Por que os EUA estão reduzindo sua frota de helicópteros militares?

Aeronave modelo UH-15 Super Cougar semelhante ao dirigível que caiu em Formosa (GO) nesta 3ª feira (8.ago.2023)...

Pressão orçamentária e lições da guerra da Ucrânia explicam cortes em unidades da Força Aérea americana
O exército dos Estados Unidos decidiu reduzir parte de sua frota de helicópteros como parte de uma reorganização estratégica diante de mudanças no cenário da guerra e limitações orçamentárias. A medida, anunciada nos últimos meses, surpreendeu aviadores e militares que atuam diretamente com as aeronaves.

O corte tem duas principais razões. A primeira é a pressão fiscal, já que a Força Aérea recebeu um dos menores aumentos de orçamento entre os braços armados. A segunda está ligada às lições extraídas da guerra na Ucrânia, onde helicópteros se tornaram alvos fáceis de mísseis terra-ar, enquanto drones de baixo custo assumiram funções de reconhecimento e ataque.

“Praticamente qualquer coisa que voa naquele campo de batalha morre”, afirmou Jeremiah Gertler, analista sênior da Teal Group, consultoria especializada em inteligência e análise de mercado para a indústria aeroespacial e de defesa.

O Exército já havia cancelado o desenvolvimento de um novo helicóptero de ataque e reconhecimento, com o Chefe do Estado-Maior, general Randy George, defendendo que sensores e armamentos acoplados a drones são hoje “mais onipresentes, de maior alcance e mais baratos do que nunca”.

A reorganização prevê a redução de um esquadrão de cavalaria aérea por uma brigada de aviação de combate e a desmobilização de unidades da reserva, além da retirada de modelos mais antigos, como os UH-60 Black Hawk e AH-64 Apache. O Exército não informou o destino final dessas unidades, mas especialistas indicam que a tendência é redirecionar soldados para novas funções.

As mudanças não estão relacionadas a incidentes de segurança, embora a aviação do Exército tenha enfrentado acidentes fatais nos últimos anos. Em janeiro, 67 pessoas morreram após a colisão de um Black Hawk com um voo comercial da American Airlines nos arredores de Washington.

Trabalho sujo e perigoso
O uso de drones já faz parte da rotina de combate. No conflito da Ucrânia, eles são empregados para guiar ataques de artilharia, bloquear comunicações e até lançar pequenas cargas explosivas. Segundo o major-general Clair Gill, da aviação do Exército americano, esses equipamentos devem assumir “o trabalho sujo, chato e perigoso” em operações que não dependem de julgamento humano imediato.

Apesar dos cortes, o transporte de tropas e suprimentos deve continuar a depender de aeronaves tripuladas. O Exército pretende operar o Black Hawk até 2070, mas já avança no desenvolvimento de um substituto, o tiltrotor MV-75, que combina características de avião e helicóptero, semelhante ao Osprey usado por outras forças norte-americanas.

A decisão de reduzir helicópteros da reserva, porém, enfrenta resistência. Essas unidades têm papel importante em missões de busca e assistência em desastres dentro dos Estados Unidos. “Os helicópteros da Guarda Nacional têm papéis estaduais significativos, então é difícil reduzi-los. E porque, francamente, o Congresso tradicionalmente defende a Guarda com mais veemência do que a Reserva”, disse Gertler.

Para muitos militares, a transição é motivo de incerteza. “As pessoas que vêm aqui vivem e respiram pilotando helicópteros do Exército. Dependendo de onde estão em suas carreiras, o sentimento é: bem, o que vou fazer agora?”, afirmou o sargento-mor Nathan Smith, do 5-159º Batalhão de Aviação de Apoio Geral, uma das unidades atingidas pela medida.

Gertler avalia que os cortes trazem riscos estratégicos. “Sempre que se reduz o orçamento militar sem reduzir o número de ameaças, corre-se um risco. O Exército também corre um risco estratégico agora, porque está descobrindo, ao sair de um período muito movimentado nos últimos 20 anos, qual será o seu papel daqui para frente em uma luta mais global e voltada para o Pacífico.” Leia mais.
R7 – Edição: Montedo.com

 

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