FAB x PM: sargento que esf@qu&oμ major em briga de trânsito é solto em Goiás (vídeo)

Sargento da FAB Pedro Luiz Souza Pinto foi preso por esfaquear major da PM com um canivete

 

Juiz que soltou sargento da FAB entendeu que caso foi um desentendimento de trânsito e revogou a prisão preventiva
Larice de Paula, Carlos Carone
O sargento da Força Aérea Brasileira (FAB) Pedro Luiz Souza Pinto, acusado de golpear com ao menos sete facadas o major da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Renato Moreira Martins, em uma discussão de trânsito, foi solto após recurso da defesa em 25 de setembro. Ele havia tido a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada em 9 de setembro.

“Evidente periculosidade social”
Antes de Pedro ganhar liberdade, o juiz da Vara Criminal de Alexânia, Fernando Augusto Chacha de Rezende, havia mantido a prisão preventiva do sargento, por considerar que o crime foi cometido com “audácia e crueldade”. Ainda segundo o magistrado, a liberdade dele representava risco à ordem pública e demonstrava “evidente periculosidade social”.

No entanto, a defesa recorreu, e o relator do caso na 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás, juiz Hamilton Gomes Carneiro, entendeu que a agressão não se tratava de rixa antiga, mas de um desentendimento de trânsito. Com esse argumento, determinou a libertação do militar.

Veja trecho da audiência:

Entenda o caso:

  • A briga ocorreu em 7 de setembro, na BR-060, em Alexânia (GO), no Entorno do Distrito Federal.
  • O episódio terminou com o major ferido no abdômen, no tórax, nas mãos e na perna.
  • A gravidade dos ferimentos forçou a transferência do major de um hospital em Alexânia para Brasília.
  • O caso foi registrado na 1ª Delegacia de Polícia de Águas Lindas como lesão corporal grave.

Veja imagens:

Canivete usado pelo sargento (Imagem cedida ao Metrópoles)
Barriga do major (Imagem cedida ao Metrópoles)

A versão da defesa
A advogada Patrícia Zapponi, que representa o sargento, procurou a coluna Na Mira para esclarecer pontos sobre o caso. Ela afirmou que, na época do crime, nem Pedro nem sua esposa, Ana Bárbara Caliman Souza da Silva Pinto, foram ouvidos formalmente pela polícia.

Segundo Zapponi, Ana chegou a relatar no processo que a família voltava de um aniversário em Anápolis (GO) com a filha de 2 anos quando um veículo começou a fechar o carro de Pedro, forçando-o a parar. O condutor, segundo ela, gritava e gesticulava.

Ana afirmou que, ao sair do carro, o marido foi agredido e arrastado para o gramado. Ela disse que pediu calma e socorro da janela do veículo. Em seguida, o outro motorista se identificou como policial, e Pedro respondeu que era sargento da Aeronáutica.

De acordo com a esposa, a faca só foi usada para tentar que o marido fosse solto, já que estava sendo agredido. Uma testemunha teria retirado a arma e guardado em outro veículo, mas, depois, a esposa do major a pegou novamente. Ana ainda relatou ter temido que o policial e o filho matassem seu marido.

A defesa também alegou que documentos de Pedro teriam sido recolhidos pela esposa do major e nunca devolvidos.

Questionada sobre o motivo de Pedro portar uma faca, a advogada afirmou que o militar carregava um canivete por ser integrante da equipe de salvamento da Aeronáutica. “Se precisar cortar um cinto de segurança, ele está preparado. Além disso, tem uma filha pequena, e pode ser necessário usá-lo em situações simples, como cortar uma fruta”, disse.

A defesa do sargento da FAB afirmou que Pedro foi impedido de prestar depoimento à polícia, mas Zapponi conseguiu que ele fosse ouvido depois, já preso.

Veja o que o sargento disse em depoimento:

Leia, na íntegra, a nota da defesa do sargento da FAB:

Na qualidade de sua defensora e em seu nome, o Sargento da Força Aérea Brasileira, Pedro Luiz Souza Pinto, apresentamos esta nota para contextualizar os fatos relacionados ao incidente de 07 de setembro de 2025, na BR-060, em Alexânia, que resultou em uma agressão e sua prisão. É crucial esclarecer a dinâmica dos eventos, conforme detalhado nos autos do processo nº 5723889-21.2025.8.09.0011, que contradiz algumas narrativas iniciais.

As provas e depoimentos colhidos no Inquérito Policial demonstram que o Sargento Pedro Luiz, acompanhado de sua esposa e filha, foi vítima de uma agressão brutal e injusta. Após um desentendimento no trânsito, ele foi imobilizado ao solo pelo Major Renato Moreira Martins com uma técnica de jiu-jítsu (“esgana galo” ou “mata-leão”) e, simultaneamente, agredido com socos na nuca e cotoveladas pelo filho do Major.

Conforme seu próprio depoimento, em situação de iminente perigo e sentindo que perdia a consciência, o Sargento Pedro utilizou um canivete que portava para se desvencilhar da agressão. Ele agiu sem a intenção de matar, mas sim para repelir a agressão e proteger sua vida e a de sua família, que presenciou a cena de dentro do veículo. Cessada a agressão, o Sargento Pedro também cessou sua reação.

Importante ressaltar que o Relatório Final da Polícia Civil, embora detalhe as condutas de todas as partes, não procedeu ao indiciamento do Sargento Pedro Luiz Souza Pinto, encaminhando o caso ao Ministério Público para avaliação diante de um quadro de “mútuas agressões”. Esta conclusão da autoridade policial reflete a complexidade do incidente e a participação ativa de múltiplos envolvidos, apoiando a tese de legítima defesa.

Reiteramos o compromisso com a verdade e solicitamos que a cobertura midiática reflita a totalidade dos fatos e as circunstâncias da legítima defesa, contribuindo para uma compreensão justa e imparcial do ocorrido.

NA MIRA (METRÓPOLES) – Edição: Montedo.com

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