Comunidades peruanas acusam Exército Brasileiro de invadir território

Aldeia peruana

Militares são acusados de confiscar alimentos e intimidar moradores; Exército nega e diz que opera apenas em solo nacional

 

Cleber Lourenço
Comunidades nativas da região do rio Yavarí, na província de Ramón Castilla, no Peru, acusam o Exército Brasileiro de invadir o território do país vizinho e confiscar pertences de moradores ribeirinhos. A denúncia foi publicada na semana passada pelo portal peruano Exitosa, que divulgou relatos de lideranças locais e um vídeo em que supostos militares brasileiros exigem documentos de identidade de civis peruanos durante uma abordagem.

Segundo Teddy Alvarado, tenente-governador da comunidade de Nueva Esperanza, os militares brasileiros estariam realizando abordagens dentro do Peru, impedindo o livre trânsito de embarcações e retirando alimentos de populações tradicionais que circulam entre os dois países. Ele afirma que os episódios têm se repetido com frequência nos últimos anos, sem qualquer resposta efetiva do governo peruano. Alvarado cobrou a instalação de um posto de controle fluvial sob responsabilidade das Forças Armadas do Peru, para garantir a soberania na região e proteger os direitos das comunidades afetadas.

Moradores da região do Alto Javari relatam que as ações costumam ocorrer em pontos remotos e de difícil acesso, onde a ausência de fiscalização facilita a confusão sobre os limites fronteiriços. Essas áreas são historicamente habitadas por povos tradicionais que mantêm relações culturais e familiares entre os países, o que torna o controle estatal ainda mais sensível. A Exitosa afirma que, apesar de várias reclamações já terem sido levadas ao conhecimento das autoridades, não houve nenhuma ação concreta até o momento.

O ICL Notícias procurou o Exército Brasileiro, que enviou uma nota negando qualquer incursão fora dos limites do território nacional. Segundo o comunicado, todas as operações conduzidas na região da tríplice fronteira com Peru e Colômbia ocorrem exclusivamente em solo brasileiro e estão amparadas pelas Leis Complementares 97/1999, 117/2004 e 136/2010. A nota reitera que essas ações fazem parte de uma estratégia de combate a crimes transfronteiriços e ambientais, como o tráfico de drogas, contrabando de combustíveis e extração ilegal de madeira.

Exército afirma respeitar acordos bilaterais


“A atuação das tropas é pautada, sempre, pelo respeito aos acordos bilaterais e em estreita coordenação com os Exércitos Peruano e Colombiano”, afirma a nota do Comando Militar da Amazônia (CMA). O texto também informa que o Exército Brasileiro utiliza tecnologia de georreferenciamento para registrar a localização de suas tropas durante as operações, o que permitiria comprovar que não houve transgressão territorial.

Apesar de não citar diretamente os relatos divulgados pela Exitosa, o comunicado enfatiza que todas as ações obedecem a protocolos de legalidade e priorizam o respeito às comunidades locais. “O Exército Brasileiro continua comprometido em consolidar a presença do Estado Brasileiro nos limites do território nacional amazônico, respeitando a dignidade dos povos originários e da população amazônida, preservando o meio ambiente e combatendo os delitos transfronteiriços e ambientais”, conclui a nota.

A região do Vale do Javari é uma das mais sensíveis do país, com presença de diversos povos indígenas isolados e pressão constante de garimpeiros, caçadores e redes criminosas ligadas ao tráfico internacional. A presença de tropas é justificada pelo governo brasileiro como estratégia de soberania, mas há preocupação crescente sobre a militarização da região sem a devida escuta das comunidades afetadas.
ICL NOTÍCIAS

Respostas de 4

  1. Salários baixos da início a essas coisas. Daqui a pouco estamos igual a algumas polícias pedindo propinas e se tornando milícias também. A coisa está ficando feia.

  2. Ponderador faltou aula básica de moral e ética:
    Primeiro ponto, a qualquer situação que te leve a entrar para a criminalidade não será o salário baixo e sim a tua falta de moral. Temos juízes, políticos, delegados etcetera deixando a moral de lado e cometendo crime, aceitando propinas milionárias….não é o salário baixo, basta vc sair da Caserna, parar de marchar e pintar o meio fio ,tentar fazer o trabalho da PM, que dará início a ” essas coisas” pois fazer a lei ser cumprida e ser autoridade não é para qualquer um e muitos se corrompem sim… agora a pior asneiras é falar em salário baixo como regra social de honestidade, se fosse assim os aposentados com salário mínimo seriam os principais criminosos do país envolvidos com milícias??
    Então se for por questão de salário um capitão da PM e um coronel que ganha igual general, nunca irão se corromper..kkkk

    Porque temos corrupção mas licitações do exército?? Os oficiais ganhavam pouco????

    Logicamente que é necessário salário digno para todos, mas não venha com mimimi de salário baixo da PM…pois soldado PM pode ganha igual a um 1° Sgt com 20 anos de serviço e ponto final.

    Outra coisa que vc deve aprender a diferenciar é alguns, DE INSTITUIÇÃO COMO UM TODO. Alguns policiais estão envolvidos com o crime organizado, assim como alguns batalhão das forças armadas que passam armas dos quartéis para narcotráficantes. Salário baixo não está ligado diretamente a moral e a corrupção. Não deixe a sua ignorância constrangedora deduzir fatos e nem a tua disfunção cognição psicológica de generalização afetar teu cérebro em relação a atuação da Polícia Militar Brasileira.

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