Decreto de Lula prevê protagonismo mais civil do que militar nas fronteiras do País

MAPA DA FRONTEIRA DO BRASIL

 

Além de segurança, plano do governo prevê ações de desenvolvimento sustentável, e direitos humanos

 

André Borges
Brasília
– O governo Lula (PT) trabalha na elaboração de um decreto para alterar a forma de atuação nas regiões de fronteiras do país. A série de mudanças, além de proteção e segurança militar, prevê ações de desenvolvimento sustentável, integração regional, direitos humanos e cidadania.

O decreto, a ser assinado pelo presidente, institui a nova Estratégia Nacional de Fronteiras (ENaFron). O documento indica que o protagonismo militar, que sempre esteve presente nessas regiões, abrirá espaço para uma gestão mais civil.

O entendimento é que, atualmente, a presença estatal das Forças Armadas, com foco quase exclusivo em ações de segurança e repressão a crimes, como tráfico de drogas e contrabando, realiza operações temporárias, lideradas pelo Ministério da Defesa. Há pouca ou nenhuma articulação, no entanto, com políticas públicas sociais, de saúde, educação ou desenvolvimento regional. A ideia é virar essa chave.

O GSI lidera hoje o Comitê Nacional de Fronteiras, composto por mais de 30 órgãos civis e militares. Nessa estrutura estão ministérios como Justiça, Saúde, Educação, Meio Ambiente, Povos Indígenas, Mulheres, Direitos Humanos, Relações Exteriores, entre outros, além da Defesa e das Forças Armadas.

Na prática, a minuta do decreto propõe um modelo em que os militares seguem com papel central no eixo de segurança, mas a gestão passa a incluir a cooperação entre áreas diversas do governo, com metas, cronograma e responsabilidades compartilhadas.

Essas ações deverão ser formalizadas no Plano Nacional de Fronteiras, que também está previsto na minuta e que vai detalhar as ações, prazos e mecanismos de acompanhamento. Na prática, o efeito concreto esperado é a disponibilidade de serviços básicos nos postos de fronteira, como vacinação, registro civil, assistência social e atendimento a migrantes.

A mudança trata ainda de medidas voltadas à educação e atividades econômicas sustentáveis para a população que vive nesta faixa do país, como agricultura familiar e turismo ecológico. Pelo plano, essas ações deixam de ser temporárias e passam a fazer parte de uma política de Estado com continuidade e monitoramento.

Um dos temas mais sensíveis é o eixo de direitos humanos, cidadania e proteção social. O plano pretende consolidar ações de monitoramento e combate ao tráfico de pessoas, trabalho escravo e exploração sexual, com medidas integradas entre segurança, assistência social e saúde.

A proposta inclui, ainda, políticas de incentivo para documentação civil a populações indígenas e migrantes, proteção à infância e juventude e políticas para pessoas LGBTQIAPN+.

A proposta tem sido submetida à consulta interna entre os órgãos federais que integram o comitê. Há previsão de que o texto da minuta seja apresentado no dia 31 de julho, em uma reunião fechada, no Palácio do Planalto.

O Brasil possui 15,7 mil km de fronteiras terrestres, a chamada “fronteira seca” que delimita seu território com países vizinhos, por terra. É a terceira maior do mundo, atrás apenas da China e da Rússia.

Segundo o IBGE, essa zona engloba cerca de 588 municípios e uma área total equivalente a 1,421 milhões de km², representando 17% do território nacional. Cerca de 9,4 milhões de pessoas residem em áreas localizadas na faixa até 150 km da fronteira com outros países, o equivalente a 4,6% da população brasileira.

Apesar de o foco central das medidas ser nessa região, o decreto também terá aplicação sobre a fronteira marítima.

A Folha questionou o Ministério da Defesa, além de Exército, Aeronáutica e Marinha sobre o assunto, mas não obteve resposta até a publicação deste texto. Apenas o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República se manifestou.

O GSI confirmou as informações e disse que a estratégia está em elaboração e será apresentada a outros participantes.

“A proposta da ENaFron será levada à apreciação dos entes federativos, dos meios acadêmicos e da sociedade civil. As ações, bem como os planos decorrentes serão, assim, produto da expertise dos ministérios, incluindo a interlocução dessas pastas com os entes subnacionais relacionados e órgãos que participaram do processo de elaboração, aos quais caberá a implementação conjunta das iniciativas levantadas no documento. Espera-se a conclusão do processo até o final do ano de 2025”, afirmou.

Segundo o GSI, o trabalho é acompanhado pelo Comitê Nacional de Fronteiras (CNFron), formado por 32 pastas. “Trata-se de um esforço colaborativo, que conta com a contribuição dos ministérios e órgãos que já atuam diretamente em nossas fronteiras e conhecem os desafios que enfrentam na condução de suas atividades. Seu intuito é aprimorar a atuação desses órgãos e buscar a superação de gargalos, muitas vezes comuns, que as instituições enfrentam”, declarou.

Hoje, a região de fronteira brasileira não está formalmente “submetida” ao GSI. São territórios como qualquer outro do país, que são parte de estados e municípios. Ainda assim, o GSI tem influência na formulação, articulação e coordenação de políticas de segurança e defesa na região.

O entendimento do governo é que essa área demanda uma articulação diferente, porque cada um tem atuado de forma setorial e fragmentada, além de ser reativa, sem continuidade ou presença civil estruturada.

O que é a fronteira terrestre do Brasil

  • Largura da faixa: até 150 km para o interior do país
  • Extensão: 16.882 km, com dez países vizinhos
  • Área da faixa: 1,421 milhão de km², ou 16,7% do território
  • Área total dos municípios na faixa: 2,263 milhões de km² (26,6% do território)
  • Municípios na faixa: 588
  • População na região: 9.416.714 pessoas, ou 4,6% da população

Fonte: IBGE

FOLHA – Edição: Montedo.com

Respostas de 4

  1. Ainda dizem que o presidente Lule tem uma visão Geoestratégica KKkkk.
    Bora Donald Trump cabra macho dos cunhão rôxo, estamos com os ianques.

  2. Mas o Projeto Calha Norte já previa a presença de instituições civis compartilhando as mesmas instalações dos Pel Fron, tanto que existiam os famosos “pavilhões de terceiros” que nunca foram ocupados por estas instituições.

  3. *Princípio das investigações:*
    As diligências tiveram início em 10 de abril de 2024, quando o condutor de uma Toyota Hilux desobedeceu ao sinal de parada em uma fiscalização da Polícia Militar, realizada na divisa do Tocantins e Bahia.
    Ações de polícia ostensiva, como essa do trecho de notícia acima, deu base para investigação qualificada que resultou em prejuízos para narcotráficantes que chegaram 64 milhões em reais. Agora te pergunto, o que um policial militar iria fazer no meio do NADA, a 500 km da tal última cidade??? C@gar no meio do mato?? É lógico que o exército deve estar lá sim, pois é fronteira, é lugar onde o crime ORGANIZADO cruza todos os dias. Agora eu queria que um militar de verdade, diferente de VC, um que REALMENTE serviu lá, traduza o que realmente fazem?? o teu” presença” na fronteira, e o que REALMENTE ” operaram”, e os leões do mato não estão em todos os lugares, sugiro que vc vá na pequena cidade de Garruchos, divisa com a Argentina, no RS, que os únicos militares que irá encontrar é do outro lado do Rio, um destacamento da Marinha Argentina e do lado de cá, alguns policiais militares da Brigada Militar. Portanto, esses que são os Leões do ” Mato” , diferente das “ovelhas”, não estão em todos os lugares como vc imagina, mas VOCÊ, por PURO desconhecimento, insiste em dizer ” Exército nas fronteiras”.

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