RS: “Canalha”: prefeita pede cassação do vereador Sargento Doze por quebra de decoro; “Canalha é você!”, responde o parlamentar

Ana Tarouco e Sargento Doze

Prefeita elencou dez fatos em que o parlamentar teria abusado do seu poder; “A senhora me ameaçou inclusive de morte” declarou o militar

Yuri Cardoso
Santana do Livramento (RS) – A prefeita Ana Tarouco (PL) protocolou, na manhã desta segunda-feira (21), o pedido de cassação do mandato do vereador Sargento Doze (Podemos) por suposta quebra de decoro parlamentar. A denúncia, que foi apresentada por Ana na condição de pessoa física, elenca diversos episódios envolvendo Doze, sobretudo em desentendimento com servidores e colegas, bem como processos judiciais.

O documento lista dez fatos cometidos pelo vereador que, em tese, teriam quebrado o decoro parlamentar:

1 – Violência política de gênero e perseguição institucional contra a vereadora Eva Coelho (PL), ofensas reiteradas e humilhação pública (18/02/2025);
2 – Difamação contra o vereador Leandro Ferreira – ataques pessoais, manipulação de conteúdo e condenação judicial (27/02/2025);
3 – Ameaças, intimidações e violência simbólica contra servidor público municipal – caso Valnei Silveira Alves (Tibira);
4 – Perseguição institucional e exposição vexatória do servidor Ubirajara Renner de Castro Filho;
5 – Ato de intimidação na Santa Casa de Misericórdia (03/06/2025);
6 – Exposição indevida de servidora pública e constrangimento institucional (15/04/2025);
7 – Exposição e difamação de mulher em sessão pública – sentença condenatória reconhece a honra e a imagem;
8 – Ataques a autoridades públicas e instituições;
9 – Criança usada como instrumento político, intimidação ao Conselho Tutelar e abuso de poder; e,
10 – Do uso distorcido das falas do vereador Maurício Galo Del Fabro (PL) como instrumento de retaliação e desinformação.

Pedido de afastamento liminar do vereador denunciado

“Diante da gravidade dos fatos narrados e da repercussão negativa que as condutas imputadas ao Vereador denunciado vêm causando ao regular funcionamento da Câmara Municipal, ao Poder Executivo, às instituições e ao próprio serviço público local, requer-se, desde logo, a adoção de medida cautelar de afastamento liminar do denunciado do exercício do mandato, até decisão final neste processo político-administrativo […] A manutenção do denunciado no exercício do mandato oferece risco concreto ao regular andamento do presente processo, haja vista que poderá interferir diretamente na instrução, constranger servidores e testemunhas, tumultuar sessões e continuar praticando atos atentatórios ao decoro parlamentar. Embora o Decreto-Lei nº 201/67 não traga previsão expressa sobre afastamento preventivo, a medida é plenamente possível com fundamento no poder de autotutela da Administração (Súmula 473 do STF), no poder geral de cautela do órgão julgador para garantir a efetividade do processo e proteger o interesse público, e nos princípios da moralidade, impessoalidade e eficiência insculpidos no art. 37. caput. da Constituição Federal”, escreveu Ana.

A prefeita conversou com a imprensa após protocolar a denúncia: “Um pedido de cassação baseado em tudo que está acontecendo, em defesa dos servidores do município e sobretudo da mãe da Aurora. Eu penso que respeito é o básico, pois a democracia não subsiste sem respeito, então eu penso que por tudo que a gente está vivendo essa cidade não merece e algumas linhas não podem ser ultrapassadas […] o que a Ana Tarouco está fazendo hoje é se levantar contra um canalha que usa da política para alcançar todos os seus objetivos e não ‘tá’ nem aí, passando por cima de tudo que tiver que passar, falando tudo que tiver que dizer sem nenhum limite”, declarou. Questionada, Ana disse que espera dos vereadores bom senso.

“Canalha é você, que me chama de canalha!”
Em entrevista ao Jornal A Plateia o vereador Doze afirmou que recebe a denúncia sem nenhuma surpresa, pois a prefeita já teria dito que “faria alguma coisa”. O parlamentar fez diversas críticas ao governo e disse que seu trabalho de fiscalização está incomodando o Poder Executivo. “A prefeita deve arregaçar as mangas e cuidar da cidade para qual ela foi eleita com 75% dos votos e deixar o vereador 590 votos trabalhar […] Me respeita prefeita, canalha é você que me chama de canalha. Eu não estou te ofendendo. Quando a senhora fala de respeito, a senhora me ameaçou inclusive de morte. Como uma prefeita ameaça um vereador de morte? Que mundo é esse? Quem ela pensa que é?”, questionou.

Sargento Doze disse que acredita no bom senso dos seus colegas para julgarem improcedente a denúncia.

RITO
Leitura da denúncia no plenário
Assim que a denúncia for protocolada, o presidente da Câmara deve fazer sua leitura na sessão ordinária subsequente (ou em sessão extraordinária, se houver urgência).

Votação sobre a admissibilidade
Após a leitura, os vereadores devem votar, por maioria simples (metade mais um dos presentes), se aceitam ou não a denúncia para abertura de processo.
Se for aceita, o processo formal tem início.
Se for rejeitada, o caso é arquivado.

Formação da Comissão Processante
Aceita a denúncia, é sorteada uma Comissão Processante com três vereadores para conduzir os trabalhos. Um deles será escolhido presidente e outro relator.

Notificação e prazo de defesa
O vereador denunciado é notificado imediatamente e tem o prazo de 10 dias para apresentar sua defesa prévia por escrito.

Instrução do processo
Após a defesa, a Comissão tem até 90 dias para realizar a investigação, que pode incluir:

Oitiva de testemunhas;
Apresentação de documentos;
Realização de diligências.

Relatório final
Ao final do prazo, a Comissão elabora um relatório recomendando:

A cassação do mandato; ou
O arquivamento da denúncia.

Esse relatório é então encaminhado para votação em plenário.

Votação final do plenário
Para que o vereador perca o mandato, são necessários dois terços dos votos dos membros da Câmara (em Livramento, com 17 vereadores, seriam 12 votos favoráveis à cassação).

Afastamento cautelar
A denúncia pediu o afastamento preventivo do vereador, por entender que sua permanência atrapalharia o processo. Esse pedido pode ser votado separadamente, também por maioria qualificada.
A Plateia – Edição: Montedo.com

Respostas de 13

  1. Tentou adotar a política do chefe dele, que ficou mais de 30 anos fazendo esse tipo de coisa. Esse camarada será cassado e voltará para o mundinho dele.

  2. Tem que acabar com essa palhaçada de deputado “coronel”, deputado “delegado”, deputado “sargento”…se querem ostentar a patente, porque não permaneceram nos seus cargos?!

    1. Na verdade é uma medida ilegal.
      Pode abrir o estatuto dos militares.
      Embora o militar na reserva possa se manifestar politicamente, o militar (ativa, reserva ou reforma) deve ABSTER-SE de usar designacao hierárquica nesse tipo de manifestação.

      Falta é o exército e o MPM cobrarem. No metrópoles tem um general paulo chagas, foi pra reserva ha mais de 20 anos e ainda coloca O EXERCITO em discussoes políticas

  3. Esse ex-sargento esta passando por Sérios problemas e conflitos Psicológicos. Vai perder o mandato, vai ser condenado no IPM aberto e perder o vencimento Que recebe, e daqui ha algum tempo vai se Arrepender profundamente do que fez. Então se Alguém o conhece, seja amigo, parceiro e busca ajuda profissional Para ele.

  4. Sargento “Doze”???

    Que dia*** de nome ou apelido é esse?

    Faz lembrar os “nomes de guerra” de vereadores de cidades do interior do nordeste: “Zé da Farmácia”, “Ana do Hospital”, “Tonho de Vicente”, “Mané Carvoeiro”, “Elias da Oficina”, etc, etc.

    Eita Brasil “porreta”!

  5. Bela filósofa, mas no mundo dos homens, e estes sabendo que a política É EXTREMAMENTE importante, não podem deixar apenas que os Gananciosos, covardes, criminosos e corruptos comandam, nem que os fanáticos decidam por burrice, ou ” maioria”, a política brasileira é tão importante e por isso existe a necessidade gestores capacitados, pois é através da Política que os recursos são geridos para saúde, segurança pública e EDUCAÇÃO, e tudo mais…
    Até entendo, que devido essa sua moral desnivelada, não gostei de Política e polícia, e que ainda acredite em Papai Noel e também acredite em ex presidiário, ficando horrorizado e contra aqueles que ainda falam a verdade. até porque num mundo de mentiras, quem fala a verdade é considerado um louco, mas diz o ditado que é preferível viver com os loucos, do que com os falsos e invejosos…então, se o doze ( mesmo sendo grotesco, sem estratégia para uma expressão verbal adequada), se estiver lutando por justiça, apoio ele sempre…

  6. Essa turma do PL vive de Críticas ao chamado “mimimi” da esquerda, mas quando convém utilizam argumentos semelhantes. Agora vão recorrer até à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos na tentativa patética de salvar o “””Mito”””.
    Parafraseando Holanda Cavalcanti: “Nada mais Progressista do que um Conservador no poder” .

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