Urgente! Gabinete de Segurança de Israel aprova tomada militar total de Gaza

Faixa de Gaza 2

 

Plano de Benjamin Netanyahu não é apoiado pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses
Tel Aviv – Os líderes israelenses aprovaram nesta sexta-feira um plano para a tomada militar gradual de toda a Faixa de Gaza, uma decisão crucial e arriscada que foi contra as recomendações dos militares israelenses e promete levar a guerra de quase dois anos a um terreno desconhecido.

Após 10 horas de deliberações, a maioria do Gabinete de Segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu apoiou sua proposta, de se preparar para conquistar o núcleo da Cidade de Gaza, de acordo com um comunicado emitido de seu gabinete.

Em um estágio posterior, espera-se que os militares entrem em áreas centrais do enclave, onde se acredita que o Hamas ainda esteja mantendo 50 reféns israelenses e onde os militares se abstiveram de operar antes.

O objetivo, segundo o comunicado, é alcançar uma vitória decisiva sobre o Hamas. O plano permite o fornecimento de ajuda humanitária à população civil “fora das zonas de combate”, afirmou.

É provável que os militares levem dias, pelo menos, para convocar forças de reserva, realizar o envio de tropas para uma investida na Cidade de Gaza e dar tempo para a evacuação forçada de dezenas de milhares de palestinos das novas áreas de combate.

O gabinete também aprovou cinco princípios para acabar com a guerra, incluindo o desarmamento do Hamas; o retorno de todos os 50 reféns, 20 dos quais se acredita estarem vivos; a desmilitarização de Gaza; controle de segurança israelense sobre o enclave; e o estabelecimento de uma administração civil alternativa que não envolva nem o Hamas nem a Autoridade Palestina, o órgão rival apoiado pelo Ocidente que exerce controle limitado em partes da Cisjordânia ocupada.

Os militares israelenses disseram que já conquistaram cerca de 75% de Gaza. A faixa costeira que se estende da Cidade de Gaza, no norte, até Khan Younis, no sul, é a principal área fora do controle israelense. Muitos dos dois milhões de palestinos em Gaza, incluindo aqueles deslocados de suas casas no território, se espremem em tendas, abrigos improvisados e apartamentos nessas áreas.

Netanyahu disse, na quinta-feira, que Israel planeja assumir o controle de toda a Faixa de Gaza, contrariando o conselho dos militares israelenses e alertando que a expansão das operações poderia colocar em risco os reféns mantidos lá e matar mais civis palestinos.

Ele fez os comentários em uma entrevista à Fox News, antes da reunião do Gabinete de Segurança, num momento em que as negociações para alcançar um cessar-fogo e a libertação dos reféns chegaram a um impasse, com autoridades israelenses e do Hamas culpando umas às outras pelas indefinições.

Protestos se intensificam em Jerusalém por reféns em Gaza
Quando perguntado se Israel assumiria toda a Faixa de Gaza, Netanyahu respondeu: “Pretendemos”.

O premier disse que a medida “garantiria nossa segurança”, removeria o Hamas do poder e permitiria a transferência da administração civil de Gaza para outro partido.

“Queremos libertar a nós mesmos e ao povo de Gaza do terrível terror do Hamas”, disse ele em um trecho da entrevista, sem fornecer detalhes sobre qualquer operação planejada.

O primeiro-ministro, no entanto, sugeriu que Israel não estava interessado em manter o controle permanente sobre todo o enclave. “Não queremos mantê-lo”, acrescentou. “Não queremos governá-lo. Não queremos estar lá como um corpo diretivo. Queremos entregá-lo às forças árabes”.

No trecho publicado pela Fox News, Netanyahu ofereceu poucos detalhes sobre seu plano. Alguns analistas disseram que ele ameaçou ampliar a ofensiva para obrigar o Hamas a oferecer concessões nas negociações de cessar-fogo.

O Hamas, em um comunicado na quinta-feira, disse que os comentários de Netanyahu “representam uma clara reversão do curso das negociações e revelam claramente os verdadeiros motivos por trás de sua retirada da rodada final”.

Reação contra o plano
A expansão da ação militar de Israel também desafiaria o pedido de muitos outros países pelo fim da guerra de quase dois anos em Gaza. Nas últimas semanas, Israel está sob crescente pressão de alguns aliados de longa data para fazer mais para lidar com a crise de fome no enclave.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses, tenente-general Eyal Zamir, reagiu contra o plano, de acordo com quatro autoridades de segurança israelenses que falaram sob condição de anonimato para discutir questões delicadas. Ele compartilhou preocupações sobre a exaustão e a aptidão dos reservistas e sobre os militares se tornarem responsáveis por governar milhões de palestinos, disseram eles.

A liderança militar preferia um novo cessar-fogo em vez de aumentar os combates, de acordo com três das autoridades. A maioria dos ministros acreditava que as propostas alternativas apresentadas pelos militares não resultariam na derrota do Hamas ou na libertação dos reféns, de acordo com o comunicado do gabinete de Netanyahu.

Nos estágios iniciais da guerra, Netanyahu e os militares israelenses entraram em conflito sobre estratégias. Mas o último episódio parece ser o confronto mais significativo desde que o governo nomeou o general Zamir, em fevereiro.

Na época, os membros da coalizão governista esperavam que ele estivesse mais alinhado com a abordagem do que seu antecessor. Nos últimos dias, no entanto, ele foi criticado por alguns partidários do governo.

Os militares israelenses divulgaram comentários feitos pelo general Zamir na quinta-feira, nos quais ele disse que “a cultura do debate” era “um componente vital da cultura geral do IDF – tanto interna quanto externamente”, referindo-se às Forças de Defesa de Israel.

“Continuaremos a expressar nossa posição sem medo”, acrescentou. “Essa é a expectativa que temos de nossos comandantes também. A responsabilidade está aqui, nesta mesma mesa”.

Os militares acreditam que podem tomar as partes restantes de Gaza dentro de meses, mas a criação de um sistema semelhante ao que supervisiona na Cisjordânia ocupada por Israel exigiria até cinco anos de combate contínuo, disseram três das autoridades de Segurança.

Na terça-feira, o gabinete de Netanyahu disse, em um comunicado, que os militares israelenses executariam qualquer decisão tomada pelo Gabinete de Segurança.

Famílias de reféns
Membros da oposição israelense e as famílias dos reféns mantidos pelo Hamas e pela Jihad Islâmica Palestina em Gaza alertaram contra a expansão da operação militar.

“Conquistar Gaza é uma má ideia operacional, uma má ideia moral e uma má ideia econômica”, disse Yair Lapid, líder da oposição parlamentar, a repórteres na quarta-feira após uma reunião com Netanyahu.

As famílias dos reféns temem que a extensão do controle israelense possa levar os militares a matar inadvertidamente seus entes queridos ou o Hamas a executá-los.

Cerca de 250 pessoas foram feitas reféns durante o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 a Israel, e mais de três dúzias de reféns foram mortos em cativeiro, de acordo com uma investigação do The New York Times. As autoridades israelenses disseram que acredita-se que até 20 reféns em Gaza estejam vivos. Os corpos de outras 30 pessoas, dizem eles, também estão sendo mantidos no território.

– O Hamas é uma organização terrorista brutal e matará reféns se os militares se aproximarem deles – disse Elhanan Danino, cujo filho, Ori, foi morto por seus sequestradores há um ano, quando soldados israelenses operavam perto de um túnel no sul de Gaza em que ele estava detido.

– Cada momento em que eles estão sendo mantidos lá – passando fome – coloca suas vidas em risco – acrescentou Danino. – Não quero ver outros reféns morrerem da mesma forma que nosso filho.

Para os civis palestinos, a possibilidade de Israel intensificar sua operação aumentou os temores de que muito mais moradores possam ser mortos e que suas já miseráveis condições de vida em Gaza possam piorar.

– Eles estão falando sobre ocupar áreas que estão lotadas com tantas pessoas – disse Mukhlis al-Masri, 34, que foi forçado a deixar sua casa no norte de Gaza e agora está em Khan Younis. – Se eles fizerem isso, haverá uma matança incalculável. A situação será mais perigosa do que qualquer um pode imaginar.

No domingo, al-Masri disse que seu irmão, cunhado e quatro sobrinhos e sobrinhas foram mortos e que sua irmã ficou gravemente ferida quando uma escola transformada em abrigo foi bombardeada em Khan Younis. Ele disse que estava hospedado em uma barraca perto do Hospital Al-Nasr, na cidade, para ficar perto de sua irmã, que está na unidade de terapia intensiva de lá.

Os militares israelenses pediram mais informações sobre o bombardeio, mas não forneceram mais comentários. Os militares disseram que seus ataques têm como alvo militantes e sua infraestrutura de armas em Gaza e enfatizaram que o Hamas se infiltrou em espaços civis.
The New York Times

Respostas de 2

  1. Brasileiros e pior, militares, levantam uma bandeira de Israel e dos EUA em manifestações políticas. Equivalente a em uma manifestações de políticos de esquerda, tivessem bandeiras de Cuba, Koreia do Norte…

    Então, na verdade, aqueles que se diziam diferentes, são exatamente iguais aqueles que criticavam. “Nossa bandeira nunca será vermelha” esse é o mantra. Equivale a eu ser contra o assédio sexual, mas ser a favor do estupr♡.

    Minha bandeira é vermelha, sou América! Meu coração verde e amarelo, e nada mais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *