ponderação, prudência e fidelidade à verdade dos fatos. Para ele, o militar deve resistir à tentação de reagir emocionalmente a provocações digitais e manter-se fiel ao compromisso com o dever e com a verdade.

Poder e informação: o elo entre os mundos VUCA, BANI e PSIC
As reflexões do Maj Araujo e do Gen Ex Nunes convergem num ponto comum: a informação é o novo eixo do poder contemporâneo. Se antes o poder se manifestava na força, na economia ou na diplomacia, hoje ele se expressa pela capacidade de moldar percepções.

A pós-verdade — entendida como o domínio emocional da narrativa sobre a razão — transformou o modo como a sociedade se informa, decide e age. Nesse ambiente, a liderança, especialmente a militar, precisa dominar tanto a técnica quanto a ética.

Para ambos os autores, o futuro exige líderes críticos e conscientes, capazes de equilibrar a rapidez das redes com a profundidade do pensamento estratégico. “Viver no mundo VUCA é inevitável; compreendê-lo com lucidez ética é uma escolha”, concluem, unindo o olhar da ciência militar com o imperativo moral da liderança moderna.

Referências

DEFESA EM FOCO – Edição: Montedo.com

Respostas de 5

  1. Esse blog está virando um terreno comunista, sempre com informações tendenciosas, na prática o que foi dito é que nós militares não devemos participar das redes sociais, pois nas redes sociais temos verdades, um alto comando um cmdt que deixaram militares do mais alto gabarito sem defesa não tem credibilidade
    comando

    1. PSIC é o que não tenho quando vejo o MD falar que o gen passa necessidade. Se é assim o coitado do sargento é um morador de rua, ninguém sente pena ? Psic é meus zooooov.

  2. “Outra visão” Abordagem Manipuladora VUCA E BANI de liderança Antiética que ninguém conta sob pena receber um Formulário de Apuração de Transgressão Disciplinar.

    Uma Simples ponderação para reflexão.

    Exagerar a Fragilidade e a Imagem de Salvador: Criar pânico constante, posicionar-se como a única solução ou ponto de estabilidade (o “único que tem as ferramentas para impedir o colapso”).

    Explorar o Esgotamento: Exigir decisões imediatas (“Fale agora ou cale-se para sempre”), usar a ansiedade para forçar a aceitação de propostas (“Se não fizer isso agora, as consequências serão catastróficas, e a culpa será sua”).

    Impor o “Caminho Único” e a Culpa: Apresentar a não-linearidade como prova da sua visão superior e insistir em um caminho rígido. Atribuir o fracasso da não-linearidade (causa e efeito desconectados) à incompetência da pessoa, reforçando a dependência de um “guia”.

    Criar “Cortinas de Fumaça” de Informação: Bombardear a pessoa com dados complexos e irrelevantes para que ela se sinta incompetente ou sobrecarregada, desistindo de questionar e aceitando a “solução” dada pelo manipulador.

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