Julgamento de Bolsonaro: ex-presidente já foi preso no Exército; entenda

Bolsonaro na Veja - o salário está baixo

 

Então capitão ficou 15 dias detido em um quartel no Rio de Janeiro após criticar o salário dos militares em artigo na revista Veja
Gabriel Máximo
Réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já respondeu a um processo na Justiça Militar que quase o levou à expulsão no Exército.

Em 1986, o então capitão do 8º Grupo de Artilharia de Campanha, ficou preso por 15 dias em um quartel no Rio de Janeiro. O motivo: um artigo publicado na seção “Ponto de Vista”, da revista Veja, em que cobrava um aumento para os militares.

Sob o título de “O salário está baixo”, Bolsonaro argumentava no texto que a maioria dos cadetes havia deixado o Exército em razão da “crise financeira” que atingia “as massas dos oficiais e os sargentos” da Força.

“A situação é dramática. Os oficiais estão abandonando o Exército. (…) É hora de parar. Chega de cortes, chega de justificativas econômicas. Não se admite mais que um profissional que passou por uma rígida formação e que corre o risco de perder a vida em defesa da Pátria seja tratado com tamanho descaso. O Exército é uma instituição nacional e sua crise reflete diretamente na formação da juventude, na moral dos quartéis e na autoestima do cidadão brasileiro. Urge, pois, que o governo federal olhe com respeito para seus militares. Um Exército desprestigiado é um país vulnerável. E o Brasil, com sua dimensão continental, não pode ser um país vulnerável”, escreveu o então oficial.

Bolsonaro ainda concluiu o texto com o lema dos paraquedistas do Exército, que viria a se tornar parte do seu slogan de campanha em 2018: “Brasil acima de tudo”.

O artigo causou uma grande mobilização na caserna e chegou a Brasília. O ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves, considerou a publicação como um “ato de indisciplina inadmissível”. Como resultado, o então capitão foi punido disciplinarmente com 15 dias de prisão em um quartel no Rio de Janeiro, por “ter ferido a ética, gerando clima de inquietação na organização militar”.

Mas em outubro de 1987, Bolsonaro teve um novo problema na Justiça militar e, outra vez, envolvendo a Veja.

A revista denunciou em uma reportagem a chamada “Operação Beco Sem Saída”, um plano arquitetado pelo capitão e um outro colega que previa a explosão de bombas de baixa potência em banheiros da Vila Militar, da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ) e outros quartéis. Um explosivo também seria colocado na adutora do Guandu, que abastece o município fluminense.

O objetivo: mais uma vez protestar contra os salários dos militares e pressionar o general Leônidas. Após quatro meses de investigação, o ministro concluiu que a revista estava certa e que os oficiais envolvidos na trama tinham mentido ao dizer que a reportagem havia publicado acusações fraudulentas.

Por unanimidade, em 19 de abril de 1988, o Conselho de Justificação Militar (CJM), órgão disciplinar instaurado para analisar o caso, considerou Bolsonaro culpado e determinou fosse “declarada sua incompatibilidade para o oficialato e consequente perda do posto e patente”.

O então capitão recorreu ao Superior Tribunal Militar (STM), que, em junho do mesmo ano, o absolveu, por 8 votos a 3, por considerar as provas apresentadas no processo como insuficientes.

Mais tarde, Bolsonaro passou à reserva do Exército e iniciou sua carreira política, tendo sido eleito vereador do Rio de Janeiro, em novembro de 1988.

Réus (“núcleo crucial”)
O julgamento que começa nesta terça-feira (2) envolve oito réus considerados núcleo essencial da trama, conforme denúncia da PGR:

1. Jair Bolsonaro — ex-presidente da República
2. Alexandre Ramagem — deputado federal e ex-diretor-geral da Abin (responde por três crimes, devido à imunidade parlamentar)
3. Almir Garnier Santos — almirante e ex-comandante da Marinha
4. Anderson Torres — ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF
5. Augusto Heleno — general da reserva e ex-ministro do GSI
6. Paulo Sérgio Nogueira — general da reserva e ex-ministro da Defesa
7. Walter Braga Netto — general da reserva, ex-ministro e candidato a vice em 2022
8. Mauro Cid — tenente-coronel, ex-ajudante de ordens e delator no processo

itatiaiaPOLÍTICA – Edição: Montedo.com

Respostas de 19

  1. Bom dia a todos. O que não aconteceu antes, lá em 86/87 no STM vai acontecer Agora, quase 39 anos depois, tudo será consertado.🙏

    1. O STF tem que declarar a perda do posto de todos.
      Na justiça militar não da pra confiar
      Em 1988 o exército declarou Bozó indigno… e o stm apadrinhou e descondenou.
      300 anos nunca declararam um general indigno.
      Pra cima, Alexandre

  2. Bom dia a Injustiça sera conhecida por todos e o mundo Civilizado esta vendo o Brasil ser equiparado a China, Venezuela, Nicaragua….Cuba. Vergonha Mundial, mais o mal não vai prosperar. Infelizmente temos pessoas que são injustos e não conseguem ver injustiças. Ser preso Disciplinar não é crime.

  3. Ele nao falou Mentira, o salario dis militares sempre foi uma merda, o pior do executivo, por isso a debandada. E quem quer a Prisão dele so pode ser vagabundo ou ter vagabundo na familia. Cidadão de bem tem vergonha do que esta acontecendo Com o melhor presidente que o Brasil teve.

    1. O salário dos militares é alto.
      Muito alto.

      Compare-o com a estrutura remuneratória do Executivo. O Poder Legislativo e o Poder Judiciário tem autonomia, e seus servidores ganham bem mais mesmo. Mas somos Executivo, esse é nosso universo.

      Veja quanto ganha um MÉDICO.
      Veja quanto ganha um merendeiro.

      Então, os concursos militares são de ensino médio. Exige-se o ensino médio para a prova, e o candidato já toma posse, contando até tempo de serviço.

      O grau de complexidade do cargo é de nivel médio. Prova disso é que o tenente do NPOR tem um ensino médio e exerce a função.

      a remuneração é proporcional à compexidade do cargo, isso que está escrito no art. 37 da Constituição.

      Um major ganha como um advogado da União! E ainda tem pnr, fusex, aposentadoria integral e paritária aos 48 anos. Se for praça de até 2.000, aposenta a filha.

      Só que o concurso da AGU exige um nível superior e 2 anos de prática forense. É um concurso que abre de 7 em 7 anos.

      Exército são 1300 vagas de Sgt e 450 oficial, todo ano. Apenas matérias de vestibular.

      Ganha mal? Ganha bem demais!
      Reclame assim: meu chefe náo tem o que fazer e inventa formaturas e postos de sentinela.

      Vc ganha bem demais.

      Seu salário representa a maior remuneração do Poder Executivo para um concurso de ensino médio.

      Para de reclamar, faz uma faculdade e presta um concurso de juiz. Vai ver o que é Dificuldade.

      Para de reclamar. Para fazer formatura e guarda de honra vc ganha demais. Até um recruta faz isso (se fingir de boneco pro seu chefe).

    2. Por que é um concurso de nível médio com baixa complexidade de execução. Ainda tem aposentadoria integral que onera sobremaneira o Tesouro.
      Vai ser sempre assim.
      Concurso fácil = carreira difícil.

    1. O Mito confiou nos generais, em quem nao devia nunca confiar, pois já tinha tido uma prova como capitão na ativa. a Lei do Mal de 2019, foi culpa dos generais, ou seja meu pirao primeiro e pra meus dependentes.
      A tropa foi esquecida por eles, que convenceram o Bolsonaro que era algo bom pra todos.

  4. Desde que entrei no EB em 1976, apenas dois militares lutaram por melhorias salariais para toda a tropa e colocaram as suas cabeças a prêmio:
    – Jair Bolsonaro; e
    – Cap LUIZ FERNANDO WALTHER DE ALMEIDA (foi pra reserva como TC)

  5. Conheça a historia desse militar, nosso herói na época.

    TENENTE-CORONEL WALTHER – “Eu cometi o crime em defesa dos meus comandados”

    PALAVRAS DO TEN CEL WALTER … “Me ensinaram nas escolas militares que o militar zela pelas condições de vida digna dos seus comandados, tanto quanto pela manutenção da disciplina e dos deveres castrenses. Eu levei isso ao máximo, talvez além. Eu cometi o crime para chamar a atenção de uma situação injusta e hoje, sem medo de errar, negligente da época”, afirma.

    Isso é história … divulgue !!!!!!

  6. O Sgt Rabugento esta certo, Bolsonaro, sempre prometeu na vida politica, melhores vencimentos para os praças,. me lembro, quando estava na Ativa, em Marechal Hermes, ele fazendo campanha,para deputado Federal. Traiu todos os praças, pensionistas e reformados, que acretiram em sua palavras, Quando assumiu a Presidência, na reformas dos Militares em 2019. Quero ver agora nas garras da Justiça, Um dia o castigo chega, essa é a lei divina,

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