O militar, em surto, se cortou e atacou policiais com um canivete na madrugada de terça-feira
Bruna Marques
Campo Grande – A esposa do sargento, ex-militar do Exército, que foi baleado na madrugada desta terça-feira (16) em Campo Grande, relatou ao Campo Grande News que o marido enfrentava problemas graves de saúde mental há anos e que nunca recebeu o devido acompanhamento pela corporação. Segundo ela, o surto que levou à intervenção policial começou quando ele tentou se cortar dentro de casa, na Vila Planalto.
Militar de carreira desde 2000, formou-se como terceiro-sargento pela ESA (Escola de Sargentos das Armas). Ainda segundo a esposa, ele começou a apresentar sinais de problemas de saúde mental em 2018, logo após chegar a Campo Grande, e entre 2018 e 2020 tentou suicídio três vezes, jogando o carro contra um caminhão, acelerando o veículo até um barranco e batendo o carro em uma rotatória.
Apesar de comunicar aos superiores, o sargento nunca foi encaminhado para acompanhamento psicológico, sendo colocado em funções abaixo de sua formação.
Em 2021, ele foi transferido para Manaus, onde teve o uso da arma restrito e entrou em depressão. Em agosto de 2022, o militar sofreu uma emboscada na zona leste da cidade e, em legítima defesa, efetuou um disparo que atingiu um dos homens. Ele ficou preso pouco mais de três meses, mas o Exército manteve o processo sob avaliação.
Entre agosto de 2023 e dezembro de 2024, o militar teria tentado suicídio cerca de sete vezes, sem acompanhamento psicológico regular. Profissionais de saúde confirmaram que ele sofre de transtorno bipolar e borderline, recomendando sua reforma, direito do militar que adoece em serviço, mas o pedido foi engavetado. Somente em setembro deste ano, o Exército decidiu licenciá-lo por motivos de saúde mental, e não pelo processo por homicídio, que segue suspenso.
Na madrugada desta terça-feira, a esposa acionou a Polícia Militar após o marido se cortar com um canivete dentro de casa. Quando os policiais chegaram, ele teria arremessado uma televisão e investido contra os policiais, que dispararam um tiro no pé para contê-lo. O militar também apresentava ferimentos nas pernas e no tórax e foi levado à Santa Casa sem risco de morte.
O Comando Militar do Oeste informou que o homem é ex-militar e foi licenciado neste ano. “Ele segue na situação sub judice pelo processo de homicídio cometido em Manaus”, declarou em nota.
Ajuda
O Campo Grande News aproveita para informar que na Capital, o GAV (Grupo Amor Vida) presta um serviço gratuito de apoio emocional a pessoas em crise através do telefone 0800 750 5554.
Ligue sempre que precisar! O horário de funcionamento é das 7h às 23h, inclusive, sábados, domingos e feriados.
CAMPO GRANDE News – Edição: Montedo.com
Respostas de 3
exercito so proteje os baboes os peixes os indicados
O militar tem que procurar Assistência medica. Quando de trata de problemas Psicológicos, Depressão, tem um grande tabu e nao e somente dentro do exercito de achar sempre que e Fingimento e corpo mole. Não existe dentro das FA um Serviço psicologico Autônomo para Tratar esses casos dentro da Instituição.
Problema recorrente no Exército. Conheci um jovem que deu fim a vida dentro do HCE há poucos anos… no geral há dificuldade do EB em tratar essas pessoas… há um misto de desconfiança se é ou não golpe do militar e falta de pessoal qualificado para o tratamento…muito triste