Análise: O mundo no limiar da guerra e as Forças Armadas Brasileiras fora da realidade

Par de caças F-5 do Esquadrão Pampa no final da década de 1980. Foto: Antônio Ricieri Biasus/Revista Força Aérea.

 

O mundo irreal no qual as Forças Armadas Brasileiras vivem pode tornar-se um pesadelo. Se não nos prepararmos agora, o futuro dos militares será de culpa, remorso e humilhação

Fiel Observador
O mundo está a beira de um grande conflito que poderá tornar-se a Terceira Guerra Mundial. Há décadas não víamos uma deterioração tão rápida na segurança internacional.

Com a guerra na Ucrânia em 2022 e o retorno de Donald Trump ao poder, o mundo ficou instável e a dinâmica que rege as relações internacionais se tornou volátil.

Enquanto os países da Europa, Oriente Médio e Ásia-Pacífico, e até nossos vizinhos argentinos, se modernizam rapidamente, preocupados com uma possível guerra de grandes proporções, a mesma preocupação não é vista nos quartéis-generais de Brasília.

Parece que a guerra não vai bater a nossa porta. O foco das três Forças se resume em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e atividades subsidiárias, ações de não guerra e com adversários desarmados, onde é impossível testar o preparo e emprego das tropas e dos meios disponíveis. Tudo virou show, como foram as operações de segurança no G20 e na cúpula dos BRICS.

Ver na televisão cinquentenários caças F-5 voando com um único míssil na ponta das asas em 2025, ao invés de ser motivo de orgulho, deveria ser razão de IPM ou de uma investigação mais aprofundada sobre como chegamos a esse momento.

Estamos vivendo a triste realidade de ter que inventar formas de chamar a atenção do governo e justificar para a opinião pública e a sociedade brasileira em geral sobre a verdadeira razão de existir das Forças Armadas.

Enquanto Exército, Marinha e Aeronáutica continuarem a se preocupar com o julgamento (e a perseguir fantasmas) dos “kids pretos”, o injustificável submarino de propulsão nuclear armado convencionalmente e a tão necessária e urgente criação de um novo museu aeronáutico em São Paulo, não haverá tempo, recursos e energia para conduzir os processos de modernização.

Esses processos passam por estudos que duram anos e são refeitos a medida que novos oficiais-generais assumem os postos, para nunca serem terminados e quiçá chegar a uma decisão. É um círculo vicioso que nem sempre se chega a uma conclusão. Por isso que faltam equipamentos, porque não se sabe o que se quer e aonde se quer chegar em termos de capacidades.

Vivemos em dissonância completa com o movimento da máquina de realidade da guerra e do contexto regional e internacional de segurança.

Criamos desculpas, justificando nossa própria inércia ao baixo orçamento, mas a culpa é a burocracia militar e a falta de decisão, além do corporativismo, puxa-saquismo e da política de falar e pensar igual ao chefe.

Ganhar a guerra requer meios e criatividade, e a diferença entre um líder militar e um chefe é sua capacidade de decisão. Hoje nos temos chefes em todos os lugares, mas as Forças Armadas carecem de líderes militares, capazes de inspirar com exemplo e conduzir de forma decisiva, sem medo de errar e ser contestado.

As Forças Armadas Brasileiras estão fugindo da realidade que bate a sua porta. A guerra pode ser iminente.

  • Precisamos de meios militares, não precisamos de aviões para transportar políticos, Força Aérea não pode ser confundida com Linhas Aéreas Militares;
  • O Exército precisa ter foco no combate, menos projetos de desenvolvimento, dinheiro jogado no lixo com a modernização do Cascavel ou o SISFRON; e
  • Nossa Marinha precisa deixar de se iludir com submarinos nucleares e pensar como uma Armada de Guerra.

Estamos no final do terceiro ano desse governo. Qual será o legado que os Comandantes Militares deixarão? Nada começou, nada se concretizou. Vivemos de entregas de projetos criados uma década atrás.

Agora é o momento. O alerta está feito. Amanhã pode ser tarde demais, e as Forças Armadas e a classe política precisarão assumir a responsabilidade perante a sociedade.

Vide as Forças Armadas Argentinas pós-Malvinas. Se não nos prepararmos agora, o futuro dos militares será de culpa, remorso e humilhação. Não vai demorar para o governo e a classe política responsabilizarem os militares por quaisquer falhas.

É hora de deixar de respeitar os limites dos cercadinhos, assumir posições, criticar e ser criticado, colocar de lado o que não for mais prioridade. Ha muito trabalho e pouco tempo.
defesanet – Edição: Montedo.com

Respostas de 10

  1. Autor do texto está emocionado.

    Mais de 80% do orçamento é para pagar o efetivo. Aqui mora o problema: o efetivo não tem o mesmo tratamento!

    – general pegando transferência com menos de 2 anos na GU
    – coronéis e Cmt transferência a cada 2 anos além das transferências “Premium”.
    – oficial sai com dois anos caso queira.
    + AMãe – Gu 1 (2) – GU 2 [faz curso] (2) – GU 3 (2) – ESAO (1) – GU 4 etc.
    + Já vi tenente solteiro pegar mais de 70 mil em transferência
    – mesma quantidade de vagas de cursos para oficiais, universo menor.

    + oficial QCO não tem a mesma sorte

    Enfim..

    1. Estamos na nossa realidade.
      Formatura
      Faxina
      Continência da guarda.

      Não precisamos de mais blindados ou avioes para o 7 de setembro

  2. Vamos nos preparar para a III Guerra Mundial, ela vai ser realizada aonde?! Com certeza a Europa e um Possível campo de Batalha. A Rússia, a China. Os nossos vizinhos, quem?! a argentina?! A economia da Argentina e do tamanho do estado de São Paulo, a venezuela?! A População da Venezuela e do tamanho do Estado do Rio de Janeiro. Um pais do primeiro mundo?!

    1. Nós somos de paz.
      Como diria Rondom, o patrono de comunicações:

      Morrer? Se preciso for.
      Matar? Nunca!

      Somos soldados da paz. Guerra, to fora!

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