Com Lula a bordo, avião tem problemas momentos antes da decolagem: ‘Tivemos que descer, com medo que pegasse fogo’, disse o presidente; FAB culpa cortes no orçamento 

C-105 Amazonas

Lula está no Pará para entregar obras relacionadas à COP 30; para militares, episódio não é um caso pontual mas resultado de uma década de penúria orçamentária.

Belém – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (3), que teve um problema com uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) que o levaria para uma agenda na Ilha de Marajó, no Pará, na manhã de quinta-feira (2).

Segundo o petista, o avião apresentou uma falha técnica antes de decolar, o que levou a uma troca de aeronave por motivos de segurança. Lula contou que, após o ocorrido, ele fez uma visita à Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém.

Lula está no Pará desde quinta-feira (2) para inaugurar obras relacionadas à COP 30, marcada para ocorrer em novembro, na capital do estado.

“Ontem eu fui na matriz, eu fui agradecer à Nossa Senhora de Nazaré, porque ontem aconteceu um outro problema comigo no avião”, contou, em entrevista à TV Liberal; Lula já enfrentou uma falha técnica em uma aeronave presidencial durante uma viagem, em outubro de 2024.

O presidente relatou que o defeito ocorreu enquanto a aeronave ainda estava em solo, antes de decolar. Lula embarcaria e um avião do modelo Casa C-105 da FAB para uma agenda em Breves, no arquipélago do Marajó, cumprida nesta quinta-feira (2).

“Eu fui pegar o avião para ilha do Marajó e teve um problema no motor do avião, um avião Casa da Força Aérea Brasilieira (FAB). Eu só tinha que agradecer a Deus porque poderia ter tido um problema quando eu tivesse no ar. E teve quando eu estava em terra, ainda tivemos que descer do avião com medo que o avião pegasse fogo”, prosseguiu.

O C-105 é um avião bimotor fabricado pela Airbus. A aeronave comporta até 64 passageiros. Ele é utilizado principalmente para transporte logístico e missões como evacuação aeromédica e lançamentos.

Não se trata de uma aeronave presidencial e sim um avião de apoio, que seria usado pelo presidente para chegar a um destino mais difícil de acessar, no caso, a Ilha de Marajó.

Após o defeito no avião no modelo Casa, a equipe presidencial seguiu para a agenda em um avião do modelo C-97 Brasília.

“E aí nós fomos num Brasília, num avião Brasília. Eu fui de noite agradecer à Nossa Senhora”, completou Lula.

Breves fica distante cerca de 200 quilômetros de Belém em linha reta e a cerca de 12 horas de barco. Com 106.968 moradores, a cidade é a mais populosa do Marajó e considerada a capital do arquipelágo.

O que diz o Planalto
Em nota, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) informa que o presidente trocou de aeronave por conta de um protocolo de segurança.

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisou trocar de aeronave antes de decolar de Belém (PA) com destino a Breves, no Arquipélago do Marajó, no Pará, na manhã de quinta-feira, 2 de outubro. Inicialmente, o trajeto seria feito em um C-105 Amazonas, da Força Aérea Brasileira (FAB), que não integra a frota presidencial, mas foi escolhido por ser adequado às condições da pista no município de destino. O avião é usado com frequência para transporte de tropas e cargas, além do deslocamento do presidente quando é necessário pousar em pistas curtas.

Ainda em solo, durante os procedimentos de acionamento dos motores, foi identificado um problema técnico-operacional na aeronave. Por precaução e seguindo protocolos de segurança, a FAB optou por utilizar uma aeronave reserva (sempre disponível nas missões presidenciais). O modelo utilizado foi um C-97 Brasília.

O voo foi realizado normalmente e o presidente cumpriu toda a agenda prevista em Breves em segurança e sem alterações no roteiro.”

FAB culpa cortes no orçamento
O episódio com o avião que levaria Lula é reflexo dos sucessivos cortes no orçamento das Forças Armadas, segundo fontes da alta cúpula militar ouvidas pela CNN Brasil.

Militares afirmam que o episódio não é um caso pontual ou exclusivo do governo Lula, mas resultado de uma década de penúria orçamentária.

Segundo eles, os sucessivos cortes dificultam não apenas a modernização dos equipamentos, mas também, em alguns casos, chegam a comprometer a manutenção dos produtos de defesa.

No caso da FAB, por exemplo, a verba destinada a despesas discricionárias – direcionada para manutenção e modernização da frota – sofreu uma redução de 41% nos últimos 10 anos, em valores reais (já corrigidos pela inflação).

Dados da Força Aérea mostram ainda que a frota de aeronaves brasileiras caiu de 526 em 2014 para 319 em 2025.

A penúria orçamentária também impactou as horas de voo da Aeronáutica, consideradas essenciais para a formação prática dos pilotos. Nos últimos 10 anos, o número de horas de voo da FAB foi reduzido em cerca de 50%.

“Como não tivemos um investimento compatível com as necessidades das atividades, seja da aquisição de suprimento ou manutenção, tivemos que ir reduzindo o número de aeronaves que temos condições de operar”, relatou o tenente-brigadeiro do Ar Walcyr Josué de Castilho Araújo, em audiência pública no Senado no início de setembro.

Com a carga de voo abaixo do considerado adequado, as Forças Armadas têm enfrentado a evasão de pilotos, que deixam o serviço público para buscar melhores condições de trabalho no setor privado.

A redução no orçamento também afeta a infraestrutura da FAB, incluindo pistas e hangares.

Com o intuito de reduzir a precarização, os militares e o ministro da Defesa, José Múcio, têm defendido a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) da previsibilidade de defesa.

A chamada “PEC da Previsibilidade” estabelece a aplicação de 2% do PIB (Produto Interno Bruto) na área de defesa.

A proposta, no entanto, está parada no Senado desde 2023. Designado em abril, o relator na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) é o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso.

A PEC em análise no Senado segue os parâmetros recomendados pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que orienta os países-membros a destinar esse percentual mínimo à área.
Com G1 e CNN BRASIL

Respostas de 9

  1. Enquanto isso no EB.. camarada quer alto desempenho por entregar documentos no prazo.

    A gente reclama, mas o pessoal da FAB/MB tem muita responsabilidade técnica e tem menos chances de crescer.

  2. Tem é que pedir perdão à Nossa Senhora pelos pecados que cometeu e todo mundo 🌎 sabe quais são. Pecados registrados em diversos documentos e em diversas mídias, para quem quiser ver e represar. Aliás, além de não pedir perdão por se considerar a alma mais honesta do mundo 🌎, dificilmente obteria esse mesmo perdão.

  3. Um é ateu e outra e macumbeira. E os subserviente vem falar de decadas de sucateamento. Vi reportagem desse mes de setembro que fab não tinha dinheiro para nada.

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