Justiça militar condena ex-diretor do Arsenal de Guerra de SP por extravio de armamento do Exército

Imagem: EB

 

Um tenente, dois ex-cabos e cinco civis também foram condenados
Caso ocorreu no Arsenal de Guerra de São Paulo, em 2023; 20 armas foram recuperadas

 

Leonardo Ribbeiro, da CNN, Brasília
A Justiça Militar condenou quatro militares do Exército e cinco civis pelo extravio e a venda de armamento do Arsenal de Guerra de São Paulo, localizado em Barueri, no dia 7 de setembro de 2023.

Dois ex-cabos, um deles então motorista do diretor da organização militar e o outro auxiliar da Seção de Transporte, foram condenados a 17 anos e 4 meses de reclusão, cada, pela prática do crime de peculato-furto, em regime fechado.

O tenente, na época chefe da Seção de Inteligência, recebeu a pena total de 9 meses de detenção, sendo 3 meses pelo crime de inobservância de lei, regulamento ou instrução e 6 meses pelo de peculato culposo, que ocorre quando o militar contribui culposamente para que outra pessoa subtraia ou desvie algo da unidade militar.

Já o tenente-coronel, então diretor do Arsenal de Guerra, foi condenado a seis meses de suspensão do exercício do posto, por negligência ao Regulamento Interno e dos Serviços Gerais do Exército, que impõe ao comandante de uma unidade militar “exercer sua ação de comando em todos os setores da unidade, usando-a com a iniciativa necessária e sob sua inteira responsabilidade”.

Um dos civis condenados recebeu pena de 14 anos, 4 meses e 24 dias de reclusão. Os demais receberam pena de 18 anos de reclusão.

Responsáveis pelo extravio e pela comercialização das armas, eles incorreram no crime de comércio ilegal de arma de fogo.

Relembre
Pelo apurado pelo Ministério Público Militar, na tarde do dia 7 de setembro de 2023, os dois cabos condenados, valendo-se do fato de que em razão das comemorações do Dia da Independência, não havia expediente no Arsenal de Guerra de São Paulo, subtraíram as armas mencionadas do depósito da Seção de Recebimento e Expedição de Material daquela organização militar, após arrombarem os cadeados e o lacre que guarneciam o local e desarmado o alarme que o protegia o pavilhão onde se localiza o depósito mencionado.

Na sequência, colocaram as armas na caçamba de uma caminhonete, ocultando-as com a cobertura da parte traseira do veículo, e saíram do local sem que o veículo fosse revistado. Em continuidade, as armas foram entregues aos civis pare serem negociadas com elementos de organizações criminosas dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Na oportunidade foram extraviadas 21 metralhadoras e um fuzil. Ao todo, 20 armas foram recuperadas no interior de São Paulo e na periferia da cidade do Rio de Janeiro.
CNN BRASIL – Edição: Montedo.com

Respostas de 12

    1. Será que existe isonomia nessa condenação?

      Em uma certa OM do CMN, a esposa de um Cmt morreu dentro de casa. O tiro, de acordo com a polícia, veio do lado de fora da casa mas o caso foi levado na justiça militar como sui.

      O Cmt pegou o luto, foi na OM despachar mesmo no luto e 1 ano depois estava com uma nova esposa.

      “Solidão do Cmt”? No manual de liderança existe a “liderança participativa”, aquela que delega-se responsabilidade a setores especializados. O que houve nesse caso das armas foi uma falha procedimental não percebida pelo S2.

  1. O Comandante é responsável por tudo. Esta condenação comprova a grande responsabilidade de ser um Comandante. Até o Chefe da Inteligência condenado. Muitos pensam que certas funções são fáceis. Tem inteligência aplicando toxicológico em soldados. Tem médicos dando apto para militares com graves problemas. Estamos em 2025 terminou o “rquero”.

  2. Todos nós sabemos que não foi o Cmt que foi o culpado direto, então é triste ver um militar ser punido desse jeito. Porém, isso é bom para que fique de lição aos cmt de OM que gostam de punir algum praça, mesmo sabendo que nao foi o culpado direto pela alteração. Tenho certeza que se fosse um problema interno o EB ia punir cabo armeiro, o Enc Mat da Cia, e o Cmt da Guarda, mesmo sabendo que não foram os responsáveis, só pra servir de exemplo. Agora sim, pau que dá em chico, tem que dar em Francisco também.

    1. exatamente, mas o comandante da guarda é responsabilizado por tudo e um pouco além do que acontece na guarda. Não é verdade?

  3. e eu que ja fui punido por espalhar boato na OM e depois foi comprovado que nao era BOATO…. ninguem me defendeu ……..estava num mato sem cachorro.. perdido. sozinho..

  4. Nesse caso especifico, percebe-se uma vontade muito grande de punir o comandante da OM. Ele ja tinha sido afastado do comando o que ja foi uma “Punição ” pois em outros casos semelhantes isso nao ocorreu. Tem alguma coisa nesse IPM que nao veio a publico que levou ao afastamento do comandante e agora a sua Condenação . A pergunta que eu Faço, de agora em diante vai ser para todos os comandantes de OM ou somente para esse que era engenheiro Militar?!

    1. Boa pergunta.

      Sabemos que a Instituição separa aqueles formados na “Acadimia” dos egressos das outras escolas de oficiais.

      Nessa mesma OM teve o caso recente do recruta torturado e que se encontrava na UTI (não se ainda está hospitalizado).

      O atual cmt não é engenheiro militar.

      Aí eu pergunto: será também responsabilizado?

  5. É, no mínimo, alvitante a punição imposta, por menor q seja, a um militar q NAO teve participação NENHUMA no crime ocorrido no AGSP. A sensação q dá, é q tal punição foi executada devido às proporções políticas q o caso Alferiu.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *