Quando a esquerda tentou acionar o Exército: o episódio silencioso antes do impeachment de Dilma

Dilma e comandantes

 

O episódio envolvendo a sondagem ao Exército antes do impeachment de Dilma é uma lembrança incômoda de que a estabilidade democrática brasileira exige compromisso de todos os lados

A Constituição Federal prevê o estado de defesa como um mecanismo emergencial, acionado exclusivamente pelo Presidente da República.

João Miguel
Em meio às tensões políticas que antecederam o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, um episódio pouco conhecido veio à tona anos depois e expôs as fragilidades institucionais do país naquele momento crítico. Segundo revelou o general Eduardo Villas Bôas, então comandante do Exército, políticos identificados com a esquerda sondaram a instituição sobre a possibilidade de decretação de um estado de defesa, uma medida prevista na Constituição, mas de aplicação excepcional.

A informação foi trazida à público pelo próprio general em entrevistas e no livro de memórias que detalha sua atuação nos bastidores da política nacional. De acordo com Villas Bôas, a consulta foi feita informalmente por meio da assessoria parlamentar do Exército, e foi imediatamente descartada pela cúpula militar. A tentativa, porém, ilustra o grau de instabilidade institucional do período e, para muitos analistas, representa uma tentativa de usar as Forças Armadas como instrumento político em meio à crise.

Dilma Rousseff, ao tomar conhecimento do relato anos depois, demonstrou surpresa e insatisfação com o fato de não ter sido informada na época. Questionou publicamente o silêncio do então comandante, e cobrou explicações sobre os autores da sondagem — cujos nomes nunca foram revelados oficialmente.

O episódio serve como marco histórico de como diferentes espectros políticos, em momentos de crise, podem flertar com medidas de exceção, colocando em risco os limites constitucionais que regem a democracia brasileira. A Constituição Federal prevê o estado de defesa como um mecanismo emergencial, acionado exclusivamente pelo Presidente da República, para preservar a ordem pública ou a paz social em áreas restritas e determinadas. No entanto, jamais foi aplicado desde a redemocratização do país.

O caso ganhou nova relevância nos últimos anos, especialmente diante do debate sobre a politização das Forças Armadas e os questionamentos sobre a atuação de militares durante o governo de Jair Bolsonaro. Tanto à esquerda quanto à direita, há registros históricos de tentativas de uso político do aparato militar, reforçando a necessidade de vigilância institucional e da defesa intransigente da legalidade democrática.

Mais do que uma simples nota de rodapé, o episódio envolvendo a sondagem ao Exército antes do impeachment de Dilma é uma lembrança incômoda de que a estabilidade democrática brasileira exige compromisso de todos os lados — especialmente em tempos de crise.
PortaldePrefeitura – Edição: Montedo.com

Respostas de 13

    1. Vai acreditar no VB? Aquele que fez declarações políticas de intromissão nas instituições, aquele mais favorecido com a eleição de bolsonaro, que mesmo sendo “Reformado”, tinha cargo pra ele e a filha no governo? Aquele que fez a reestruturação? Entendi, os generais não mentem, pelo menos os seus.

      Anos depois eu poderia dizer muito a meu favor ou a favor de terceiros, seria fácil. Tipo aquela brincadeira de pré adolescentes ” ta vendo, se eu quisesse!”

  1. Vilas Boas é aquele General cuja mulher vivia enfiada no acampamento golpista do setor Militar Urbano? Talvez ele possa explicar onde estava o Batalhão da Guarda Presidencial durante a arruaça do 8 de janeiro.

    1. A praça do golpe vivia cheia de parentes de militares (meu chefe saía do expediente e ia lá encontrar a esposa e a filha). porém, curiosamente, nenhum familiar de militar foi preso.

  2. Eu não gosto da Dilma. Mas vamos lá pelo fato de direito. Porque a Dilma foi tirada do cargo? Por pedalada fiscal. Mas as peladas fiscais que ela fez todos os prefeitos, governadores e todos os presidentes fizerem. Ele foi deposto por causa do congresso e por causa do temer querida ser presidente do Brasil e só avia esse jeito para ele. Não sou da esquerda. Mas é bem diferente de agora. Vou simplificar. Pessoal ficou na frente dos quartéis com a permissão dos comandantes que estavam prontos para ajudar um golpe sim. Agora vão dizer que o STF a polícia são tão burros com muitos celulares aprendidos e notebooks papéis tudo deve ser falso. Vão dizer que o STF não é o Moraes sozinho. O Moraes cumpri a constituição federal e simplesmente é rígido na lei. O pessoal quer fazer acreditar que o errado é certo e certo é errado. Fabricar tanta faks com os robôs nas redes sociais que o pessoal estão achando que o errado é certo e o certo é errado. Alguém sabe o que estava escrito na camiseta do Bolsonaro na transmissão aquele dia do protesto nas redes sociais?! Tente ver o que estava escrito em inglês e verão qual o material estava sendo produzido para largar e novamente usarem robôs. Estou falando isso por o certo é o certo. Não também não gosto do Lula.

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