Quem foi o general que dá nome à quartel do Exército em João Pessoa e que MPF pede retirada de homenagem

Aurélio de Lyra Tavares dá nome ao grupamento de Engenharia em João Pessoa — Foto: Academia Brasileira de Letras

 

O militar foi um dos responsáveis pela promulgação dos atos AI-5 e AI-12, que intensificaram a repressão no país. MPF pede retirada da homenagem por ferir princípios democráticos.

O general Aurélio de Lyra Tavares, que monitorou exilados brasileiros no exterior, foi ministro do Exército e apoiou atos institucionais antidemocráticos durante a Ditadura Militar no Brasil, dá nome ao 1º Grupamento de Engenharia do Exército Brasileiro, em João Pessoa. O local, que também foi usado como espaço de repressão, é alvo de uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para a troca do nome.

O órgão federal considera que manter o nome do militar desobedece à recomendação da Comissão Nacional da Verdade (CNV), bem como das comissões estaduais e municipais, que investigaram o período ditatorial e orientam a retirada dessas homenagens. Segundo o órgão, a permanência do nome também fere princípios democráticos e o compromisso com a memória, a verdade e a não repetição.

Em nota, o 1º Grupamento de Engenharia de João Pessoa informou que não foi notificado sobre a recomendação do órgão federal.

Quem foi Aurélio de Lyra Tavares?
O general Aurélio de Lyra Tavares nasceu em 1905, em João Pessoa. Ele comandou o IV Exército a partir de 1964, foi ministro do Exército entre 1967 e 1969 e integrou a junta militar que assumiu o poder após o afastamento do general Costa e Silva, em 1969.

Aurélio também foi um dos responsáveis pela promulgação dos atos AI-5 e AI-12, que declaravam o país em “guerra revolucionária” e intensificaram a repressão no país.

O general também foi um dos responsáveis pela elaboração do Decreto-Lei nº 898, nova Lei de Segurança Nacional da época, que previa medidas como banimento, pena de morte e prisão perpétua para opositores do regime. O militar aparece em cadeias de comando ligadas a mortes e desaparecimentos forçados.

Em 1969, chegou a assumir a chefia do governo temporariamente, por força do Ato Institucional 12, instaurado no mesmo ano, durante o impedimento temporário do Presidente da República.

Como embaixador do Brasil na França, entre 1970 e 1974, o general também contribuiu no esquema de monitoramento de exilados políticos brasileiros. O governo francês colaborava com a vigilância dos exilados, enquanto mantinha acordos militares e comerciais com o Brasil, mesmo ciente das violações sistemáticas de direitos humanos promovidas pela ditadura.

O então militar foi o quinto ocupante da Cadeira 20 da Academia Brasileira de Letras (ABL), que teve como antecessor Múcio Leão, jornalista e escritor, e como sucessor Ivan Lins, também jornalista e professor.

O general morreu no dia 18 de novembro de 1998, no Rio de Janeiro. Um ano depois, o Grupamento de Engenharia recebeu o nome dele como forma de homenagem.

Além de dar nome ao estabelecimento militar, a Comissão Municipal da Verdade de João Pessoa também destacou a existência da Avenida General Aurélio de Lyra Tavares no município. A via é popularmente conhecida como “Acesso Oeste” e divide os bairros Alto do Matheus e Ilha do Bispo

Repressão no Grupamento de Engenharia
O MPF apontou que a recomendação de que o 1º Grupamento de Engenharia também era um local de repressão durante a ditadura na Paraíba. O local sediou prisões políticas, vigilância e repressão a opositores do regime militar.

No Grupamento, ficou presa Elisabeth Teixeira, esposa de João Pedro Teixeira, um dos fundadores das Ligas Camponesas na Paraíba e assassinado em 1962, cuja história de vida foi narrada no documentário Cabra Marcado para Morrer.

O MPF também recomenda a criação de um espaço dentro do Grupamento de Engenharia para relembrar a memória e informações sobre o período da ditadura, com o intuito de “promover a educação em direitos humanos e valores democráticos”. Desde 1999, o local recebeu este nome.
g1

Respostas de 15

  1. Para quem sabe ler, escrever e interpretar:

    1- História militar não é a “verdade histórica”. É a visão militar dos fatos passados, ou seja, carregados de distorções (história escrita pelo vencedor)

    2- quem leu sobre Gen Lyra Tavares (tem um texto lá no 1° Grupamento) só têm as “glórias” como por exemplo: Cmt ESG, Ministro, Embaixador, Escritor, escreveu a canção do Engenheira, etc etc.

    Moral da história.. se vamos falar de militar golpista, começamos pelo primeiro: Deodoro da Fonseca e o dia da infâmia 15/11/1889.

    1. Concordo plenamente sobre “saber ler, escrever e interpretar”.

      E, dessa forma, além de eliminar referências a militares que faziam parte da Ditadura, pela coerência também se devia eliminar nomes daqueles que pretendiam implantar outra Ditadura, a exemplo de escolas que levam o nome de Marighela.

      Tudo pela coerência.

      Pois, quem “sabe ler, escrever e interpretar” entende que não existiram herois daquela época: uns defendiam uma Ditadura existente; outros lutavam para implantar outra Ditadura.

      Simples assim.

      1. Não haveria Marighella e Larmarca sem ditadura.
        Não haveria atentado ao Rio Centro sem ditadura.
        Não haveria Guerrilha do Araguaia sem ditadura

        Não haveria revoltas dos militares (revoltada da armada, canudos, contestado, tenentismo, coluna prestes, golpe de 1930, revolução de 32, intentona comunista de 35, golpe de 64, 08/01/23, sem o primeiro e maior golpe: 15/11/1889.

        Ditadura de 64 não é um contexto isolado é o resultado de gerações de militares golpistas. E os “instrutores Sorbonne” formaram outra geração de golpistas na ESG e na Amãe da década de 60 e 70.

        Para finalizar: Heleno (Tu 69), Mourão (Tu 72), Paulo sergio (Tu 74), Braga Netto (75).

        1. Falou muita besteira.

          Especialmente no início, sobre lamarca e Mariguela.

          Dois terrroristas assassinos que, caso tivessem exíto, não permitiriam que tu escrevesse essas idiotices.

          é o preço da liberdade defendida pelos homens e mulheres do EB, FAB, MB, PM, Bombeiros e policiais civis nos anos 70.

          1. Blz, você está certo e assim como todos os militares golpistas.

            Pracinha foi para a segunda guerra lutar contra os Nazistas e na volta obrigaram Vargas a sair do governo.

            19 anos depois, outro regime golpista financiado pela US Aid e bancos internacionais.

  2. Pena que não tenho advogado para falar o que eu gistaria.

    Por enquanto, mando o MPF para a aquele lugar.

    Comp diz o dito popular, JANJA QU1P4R1U

    1. Na verdade você não tem COGNIÇÃO para articular um raciocínio lógico mínimo.

      Não precisa de advogado, já que está anônimo.

  3. Do jeito que anda as coisas todos batalhão vai mudar de nome, comandantes frouxo sem respeito com a história da força. Futuramente o patrono do Exército deve mudar.

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