Soldado israelense diz que Mossad participou de sua fuga do Brasil

Yuval Vagdani, soldado israelense, passou férias na Bahia. (//Reprodução)

 

Militar israelense estava em férias na Bahia e deixou Brasil às pressas


Do UOL, em São Paulo
O soldado israelense Yuval Vagdani, que se tornou alvo da Justiça brasileira em janeiro após ser acusado de genocídio por uma organização palestina, disse que teve ajuda da Mossad, a agência de inteligência de Israel, para fugir do Brasil.

O que aconteceu
A revelação foi feita em entrevista ao canal de TV israelense N12. Vagdani contou que, depois de uma semana no Brasil, acordou e viu duas chamadas não atendidas e uma ligação do Ministério de Relações Exteriores de Israel em seu celular.

Vagdani narrou ter perguntado com quem estava falando e apenas ouviu que era “um agente da Mossad”. Quando atendeu, ouviu: “Você tem que sair do Brasil o quanto antes, vão abrir um processo judicial contra você e você precisa deixar o Brasil nas próximas horas.”

O soldado diz que só entendeu a gravidade da situação quando recebeu uma ligação do irmão, que estava com outro agente da Mossad. “Eles me contaram que um procedimento judicial havia sido aberto contra mim a pedido de uma organização pró-Palestina, que me processava em nome de uma família de Gaza que alegava uma série de coisas a meu respeito”, disse.

Ele diz que foi barrado e interrogado pela Polícia Federal no aeroporto de Salvador. O soldado disse ter conseguido enganar os policiais alegando não falar inglês e não entender as perguntas —e assim foi liberado e conseguiu fugir.

Vagdani disse também que serviu o Exército de Israel por dois anos e todas as suas experiências era “entre a vida e a morte”. Por isso, decidiu fazer uma “viagem de pós-guerra” até a Bahia.

Relembre o caso

Em dezembro do ano passado, a HRF (Hind Rajab Foundation) descobriu que Vagdani estava no Brasil. Segundo a organização HRF, o soldado Vagdani é suspeito de participar da demolição de um quarteirão residencial em Gaza, no final de 2024, utilizando explosivos fora de situações de combate. As residências serviam de abrigo para palestinos deslocados internamente após o início do conflito em 7 de outubro de 2023.

Na ação na Justiça brasileira, a organização diz ainda que Vagdani postou em redes sociais imagens da destruição em Gaza. A organização destacou a frase usada pelo soldado: “Que possamos continuar destruindo e esmagando este lugar imundo sem pausa, até os seus alicerces”.

À época, a embaixada de Israel no Brasil se manifestou. “A HRF está explorando de forma cínica os sistemas legais para fomentar uma narrativa anti-Israel tanto globalmente quanto no Brasil, apesar de saber plenamente que as alegações carecem de qualquer fundamento legal”, disse a embaixada em nota.
UOL – Edição: Montedo.com

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